FRANÇA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que nunca foi esquerdista durante uma conversa informal com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, durante a cúpula do G7. O diálogo foi captado pela transmissão oficial do evento e repercutiu nesta quarta-feira (17).
Durante a conversa, Lula explicou aspectos da política brasileira e comentou sua trajetória sindical antes de chegar à Presidência da República.
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“Eu nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a UGT da Espanha”, afirmou.
Conversa sobre política
A declaração ocorreu após Kristalina Georgieva comentar que havia a expectativa de que Lula adotasse uma postura mais à esquerda quando foi eleito pela primeira vez.
Em resposta, o presidente relatou experiências vividas durante sua atuação no movimento sindical e lembrou uma viagem à Europa nos anos 1980, período em que buscou apoio internacional após ser condenado com base na Lei de Segurança Nacional.
Segundo Lula, a situação fez com que ele fosse visto por alguns setores como anticomunista, provocando risos entre os participantes da conversa.
Antes do comentário sobre posicionamento ideológico, Lula também explicou o funcionamento das urnas eletrônicas brasileiras e defendeu o sistema eleitoral adotado pelo país.
Trump comenta Brasil
Ainda durante a cúpula, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter conversado com Lula e classificou o Brasil como um país “politicamente difícil”.
Questionado por jornalistas sobre o encontro, Trump confirmou o contato com o presidente brasileiro, mas não detalhou os assuntos tratados.
O norte-americano também comentou o cenário político brasileiro e fez referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a seus filhos, chegando a confundir Eduardo Bolsonaro com Flávio Bolsonaro durante a entrevista.
Defesa das urnas eletrônicas
Após as declarações de Trump, Lula respondeu às críticas em entrevista à imprensa.
O presidente afirmou que o republicano deveria conhecer melhor o sistema eleitoral brasileiro e voltou a defender a segurança das urnas eletrônicas.
“Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez que encontrar Trump, vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, disse.
Lula também afirmou que não há, neste momento, previsão de reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, uma vez que os dois países mantêm negociações diplomáticas em andamento sobre temas econômicos e comerciais.
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