88 aiatolás presentes

Ataques de Israel e EUA atingem assembleia que escolherá novo líder supremo do Irã

Bombardeio em Qom atinge órgão responsável por eleger novo líder supremo e aprofunda instabilidade política no Irã.

Ipolítica, com informações de O Globo e agências internacionais

Atualizada em 04/03/2026 às 23h59
Ataques de Israel e EUA atingem a Assembleia dos Peritos após a morte de Ali Khamenei.
Ataques de Israel e EUA atingem a Assembleia dos Peritos após a morte de Ali Khamenei. (Foto: Reprodução/g1)

TEERÃ, IRÃ – Ataques à Assembleia dos Peritos, atribuídos a Israel e aos Estados Unidos, atingiram nesta terça-feira (3) o prédio do órgão responsável por eleger o novo líder supremo do Irã, segundo relatos da imprensa local. Imagens divulgadas pela mídia iraniana mostram o edifício com danos severos após os bombardeios.

A ofensiva ocorre dias após a morte do líder supremo, Ali Khamenei, confirmada no sábado em meio a ataques realizados por forças americanas e israelenses.

Ainda não há confirmação oficial sobre quantos membros estavam no prédio no momento do bombardeio. Uma fonte da Defesa de Israel informou que a Força Aérea israelense atingiu um edifício na cidade de Qom onde altos clérigos estariam reunidos para discutir a sucessão.

O que é a Assembleia dos Peritos

A Assembleia dos Peritos é composta por 88 membros e tem como principal função eleger e supervisionar o líder supremo da República Islâmica. Trata-se de uma das instituições mais estratégicas do sistema político iraniano.

O ataque ao órgão ocorre em um momento crítico, com o país enfrentando:

Transição de liderança após a morte de Khamenei;

Conflito militar direto com Israel e Estados Unidos;

Crescente pressão interna e externa sobre o regime.

A ofensiva contra o local onde estaria ocorrendo a discussão sobre o novo líder amplia a incerteza política.

Situação de Mojtaba Khamenei

Sem mencionar diretamente o bombardeio, veículos iranianos afirmaram que Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e apontado como possível sucessor, “está em plena saúde”.

A agência Mehr informou que Mojtaba acompanha “questões relacionadas às famílias dos mártires, a condução dos assuntos e consultas sobre temas importantes do país”.

Nos últimos anos, ele vinha sendo citado por analistas como um dos nomes mais fortes na disputa pela sucessão.

Bombardeios atingem família de Khamenei

O escritório e a residência oficial de Ali Khamenei foram bombardeados nas primeiras horas do conflito. A mídia iraniana informou que Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, esposa do líder supremo, morreu após permanecer três dias em coma.

No mesmo ataque, também teriam sido mortos:

Zahra Haddad Adel, esposa de Mojtaba Khamenei;

Uma filha e um genro de Ali Khamenei;

Um neto do líder supremo.

As informações foram divulgadas por veículos estatais iranianos.

Estratégia de enfraquecimento do regime

Além dos ataques à Assembleia dos Peritos, forças americanas e israelenses vêm atingindo delegacias, centros de detenção e escritórios de inteligência do Irã.

Analistas ouvidos pelo jornal norte-americano The New York Times avaliam que a estratégia pode buscar desarticular a estrutura de segurança do regime.

Farzin Nadimi, analista do Washington Institute for Near East Policy, afirmou que o objetivo parece ser “desmantelar a máquina operacional do regime”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificaram a ofensiva como uma “oportunidade histórica” para que os iranianos derrubem o governo.

Alvos incluem forças de repressão

Segundo as Forças de Defesa de Israel, os ataques também miraram estruturas ligadas à repressão interna.

Entre os alvos estaria a Basij, milícia paramilitar associada à Guarda Revolucionária Islâmica e estimada em cerca de um milhão de integrantes. O grupo teve papel central na repressão a protestos nacionais recentes.

O Exército israelense divulgou imagens de um ataque contra o quartel-general da unidade Thar-Allah, da Guarda Revolucionária, em Teerã.

Vídeos verificados por veículos internacionais mostram escombros próximos a delegacias na região central da capital iraniana.

Risco de vítimas civis

Grande parte do sistema de segurança iraniano está inserido em áreas urbanas densamente povoadas. Especialistas alertam que ataques a esses locais elevam o risco de mortes de civis.

Ativistas de direitos humanos também demonstraram preocupação com detentos mantidos em centros de segurança que vêm sendo atingidos.

Ainda não está claro se a estratégia militar incentivará protestos internos contra o regime ou reforçará o controle estatal em meio à escalada do conflito.

A sequência de ataques à Assembleia dos Peritos e a outros centros estratégicos aprofunda a instabilidade política e militar no Irã, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos da crise no Oriente Médio.

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