Ataques de Israel e EUA atingem assembleia que escolherá novo líder supremo do Irã
Bombardeio em Qom atinge órgão responsável por eleger novo líder supremo e aprofunda instabilidade política no Irã.
TEERÃ, IRÃ – Ataques à Assembleia dos Peritos, atribuídos a Israel e aos Estados Unidos, atingiram nesta terça-feira (3) o prédio do órgão responsável por eleger o novo líder supremo do Irã, segundo relatos da imprensa local. Imagens divulgadas pela mídia iraniana mostram o edifício com danos severos após os bombardeios.
A ofensiva ocorre dias após a morte do líder supremo, Ali Khamenei, confirmada no sábado em meio a ataques realizados por forças americanas e israelenses.
Ainda não há confirmação oficial sobre quantos membros estavam no prédio no momento do bombardeio. Uma fonte da Defesa de Israel informou que a Força Aérea israelense atingiu um edifício na cidade de Qom onde altos clérigos estariam reunidos para discutir a sucessão.
O que é a Assembleia dos Peritos
A Assembleia dos Peritos é composta por 88 membros e tem como principal função eleger e supervisionar o líder supremo da República Islâmica. Trata-se de uma das instituições mais estratégicas do sistema político iraniano.
O ataque ao órgão ocorre em um momento crítico, com o país enfrentando:
Transição de liderança após a morte de Khamenei;
Conflito militar direto com Israel e Estados Unidos;
Crescente pressão interna e externa sobre o regime.
A ofensiva contra o local onde estaria ocorrendo a discussão sobre o novo líder amplia a incerteza política.
Situação de Mojtaba Khamenei
Sem mencionar diretamente o bombardeio, veículos iranianos afirmaram que Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e apontado como possível sucessor, “está em plena saúde”.
A agência Mehr informou que Mojtaba acompanha “questões relacionadas às famílias dos mártires, a condução dos assuntos e consultas sobre temas importantes do país”.
Nos últimos anos, ele vinha sendo citado por analistas como um dos nomes mais fortes na disputa pela sucessão.
Bombardeios atingem família de Khamenei
O escritório e a residência oficial de Ali Khamenei foram bombardeados nas primeiras horas do conflito. A mídia iraniana informou que Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, esposa do líder supremo, morreu após permanecer três dias em coma.
No mesmo ataque, também teriam sido mortos:
Zahra Haddad Adel, esposa de Mojtaba Khamenei;
Uma filha e um genro de Ali Khamenei;
Um neto do líder supremo.
As informações foram divulgadas por veículos estatais iranianos.
Estratégia de enfraquecimento do regime
Além dos ataques à Assembleia dos Peritos, forças americanas e israelenses vêm atingindo delegacias, centros de detenção e escritórios de inteligência do Irã.
Analistas ouvidos pelo jornal norte-americano The New York Times avaliam que a estratégia pode buscar desarticular a estrutura de segurança do regime.
Farzin Nadimi, analista do Washington Institute for Near East Policy, afirmou que o objetivo parece ser “desmantelar a máquina operacional do regime”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificaram a ofensiva como uma “oportunidade histórica” para que os iranianos derrubem o governo.
Alvos incluem forças de repressão
Segundo as Forças de Defesa de Israel, os ataques também miraram estruturas ligadas à repressão interna.
Entre os alvos estaria a Basij, milícia paramilitar associada à Guarda Revolucionária Islâmica e estimada em cerca de um milhão de integrantes. O grupo teve papel central na repressão a protestos nacionais recentes.
O Exército israelense divulgou imagens de um ataque contra o quartel-general da unidade Thar-Allah, da Guarda Revolucionária, em Teerã.
Vídeos verificados por veículos internacionais mostram escombros próximos a delegacias na região central da capital iraniana.
Risco de vítimas civis
Grande parte do sistema de segurança iraniano está inserido em áreas urbanas densamente povoadas. Especialistas alertam que ataques a esses locais elevam o risco de mortes de civis.
Ativistas de direitos humanos também demonstraram preocupação com detentos mantidos em centros de segurança que vêm sendo atingidos.
Ainda não está claro se a estratégia militar incentivará protestos internos contra o regime ou reforçará o controle estatal em meio à escalada do conflito.
A sequência de ataques à Assembleia dos Peritos e a outros centros estratégicos aprofunda a instabilidade política e militar no Irã, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos da crise no Oriente Médio.
Saiba Mais
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.