Ex-presidente do Banco Santos será convocado por CPMI

Agência Câmara

Atualizada em 27/03/2022 às 14h28

BRASÍLIA - A Sub-Relatoria de Fundos de Pensão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios deverá convocar para depor o ex-presidente do Banco Santos Edemar Cid Ferreira. Ele é suspeito de envolvimento em irregularidades em fundos de pensão. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira pelo sub-relator, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

Em depoimento hoje na sub-relatoria, o operador do mercado financeiro Alexandre Athayde Francisco denunciou a ligação do ex-presidente do Banco Santos, que teve a falência decretada em setembro de 2005, a membros da família Almeida Rego, acusada de montar o esquema de operações financeiras fraudulentas.

Os negócios ilícitos, segundo o operador, teriam beneficiado empresários e financiado campanhas do PT.

Prejuízo

Em seu depoimento, Athayde Francisco disse que Edemar Cid Ferreira e Haroldo Almeida Rego Filho, conhecido como Pororoca, causaram um prejuízo de R$ 153 milhões ao Real Grandeza - fundo patrocinado por Furnas e pela Eletronuclear - a partir de investimentos no Banco Santos. Quando a operação foi feita, segundo Athayde Francisco, havia quatro meses que "o mercado não comprava nada do Banco Santos". Após a falência do banco, o Real Grandeza perdeu o dinheiro investido.

Segundo o operador, os R$ 153 milhões não chegaram a integrar a carteira do banco. A verba, de acordo com ele, teria sido distribuída entre o grupo que participou da fraude. "Acredito que o Pororoca tenha levado entre R$ 40 e R$ 70 milhões na operação", avaliou. Pororoca foi sócio da corretora Safic, que administrou investimentos deficitários de fundos de pensão e foi inabilitada pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) em 2002. O depoente associou as fraudes contra os fundos ao caixa dois de partidos políticos.

Venda suspeita

Athayde Francisco também afirmou ser suspeita a venda de ações da siderúrgica Acesita no valor de R$ 745 milhões pela Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil. Segundo ele, o negócio foi fechado sem leilão, mesmo havendo outras interessadas além da siderúrgica belga Arcelor, que ficou com os papéis.

O objetivo da venda seria o pagamento de comissões, já que cada ponto percentual de corretagem sobre o negócio equivaleria a R$ 7 milhões. O depoente insinuou que esse dinheiro teria ido parar no caixa dois do PT. "Todo mundo sabe que a operação foi feita devido ao interesse do ex-ministro de Comunicação Institucional Luiz Gushiken", afirmou.

Em nota, a Previ informou que a venda trouxe ganhos para o fundo. Além disso, a Arcelor teria coberto proposta feita por outro investidor.

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