Roupa que será usada por astronauta brasileiro foi feita em SP

Luciana Ackermann - Diário de S.Paulo

Atualizada em 27/03/2022 às 14h26

SÃO PAULO - O macacão que o astronauta brasileiro Marcos Cesar Pontes deverá usar na Estação Espacial Internacional (EEI), a 400 km da Terra, foi feito em São Paulo. A estação para onde Pontes será enviado é uma estrutura artificial de 110 m de largura por 75 m de comprimento, concebida para a permanência humana no espaço.

A roupa que ele usará durante sua permanência na EEI foi confeccionada seguindo normas militares americanas. Além disso, três dos emblemas bordados e afixados no macacão espacial russo (pressurizado e apropriado para o uso dentro e fora da nave) também foram criados na capital. Os emblemas são os símbolos da Missão Centenário, da Agência Espacial Brasileira (AEB), e a bandeira do Brasil.

O casal Marcelo Silva Oliveira, de 37 anos, e Marilia Fajardo Oliveira, de 32, é o responsável pelas peças. Marília conta que também foram enviados duas calças, dois macacões, uma jaqueta e cinco camisas pólo. O macacão básico custa em torno de R$ 300,00. Mas o casal não quis revelar o valor das peças pagas pela AEB.

Desde 2003, o casal investe na confecção de roupas e acessórios destinados a aeronautas e policiais, com tecidos especiais que resistem a rasgo, fogo, e têm proteção ultravioleta, além de serem impermeáveis. Em meados de novembro do ano passado, Marilia recebeu o telefonema de um representante da AEB, que viu, em Brasília, um piloto de avião usando um macacão com emblemas bordados pelo casal.

A partir disso, o casal dedicou-se a desenvolver e produzir as peças para o astronauta brasileiro, seguindo as normas americanas. Em janeiro, as peças foram enviadas à Rússia. O macacão, na cor azul royal, já foi usado pelo astronauta brasileiro no treinamento.

Oliveira, que é professor universitário de desenho industrial, piloto de avião e filho de piloto, não esconde o imenso orgulho de suas peças chegarem tão longe.

- Estou muito empolgado. Sempre priorizamos qualidade, e acabamos sendo reconhecidos - diz ele.

Marilia conta que o empreendimento resulta do enorme interesse de Oliveira por aviação. Colecionador de uniformes de pilotos americanos, Oliveira, dez anos atrás, dedicava boa parte de suas viagens ao exterior, visitando lojas onde tais uniformes são vendidos e trazendo encomendas para outros pilotos. No início, Marilia, que é administradora de empresa, não gostava da mania do marido. Mas ela acabou vendo nisso uma oportunidade de ganhar dinheiro no Brasil.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.