FHC diz que não cabe ao presidente julgar o resultado das eleições, mas respeitar

Agência Brasil

Atualizada em 27/03/2022 às 15h29

O presidente Fernando Henrique Cardoso preferiu não comemorar o resultado das eleições de domingo, apesar do candidato do governo à sucessão presidencial, José Serra, ter chegado ao segundo turno. Ele optou por fazer apenas uma avaliação de todo o panorama político brasileiro após a votação e deixou de lado o espírito de euforia. "O resultado aí está. Não cabe ao presidente da República julgar, senão respeitar resultados eleitorais. Vamos ter um segundo turno", disse, em pronunciamento no Palácio da Alvorada.

O fato de não querer emitir juízo de valor sobre a corrida presidencial não fez, entretanto, com que o presidente deixasse de considerar positiva a primeira eleição totalmente informatizada do país, ainda que o primeiro turno tenha sido marcado por longas filas na hora da votação. "Eu acho que o exemplo do povo brasileiro votando como votou - um outro problema, uma outra demora é quase nada comparados com o passado - realmente foi um êxito muito grande, não só do Tribunal Superior Eleitoral, o fato de que conseguimos efetivamente implementar esse sistema de voto eletrônico", disse.

A distribuição dos partidos nas eleições deste ano para a Câmara dos Deputados e o Senado reflete, na opinião do presidente, o fim do monopólio de partidos e a diversidade que marcam hoje a democracia brasileira. No Senado, ele avaliou que haverá uma distribuição razoável entre vários partidos e os que na atual legislatura não tiveram grande representação, ganharão mais cadeiras. "Partidos que tinham menor expressão eleitoral e, portanto, menor representação no Senado, que é uma Casa importante, vão ganhar mais representação", disse.

Na Câmara, Fernando Henrique disse que ainda é cedo para analisar a composição dos partidos, mas ressaltou que, provavelmente, a Casa vai repetir o quadro de diversidade registrado no Senado. "Nós sabemos que no caso brasileiro essa diversidade não se restringe à questão das siglas partidárias, porque na mesma sigla há tendências e muitas vezes as pessoas infelizmente mudam de sigla com muita velocidade. (...) É preciso ver quais são realmente os compromissos que essas pessoas têm nas várias siglas", afirmou.

Fernando Henrique comemorou o fato de todos os líderes do Governo no Congresso e

ex-ministros terem sido eleitos. Ele lamentou, apenas, o fato do senador Arthur da Távola (PSDB) não ter conseguido a reeleição para o Senado, pelo Rio de Janeiro. O eleitorado fluminense escolheu Sérgio Cabral Filho, do PMDB, e Marcelo Crivella, do PL, para ocuparem as duas vagas do estado no Senado.

Outra comemoração foi com a derrota de alguns caciques políticos em razão de terem seus nomes envolvidos em denúncias de corrupção. Entre eles, o presidente comentou a derrota de Paulo Maluf, do PPB, e Orestes Quércia, do PMDB, ambos de São Paulo, e de Fernando Collor de Mello, do PRTB, em Alagoas. "É extraordinário. Se há algo que tenho satisfação é de que, no meu estilo de governar, pouco a pouco as forças oligárquicas perderam a força no Brasil", afirmou.

Por outro lado, o presidente questionou a aproximação de alguns destes políticos com o candidato do PT à Presidência, Luís Inácio Lula da Silva. "Agora vejo forças oligárquicas correrem para o Lula tentando sobreviver, o que me parece contraditório", afirmou no mesmo dia em que Antônio Carlos Magalhães, eleito senador pela Bahia, declarou seu voto para Lula no segundo turno. Antonio Carlos Magalhães renunciou ao mandato no ano passado por envolvimento no escândalo da violação do painel eletrônico do Senado, para não ser cassado e perder os direitos políticos por oito anos.

Fernando Henrique criticou o sistema de eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados. Para ele, o ideal seria que a escolha de deputados federais obedecesse ao sistema distrital misto, mas reconheceu que este é um tema de difícil alteração. O exemplo das distorções que o atual sistema pode causar está na eleição "conjugada" de seis deputados federais paulistas pelo Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona).

O presidente do partido, Enéas Carneiro, foi o candidato com o maior número de votos de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com mais de 1,5 milhão de votos. Com isso, os demais candidatos do partido foram eleitos. "Esse é um exemplo claro, escandaloso de distorção. Creio que seja uma anomalia. A anomalia é, ao votar para protestar, carregar mais quatro ou cinco", disse.

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