Lula reafirma estar preparado para ser presidente do Brasil

O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 15h28

RIO DE JANEIRO - O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem que a cada dia, mais perto do desfecho das eleições, “aumenta o fardo nas nossas costas”.

Em discurso para uma platéia de cerca de três mil artistas, na casa de espetáculos Canecão, na zona sul do Rio, ele disse estar “certo de que o fardo será pesado se o governante entrar numa redoma de vidro e achar que pode governar sozinho. Mas se o repartirmos com milhões de brasileiros, terá o peso de uma pena”.

Lula declarou não ter dúvida de que está preparado para governar, mas que as mudanças que propõe “não serão num passe de mágica, em um mês ou um ano”.

Bem-humorado, Lula disse estar nervoso por falar a um grupo de pessoas famosas, “gente que vejo na televisão”. Ele disse ter ficado lisonjeado ao ler recentemente em um jornal que ganharia as eleições na Academia Brasileira de Letras (ABL). “Isso é para fazer justiça a quem a fundou, Machado de Assis, que assim como eu também não tinha os diplomas.”

O petista voltou a citar as cobranças sobre a sua formação educacional ao questionar: “Imagina se as exigências para fazer alguma coisa no País fossem as que imaginam alguns candidatos. O que seria do Aleijadinho?” Ele finalizou seu pronunciamento citando uma frase do grupo Titãs, segundo ele mesmo lembrou. “O povo não quer só comida, mas comida, emprego, diversão e arte.”

ARTISTAS - Pelo menos 2.500 pessoas - entre artistas, intelectuais e militantes petistas - participaram ontem do lançamento do programa para a área de cultura do candidato do PT à Presidência. Numa série de shows no Canecão, casa de eventos na zona sul do Rio, Lula anunciou o programa e foi homenageado com vários depoimentos de personalidades, entre eles, os do arquiteto Oscar Niemeyer e do cantor Herbert Viana, ambos exibidos no telão e muito aplaudidos pela platéia.

No novo programa apresentado ontem, o PT propõe mudar o modelo de financiamento à cultura por meio de incentivos fiscais.

O longo projeto de mudanças para o setor foi elaborado a partir de propostas defendidas em debates organizados por secretários de Cultura e artistas em vários Estados brasileiros. “Quero destacar um dos pontos mais importantes desse programa, que é a proposta de instalação de uma Agência Nacional de Cinema”, elogiou o cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos oradores do evento no Canecão.

A programação começou por volta das 16h, com a apresentação de um vídeo de Lula e um show de chorinho. Lula, que aguardava no camarim, juntou-se à platéia às 17h15 para assistir os depoimentos. Várias equipes do programa de televisão de Lula gravaram depoimentos que serão usados nos próximos programas, enquanto os artistas abanavam estrelinhas de papel e cantavam os jingles de campanha. Na platéia, estavam reunidos, entre outros, os cantores Samuel Rosa, Zélia Duncan, Alcione, Beth Carvalho e Fernanda Abreu, as atrizes Ioná Magalhães, Maria Padilha e Alessandra Negrini, a socialite Vera Loyola, além de surpresas como o deputado federal Bispo Rodrigues (PL).

DIFICULDADES - O cantor Gilberto Gil, um dos primeiros a falar, pediu que os artistas não façam cobranças a Lula, se ele for vitorioso. Segundo Gil, o petista encontrará muitas dificuldades no início do mandato e terá da classe artística “o apoio entusiasmado e uma crítica sincera”. Gil agradou a platéia quando resumiu o futuro que imagina depois da eleição de Lula. “Será a mão faltando um dedo de um lado e a mão invisível do mercado com dedos multiplicados de outro.”

O primeiro artista a falar no palco sobre medo da vitória de Lula foi o baterista Marcelo Yuka, líder do grupo O Rappa, paraplégico desde que foi baleado durante um assalto. “Não tenho medo. Quem tiver medo tem medo do próprio País”, disse o músico. Em seguida, o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), reforçou, dizendo que não há motivo para medo de um governo Lula. A pedido do próprio PT, os artistas evitaram fazer de seus pronunciamentos ataques à atriz Regina Duarte.

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