Investigação

Justiça mantém prisão preventiva de pastor investigado por abusos sexuais

Polícia Civil apura denúncias de violência física, psicológica e crimes sexuais em igreja de Paço do Lumiar.

Imirante.com

Atualizada em 19/04/2026 às 19h55
Caso envolve denúncias de castigos físicos, punições psicológicas e exploração de fiéis vulneráveis
Caso envolve denúncias de castigos físicos, punições psicológicas e exploração de fiéis vulneráveis (Foto: Reprodução/TV Mirante)

PAÇO DO LUMIAR – A Justiça manteve a prisão preventiva do pastor David Gonçalves Silva, investigado por suspeita de comandar um sistema de castigos físicos e punições psicológicas contra fiéis em uma igreja localizada em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. A decisão foi tomada após audiência de custódia realizada nesse sábado (18).

Prisão e andamento das investigações

O pastor foi preso na sexta-feira (17), durante a operação “Falso Profeta”, conduzida pela Polícia Civil do Maranhão. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ele será encaminhado a uma unidade prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso é investigado pela Delegacia Especial de Paço do Lumiar e está na fase de coleta de depoimentos de vítimas e testemunhas. A corporação destacou ainda que novas informações serão divulgadas oportunamente, para não comprometer o andamento das investigações.

Denúncias e crimes investigados

O pastor é suspeito de utilizar a igreja Shekinah House Church para aplicar punições físicas e psicológicas contra fiéis. Ele é investigado por crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

De acordo com o delegado Sidney Oliveira, titular da delegacia responsável pelo caso, a investigação teve duração de cerca de dois anos e começou após denúncias feitas por ex-fiéis. Até o momento, entre cinco e seis vítimas já foram identificadas.

A partir do depoimento de uma das vítimas, outras pessoas foram localizadas e ouvidas, inclusive nos estados do Pará e do Ceará.

Relatos de vítimas

Segundo os depoimentos, a igreja mantinha um sistema organizado de punições físicas e psicológicas. Uma das vítimas relatou que chegou ao local aos 13 anos, em situação de vulnerabilidade, buscando ajuda, mas acabou sendo submetida a abusos.

“Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico”, afirmou.

Outro relato aponta que as punições eram usadas como forma de controle e coerção: “Se a gente não fizesse o que ele queria, a gente era punido. Ele deixava a gente de canto, fazia a gente ficar sem comer, fazia a gente apanhar se a gente não fizesse o desejo dele”.

Sistema de punições

De acordo com a polícia, o sistema ajudava o pastor a manter controle sobre cerca de 100 a 150 fiéis por vários anos, muitos deles em situação de extrema vulnerabilidade.

Entre os castigos descritos está o chamado “readas”, que consistia em chicotadas com um reio, instrumento geralmente usado em cavalos. As punições eram aplicadas quando regras internas eram descumpridas ou ordens do líder religioso não eram seguidas.

Mensagens atribuídas ao pastor indicam que ele determinava diretamente os castigos, com ordens como “readas geral” e definição da quantidade de golpes. Em um dos casos, quatro vítimas relataram ter recebido entre 15 e 25 chicotadas cada.

Além disso, áudios obtidos durante a investigação apontam a privação de comida como forma de punição. Em uma das gravações, o pastor afirma: “Até resolver a situação da bomba, estão sem comer”.

As investigações também indicam que os fiéis eram chamados de “piões” e o local onde dormiam era denominado “baia”. Segundo a polícia, as agressões físicas e psicológicas também eram utilizadas como forma de pressão para a prática de abusos sexuais.

Defesa e situação do caso

Em nota, a defesa do pastor informou que não pode se manifestar neste momento, pois ainda não teve acesso aos autos da investigação.

O inquérito segue em andamento, com a continuidade da coleta de provas e depoimentos para esclarecer os fatos e subsidiar o processo judicial.

 

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