RIO - A iminência de uma guerra entre os Estados Unidos e o Iraque vai provocar uma redução nos investimentos previstos pela Petrobras para este ano. O presidente da companhia, José Eduardo Dutra, explicou que a redução — que será discutida pela diretoria na próxima semana — vai atingir somente os investimentos feitos com captações externas.
A Petrobras previa investir este ano US$ 7 bilhões, dos quais cerca de US$ 3 bilhões seriam captados no exterior. Devido ao agravamento das tensões no Oriente Médio, o mercado financeiro internacional se retraiu, tornando mais difíceis os pedidos de empréstimos.
— Os investimentos em reais não serão afetados. O problema é a captação externa — explicou Dutra.
Muitos projetos da Petrobras, principalmente os de produção de petróleo, utilizam recursos obtidos com empréstimos em bancos ou agências de fomento no exterior. As parcerias de exploração com empresas estrangeiras devem se manter, já que as próprias multinacionais dão garantias aos empréstimos. Dutra afirmou, contudo, que na reavaliação dos investimentos, caso algum projeto prioritário seja afetado, haverá um remanejamento de recursos para evitar atrasos na meta de atingir a auto-suficiência em 2005, com a produção de 1,9 milhão de barris diários.
Na próxima quarta-feira, será revisado o Plano Estratégico da companhia. O plano, que fixa metas até 2005, será ampliado até 2007. O presidente disse que, a princípio, a meta de atingir a auto-suficiência em 2005 com uma produção de 1,9 milhão de barris está mantida, mas, diante da atual turbulência no mercado internacional, poderá ser adiada para o ano seguinte.
Dutra acredita que a atual política de equiparar os preços dos combustíveis aos preços internacionais pode ser mantida, ainda que essa política seja motivo de críticas dentro do Ministério das Minas e Energia e não tenha consenso dentro do governo. Ele diz que, se a guerra acontecer (e a política atual for mantida), a Petrobras será beneficiada. Ele garantiu, contudo, que no momento não está se cogitando reajustar de novo os preços nas refinarias. Ainda assim, o cenário é incerto:
— Se não houver guerra, mas o petróleo se mantiver no patamar atual, com certeza seremos obrigados a aumentar os preços — afirmou Dutra.
Amanhã, os preços dos combustíveis sobem nas bombas por causa da revisão do ICMS.
A Petrobras pretende encomendar até julho próximo mais duas plataformas, a P-53 e a P-54, para os campos de Marlim Sul e Roncador, na Bacia de Campos. Essas encomendas, segundo Dutra, representarão investimentos da ordem de US$ 800 milhões. Essas novas encomendas, assim como as que serão feitas para a P-51 e a P-52, contemplarão a participação da indústria nacional.
Ao enfatizar que dentro de duas semanas será definida como vai ser a participação da indústria nacional nas licitações das plataformas P-51 e P-52, Dutra afirmou que estão sendo consideradas várias possibilidades. Uma alternativa seria fixar um percentual máximo de participação da indústria local, de 40% ou 60%. Outra alternativa em estudo é exigir do grupo vencedor que determinados componentes dos projetos sejam comprados no país.
O executivo acredita que a fixação de índices de componentes nacionais nas licitações não vai elevar os custos, porque, segundo ele, a indústria nacional tem condições de competir.
— Vamos encontrar um caminho que possibilite que a empresa nacional participe, mas levando em consideração os serviços que essas empresas têm condições de oferecer de maneira competitiva — afirmou.
A Petrobras pretende decidir até o próximo ano se vai participar da construção de uma nova refinaria no país. Segundo Dutra, o déficit estimado pela Petrobras para o fim da década é da ordem de 150 mil barris diários de combustíveis e não de 800 mil barris, como concluiu a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Entre outras coisas, o déficit será menor porque a estatal vai ampliar em mais 200 mil barris por dia a atual capacidade de suas refinarias.
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