Petrobras descarta novo aumento da gasolina

Juliana Rangel - Globo Online

Atualizada em 27/03/2022 às 14h56

RIO - A diferença entre os preços do petróleo no mercado internacional e no Brasil não está afetando os resultados da Petrobras. A empresa teve um lucro líquido de R$ 5,488 bilhões no terceiro trimestre deste ano, cifra 2% superior à do mesmo período de 2003 e 43% maior que a do segundo trimestre de 2004. Questionado se o resultado poderia ter sido maior caso a Petrobras tivesse feito o repasse, o diretor Financeiro de Relações com Investidores, José Sérgio Gabrielli, disse ser necessário considerar o impacto da medida sobre o consumo interno e descartou um novo reajuste no curto prazo.

- Não achamos adequado do ponto de vista econômico transferir para o Brasil toda a volatilidade internacional. Temos 85% das vendas no mercado brasileiro e nos interessa a manutenção da saúde do mercado doméstico - afirmou.

Gabrielli admitiu que houve uma redução de margens na unidade de Abastecimento da companhia, mas disse que esse resultado foi compensado por um aumento dos ganhos do segmento de exploração e produção, que pratica os preços do mercado internacional.

O balanço mostra uma queda de 82% no lucro da área de Abastecimento da companhia, que passou de R$ 1,526 bilhão no terceiro trimestre de 2003 para R$ 273 milhões no período de julho a setembro deste ano. A área engloba os negócios de refino da empresa. Já a área de E&P viu seus resultados saltarem de R$ 3,230 bilhões para R$ 5,728 bilhões, com aumento de 77%.

- O importante é o efeito final destes resultados para a companhia - disse.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, no entanto, a Petrobras teve uma redução de 10% em seu lucro líquido, que passou de R$ 14,774 bilhões para R$ 13,295 bilhões. O diretor da Petrobras justifica a queda com as variações cambiais do período. No ano passado, quando a valorização do real foi maior, a empresa teve um ganho contábil de R$ 1,456 bilhão. Neste ano, o ganho foi de apenas R$ 342 milhões.

- Houve uma mudança na situação cambial mais intensa em 2003 que nas variações de 2004. Além disso, tivemos uma queda na produção de petróleo e, conseqüentemente, o aumento das importações, principalmente em função da recuperação do consumo no mercado interno, o que impactou nos nossos custos. Apesar disto, mantivemos um lucro robusto - explicou.

O volume total de vendas no mercado interno cresceu 7% em um ano, de 1,831 milhão de barris no terceiro trimestre de 2003 para 1,960 milhão de barris de julho a setembro deste ano. Durante o período, o uso da capacidade nominal das refinarias foi de 86%. Apesar do aumento no consumo, a produção de petróleo e LGN recuou de 1,727 milhão de barris em 2003 para 1,692 milhão na mesma comparação.

Em função disto, a empresa teve que elevar suas importações totais em 29%, de 576 mil barris diários para 742 mil barris diários.

A receita operacional líquida da companhia foi de R$ 29,075 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 23,798 bilhões em igual período do ano anterior (+22%). No acumulado do ano, a receita operacional líquida aumentou 11%, de R$ 71,791 para R$ 79,510.

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a distribuição de remuneração aos acionistas de R$ 3,290 bilhões, sob a forma de juros sob capital próprio. O valor corresponde a R$ 3 por ação ordinária e preferencial e será pago até 15 de fevereiro. Os recursos destinados à remuneração dos acionistas foi provisionado nos resultados do terceiro trimestre, divulgados nesta sexta-feira.

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