Irã e EUA

Presidente do Irã diz que país não é inimigo do povo dos EUA

Em carta aberta, líder iraniano afirma que país não nutre inimizade contra americanos e critica ações dos EUA e aliados no conflito

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Presidente do Irã afirma que país não é inimigo do povo dos EUA e critica ações americanas em carta aberta publicada nesta semana.
Presidente do Irã afirma que país não é inimigo do povo dos EUA e critica ações americanas em carta aberta publicada nesta semana. (Reprodução/Wikimedia Commons)

IRà– O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não nutre inimizade contra o povo norte-americano, em meio ao cenário de tensão envolvendo Irã e Estados Unidos.

A declaração foi feita em uma carta aberta publicada nesta quarta-feira (1º), nas redes sociais.

Carta direcionada ao povo americano

No texto, destinado ao “povo dos Estados Unidos da América” e a todos que buscam a verdade, o presidente iraniano afirmou que a população do país distingue governos de seus povos.

“Os iranianos sempre traçaram uma distinção clara entre governos e os povos que eles governam”, escreveu.

Críticas à presença militar dos EUA

Pezeshkian afirmou que os Estados Unidos mantêm forte presença militar ao redor do Irã e classificou essa atuação como uma ameaça.

Segundo ele, o país nunca iniciou guerras, mas reforça sua capacidade defensiva diante desse cenário.

“O que o Irã fez, e continua a fazer, é uma resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa”, afirmou.

Histórico de Irã e Estados Unidos

O presidente também relembrou episódios históricos que contribuíram para o desgaste nas relações entre Irã e Estados Unidos, como o golpe de 1953 contra o então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, com apoio dos EUA e do Reino Unido.

Segundo ele, o episódio comprometeu o processo democrático iraniano e gerou desconfiança duradoura em relação às políticas americanas.

Impactos das sanções e da guerra

Na carta, Pezeshkian reconheceu que sanções econômicas e conflitos tiveram impacto direto sobre a população iraniana, mas afirmou que o país se fortaleceu após a Revolução Islâmica.

Ele citou avanços em áreas como educação, tecnologia, saúde e infraestrutura.

“A continuidade da agressão militar e os bombardeios recentes afetam profundamente a vida das pessoas”, afirmou.

Questionamentos sobre o conflito

O presidente iraniano questionou se os interesses do povo americano estão sendo atendidos com a guerra e criticou ataques a estruturas civis.

Ele mencionou bombardeios a instalações de saúde e levantou dúvidas sobre a justificativa das ações militares.

Críticas a Israel

Pezeshkian também sugeriu que os Estados Unidos estariam sendo influenciados por Israel no conflito.

Segundo ele, o país aliado buscaria desviar a atenção internacional de suas ações na região.

“Não é evidente que Israel pretende lutar contra o Irã até o último soldado americano?”, questionou.

Um mês de guerra

Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, sem perspectiva concreta de cessar-fogo.

O conflito já deixou autoridades iranianas mortas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.

A crise também levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% dos carregamentos globais de petróleo, impactando os preços internacionais.

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