Deputado questiona autenticidade da autorização de saque para ajudante de Dirceu

Demétrio Weber - O Globo

Atualizada em 27/03/2022 às 14h40

BRASÍLIA - O deputado federal Carlos Abicalil (PT-MT), subrelator da CPI dos Correios, levantou suspeitas neste sábado sobre a autenticidade do documento que autoriza o ajudante do ex-ministro-chefe da Casa Civil e deputado federal José Dirceu (PT-SP), Roberto Marques, a sacar R$ 50 mil de uma conta da agência de publicidade SMP&B Comunicação, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, no Banco Rural.

O documento, revelado na edição da revista Veja que chegou este sábado às bancas, é um fax que teria sido enviado da agência do Banco Rural em Belo Horizonte para a agência do banco em São Paulo, autorizando Roberto Marques, conhecido como Bob, a sacar o dinheiro na capital paulista.

- Não sabemos se é autêntico. Este documento pode ter sido plantado, vamos investigar - disse Abicalil.

Ele confirmou, no entanto, que o número do RG informado por Roberto Marques é o mesmo que apareceria em documentos da CPI dos Correios. O que não está claro, porém, é qual exatamente o documento que registra o RG de Marques, já que o número da carteira de identidade do ajudante de Dirceu não consta na autorização para pagamento em poder da CPI dos Correios e divulgada por Veja.

- Querem fazer manchete de capa para antecipar o depoimento de Dirceu - disse Abicalil, levantando a suspeita de que a autorização de saque em nome do ajudante de Dirceu tenha sido forjada para atingir o ex-ministro, que vai depor na terça-feira no Conselho de Ética da Câmara e deverá ser convocado também pela CPI dos Correios na semana que vem.

Abicalil disse ter recebido um telefonema de Marques na última sexta-feita. Na ligação, segundo Abicalil, o ajudante contou ter sido procurado por repórteres de Veja. Marques teria recomendado aos repórteres que falassem com o deputado. Por telefone, Marques teria dito a Abicalil o número de sua carteira de identidade.

O deputado petista afirmou que o documento está sob suspeita porque não vem acompanhado de outros registros anexados a cada saque, como ocorre no restante da documentação da CPI relativa à quebra de sigilo bancário da SMP&B no Rural: cópia do cheque, tíquete bancário indicando se ocorreu uma transferência eletrônica ou um depósito em dinheiro, assinatura do sacador e cópia do seu documento de identidade.

Segundo ele, o documento teria sido enviado à CPI pelo Banco Rural com o lote de material resultante da quebra de sigilo bancário. O deputado disse que agora tentará localizar esse documento entre a papelada apreendida pela Polícia Federal no arquivo morto do Rural em Belo Horizonte.

Abicalil enfatizou que Roberto Marques não sacou os R$ 50 mil. De fato, o documento divulgado por Veja mostra apenas que o ajudante de Dirceu teria sido autorizado a sacar o dinheiro. Quem efetivamente retirou os R$ 50 mil da agência do Rural em São Paulo foi Luiz C. Mazano, que seria contador da corretora Bonus-Banval. Segundo Veja, a corretora alega que se trataria de um homônimo.

Abicalil disse que o documento relativo ao saque feito por Mazano está dentro dos padrões de documentação da CPI, com todos os demais registros anexados. A autorização dada a Mazano diz respeito ao cheque número 414270, o mesmo que teria sido autorizado inicialmente para saque de Marques.

A autorização para o saque de Mazano é datada de 16 de junho de 2004. A data do documento relativo à ordem de pagamento para Marques não está completamente legível, mas parece ser de um dia antes: 15 de junho de 2004.

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