RIO - A Petrobras anunciou hoje que vai reajustar os preços do gás natural produzido no Brasil e na Bolívia. O gás natural brasileiro terá um aumento de 6,5% a partir de 1º de setembro e de mais 5% em 1º de novembro. O gás boliviano sofrerá reajuste ainda maior: de 13% em 1º de setembro e de mais 10% em 1º de novembro.
Na prática, algumas distribuidoras terão que enfrentar um aumento nos preços de até 24% (reajustes acumulados de 13% mais 10%). Isso porque o gás boliviano atende principalmente as concessionárias da região Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. O gás de produção nacional atende a maior parte do Estado do Rio de Janeiro e o Nordeste.
O impacto do reajuste para o consumidor vai variar de acordo com cada Estado. As distribuidoras seguem a política de preços definida por agências reguladoras estaduais. O gás natural é usado em residências que recebem gás canalizado, usinas termelétricas, comércio, carros que usam GNV (Gás Natural Veicular) e indústrias. O país consome em média 38 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, segundo a Petrobras.
A Secretaria Estadual de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento de SP informou que completou há pouco a revisão tarifária e que não vai repassar imediatamente os aumentos de preços. Já no Rio de Janeiro, o consumidor fluminense deverá receber contas mais altas ainda em setembro.
Segundo o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, o reajuste não será repassado integralmente. "O Estado acabou de negociar com as concessionárias a redução de preços e de mudar a data-base. O preço final é composto pelo preço do gás e pelo preço da margem. O preço da margem da distribuidora não vai variar, mas o do gás será repassado", disse.
A estatal mantinha os preços do gás natural desde janeiro de 2003. Após os dois reajustes, o gás boliviano poderá subir ainda mais. A Petrobras explica que vai substituir o preço-teto do gás boliviano por um "sistema temporário de descontos", que vai durar até o final do ano. A partir de 1º de janeiro de 2006, os descontos não serão mais aplicados.
A companhia afirma que decidiu elevar os preços do gás boliviano por ter absorvido reajustes de preços ocorridos no contrato de compra do gás da empresa boliviana YPFB. O preço de aquisição do gás da Bolívia está vinculado a uma cesta de derivados de petróleo que tem sofrido aumentos significativos nos últimos meses, segundo a estatal.
No mês passado, a Petrobras havia informado a clientes que reajustaria os preços do gás boliviano em 27%, mas acabou voltando atrás e adotando um aumento menor e parcelado.
A estatal alega que os reajustes do gás brasileiro mantêm o produto competitivo em relação aos demais combustíveis e que a medida se tornou necessária com a evolução dos custos de exploração, aquisição e transporte de gás natural ao longo dos últimos 32 meses.
O mercado financeiro recebeu bem a notícia. Em um dia tenso na Bovespa, com a influência do cenário político, as ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras encerraram o dia com alta de 1,39%. Segundo o analista da Ágora Senior, Luiz Otávio Broad, o aumento de preços se justifica pela alta nos custos de exploração. "Os investimentos estão mais elevados em razão do preço do aço e o preço do gás natural estava defasado", afirmou. O analista espera que a estatal reajuste outros combustíveis, como gasolina e diesel, até o início do próximo trimestre.
Apesar da repercussão positiva sobre os papéis da companhia, a aprovação ao reajuste não foi unânime. Analistas afirmam que a medida pode inibir o consumo de gás no país.
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