Crianças são alvos de violência na capital

Pelo menos 100 casos de violência são registrados mensalmente nos cinco Conselhos Tutelares da capital.

O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h44

SÃO LUÍS - Pelo menos 100 casos de violência contra crianças e adolescentes são registrados mensalmente nos cinco Conselhos Tutelares existentes em São Luís. Esta semana, cinco casos foram registrados no Conselho Tutelar da Cidade Operária, dentre eles o da menor que teve as duas mãos queimadas pela própria mãe, na Vila Vitória, na última terça-feira. Os outros casos também relacionam-se a agressão física.

De maio do ano passado a maio deste ano, o Conselho Tutelar do Centro, localizado na rua Isaac Martins, registrou 70 casos de violência física. Com relação à violência psicológica, o número chegou a 66 casos. Os relativos a negligência somaram 83 e abuso sexual, 9. Ao todo, foram 229 casos no período de um ano. A média de registros por conselho é de 20 por mês.

Nesta quarta-feira, as conselheiras foram surpreendidas pela chegada da menor C.S, de 14 anos de idade, que fugiu de uma residência localizada no Maiobão e acabou indo parar lá. A menina estava trabalhando como empregada doméstica e apanhava da patroa, conhecida como Branca. C. S é natural de Coroatá e quando chegou à capital permaneceu na casa de uma tia, na Vila Vitória, e em seguida foi morar com Branca e o marido, ficando encarregada também de tomar conta de um bebê de um ano. “Ela me batia porque me dava muito serviço para fazer ao mesmo tempo e eu não estava dando conta de tudo. Agora, o que mais quero é voltar para a minha família”, disse a menina.

A garota revelou também que não sabe ler nem escrever e quando veio para São Luís pensava que iria receber salário e estudar, pois os patrões prometeram matriculá-la numa escola. De acordo com a conselheira Elivânia Estrela, as providências para o caso começaram a ser tomadas ontem. Foi lavrado auto de infração, com registro do ocorrido na delegacia. Os pais da menina deverão ser identificados, bem como os responsáveis por ela na capital. “Iremos conversar com a suposta patroa da menina e providenciaremos para que seja levada de volta ao município de origem”, disse a conselheira.

A conselheira Rose Ferreira informou que casos dessa natureza acontecem com muita freqüência, sendo cerca de 20 por mês. Ela citou casos como o do menor A.S, vítima de violência doméstica pela madrinha, de M. F. e Talita, cuja mãe ainda queria vendê-las por meio de um intermediário residente em Barreirinhas, dentre outros. “Já houve casos horríveis, como o de um pai que obrigou o filho a beber um papeiro de açúcar derretido e o menino perdeu o esôfago e parte do estômago. Isso tudo acontece freqüentemente e muitas vezes a sociedade se fecha para isso e não denuncia. Mas precisa denunciar”, disse Rose Ferreira.

O crime cometido contra a garota que teve as mãos queimadas pela mãe, no entanto, foi um dos que mais chocou a equipe de conselheiras. Ontem, O Estado esteve no Socorrão II, onde a menina está recebendo cuidados e a encontrou em uma maca em um dos corredores do hospital por falta de leito. De acordo com Nestor Almeida, diretor-médico da unidade, a vítima foi submetida a uma limpeza cirúrgica e agora aguarda para ter alta. As mãos queimadas estão enfaixadas. Órgãos como Polícia Civil e Ministério Público estão cuidando do caso.

Número para denúncias

Conselhos Tutelares

Centro: 3214-1074 / 9609-7321

Itaqui-Bacanga: 3214-3213/3214-3212 / 9981-1118

Cidade Operária: 3214-8590/3214-8591/9609-1115

Coroadinho: 3214-3210/3214-3211/9963-2223

Vila Luizão: 3214-3214 / 3214-3215

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