A pouco mais de uma semana do 2º turno da eleição presidencial, o ministro da Saúde, Barjas Negri, desembarcou ontem em São Luís para assinar com 79 prefeituras protocolos que prevêem a liberação de cerca de R$ 30 milhões destinados a saneamento básico.
O ato, que privilegiou deputados federais do PSDB, foi interpretado por parlamentares de outros partidos como uma tentativa de ajudar o candidato tucano José Serra, que está muito atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, nas intenções de voto no Maranhão. O ministro não informou o Governo do Estado acerca dos protocolos, o que provocou reação dura por parte do gerente de Qualidade de Vida, Abdon Murad.
Barjas Negri, braço direito e sucessor de José Serra no cargo, comandou pessoalmente a solenidade no auditório quase vazio da Fiema. Deputados federais do PFL que compareceram denunciaram o cunho político da ação do ministro e protestaram contra o que consideraram desrespeito à bancada federal e ao Governo do Estado.
Os deputados Pedro Fernandes e Paulo Marinho retiraram-se do auditório em sinal de protesto. Eles declararam-se surpreso com o episódio e levantaram até a hipótese de se tratar de abuso de poder econômico em favor do candidato do governo.
O ministro Barjas Negri nunca esteve no Maranhão e sua presença, ontem, provocou suspeitas de favorecimento a José Serra.
O governo estadual, que não foi avisado do evento, não enviou representante e considerou que a liberação dos recursos somente para alguns municípios, a noventa dias do término do governo, foi um ato político em represália ao apoio do governador José Reinaldo Tavares à candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva para favorecer poucos prefeitos do PSDB e tentar atrair prefeitos de outros partidos com oferta de verbas.
“Eles não fizeram nenhum comunicado oficial ao governo estadual e isso foi uma tremenda falta de respeito. Além disso, não houve a liberação dos recursos que havíamos acordado anteriormente para financiar o maior projeto de saneamento básico do estado, que foi brutalmente discriminado pelo Ministério da Saúde. Acredito que essa solenidade é uma represália aos posicionamentos que temos adotado na campanha eleitoral para presidente e um inventário do Governo Federal com seus correligionários”, afirmou o gerente de Qualidade de Vida, Abdon Murad, em entrevista à Rádio Mirante AM.
DESRESPEITO - O clima tenso da reunião aumentou quando da composição da mesa. O cerimonial do Ministério da Saúde convocou apenas o deputado federal João Castelo (PSDB), além do presidente nacional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Mauro Ricardo Machado Costa, para sentar-se ao lado do ministro Barjas Negri. Os dois deputados do PFL, Pedro Fernandes e Paulo Marinho, reagiram e se retiraram do auditório, classificando a atitude de “desrespeito”. Com a saída dos dois parlamentares pefelistas, a assinatura se tornou um ato exclusivo do PSDB.
O deputado Pedro Fernandes afirmou que a organização do evento cometeu uma descortesia com todos os outros deputados federais da bancada maranhense. “Não existem deputados de primeira e segunda classe. Ou se convidava todos ou se colocava todos os deputados presentes na primeira fila. Isso foi uma descortesia com deputados que ajudaram na criação dos fundos que se destinam a iniciativas como essas. Não reconheço a autoridade ou a excelência do deputado João Castelo, que por acaso é do partido do ministro, para representar a bancada federal maranhense”, protestou Pedro Fernandes.
CAMPANHA - Já o deputado Paulo Marinho levantou a suspeita de que a vinda do ministro ao Maranhão seria parte da campanha do candidato do PSDB José Serra no estado. “Os recursos foram conseguidos pela bancada maranhense através de emendas ao Orçamento da União e não poderiam ser usados assim, às vésperas de uma eleição. Podemos até configurar isso como abuso de poder econômico do presidente Fernando Henrique Cardoso, que está fazendo inventário político, distribuindo dinheiro do povo à caça de votos para José Serra. Aqui no Maranhão, não. Essa é uma forma feia de fazer política”, afirmou o deputado.
Em discurso, o deputado João Castelo tentou justificar o convite para compor a mesa afirmando que seria um representante legítimo da bancada federal maranhense. “Eu fui o deputado mais votado destas eleições e me sinto honrado em representar a bancada maranhense nessa solenidade. Esse é um momento importante para o estado do Maranhão porque estamos abrindo a possibilidade de levar o saneamento básico ao interior do estado”, declarou o parlamentar tucano.
Bancada- O líder do PFL na Câmara Federal, deputado César Bandeira, afirmou ontem que a bancada maranhense do partido não vai mais votar com o governo este ano. “Sempre votamos com o Governo Federal. Mas o que vimos ontem foi uma manobra política para apoiar, às vésperas da eleição, uma campanha eleitoral para presidente da República que não decolou no estado. Foram sete anos e meio de bons relacionamentos que acabaram por causa da atitude desse ministro que é pequeno até na estatura. Foi muita falta de ética política”, afirmou o deputado federal, referindo à solenidade promovida pelo Ministério da Saúde e ao candidato a presidente do PSDB, José Serra.
Bandeira também falou que os recursos foram reservados para o projeto Alvorada por causa das emendas que os parlamentares maranhenses apresentaram ao Orçamento da União. “Há algumas pessoas tentando passar a idéia de que esses recursos não foram conseguidos pela bancada maranhense. Mas essa verba resultou de um esforço conjunto de toda a bancada. Ninguém é dono desses recursos”, comentou.
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