Suspeita de fraude

Justiça suspende três concursos públicos de São José de Ribamar

Com suspeitas de fraudes, a Justiça suspende três concursos em São José de Ribamar. Edital de 2026 registrou notas atípicas e cartões-resposta iguais.

Ipolítica

- Atualizada em 09/10/2026 às 13h32
Justiça suspende três concursos de São José de Ribamar após suspeitas de irregularidades apontadas pelo Ministério Público.
Justiça suspende três concursos de São José de Ribamar após suspeitas de irregularidades apontadas pelo Ministério Público. (Prefeitura de São José de Ribamar)

SÃO JOSÉ DE RIBAMAR – A Justiça suspendeu os três concursos públicos realizados pelo Município de São José de Ribamar, no Maranhão, após pedido do Ministério Público estadual. A decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís interrompe todas as etapas dos certames previstos nos editais nº 1, nº 2 e nº 3 de 2026, organizados pelo Instituto Social da Cidadania Juscelino Kubitschek.

A medida foi determinada pelo juiz Douglas de Melo Martins diante de indícios de possíveis irregularidades na aplicação das provas. A suspensão abrange etapas como avaliação de títulos, testes de aptidão física, exames, homologações, convocações e posses, até decisão final do processo.

A decisão é provisória e pode ser revista durante a tramitação da ação.

Suspeitas de irregularidades nos concursos

O Ministério Público apontou possíveis falhas na aplicação e na fiscalização das provas. Entre os problemas relatados estão cartões-resposta entregues sem lacre, marcações impressas sobre alternativas corretas e falhas no controle da quantidade de cadernos de questões distribuídos entre salas.

Também foram identificadas fragilidades na fiscalização e na saída de materiais de prova. As ocorrências motivaram a solicitação de apuração policial perante a Polícia Civil.

Segundo o inquérito civil, a análise dos resultados revelou padrões estatísticos considerados atípicos, com concentração de candidatos aprovados nas primeiras colocações ligados ao Município de Itapecuru-Mirim.

Entre os casos citados estão o de um ex-vice-prefeito aprovado em segundo lugar, com 100% de aproveitamento, e o de candidatas com parentesco direto com agentes políticos.

Banca reconheceu coincidências em cartões-resposta

Um relatório técnico circunstanciado elaborado pelo próprio Instituto responsável pelos concursos registrou notas elevadas consideradas desproporcionais e cartões-resposta rigorosamente coincidentes entre candidatos que disputavam os mesmos cargos.

De acordo com o documento, as coincidências envolviam tanto as respostas corretas quanto as incorretas.

Ao analisar os elementos apresentados, o juiz considerou que há dúvidas fundamentadas sobre o cumprimento dos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade, isonomia e eficiência na realização dos certames.

Justiça determina preservação das provas

Além de suspender os concursos, a decisão determinou que o Município e o Instituto preservem todas as provas documentais e digitais sob sua guarda ou responsabilidade.

Ficam proibidas alterações, descarte, destruição ou inutilização dos materiais, sob pena de responsabilização civil e criminal.

Segundo o juiz, a continuidade das etapas poderia gerar novas relações jurídicas e expectativas de direito, aumentando a insegurança caso os concursos fossem posteriormente anulados.

A decisão também considera o risco de perda, extravio ou alteração de documentos e arquivos eletrônicos, como cartões-resposta originais, listas, atas e bancos de dados. A preservação desse material é necessária para eventuais análises técnicas, estatísticas e criminais.

Para Douglas de Melo Martins, os elementos reunidos ultrapassam o campo das suspeitas sem fundamento e justificam a adoção de uma medida preventiva enquanto o caso é investigado.

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