Atentado mata quatro israelenses e golpeia esforços pela paz

Reuters

Atualizada em 27/03/2022 às 15h19

GAZA - Três grupos radicais palestinos se uniram num raro atentado suicida neste domingo, que matou quatro soldados israelenses e desafiou abertamente as promessas de paz feitas pelo premier Mahmoud Abbas a Israel e aos EUA. Três homens, integrantes do Hamas, da Jihad Islâmica e das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, atacaram um posto de controle do Exército de Israel em Erez, localizado entre Israel e a Faixa de Gaza. Os três terroristas foram mortos por soldados judeus.

O ataque foi realizado horas depois de cinco grupos radicais palestinos terem se reunido na Faixa de Gaza e endossado a posição do Hamas,, que prometeu rejeitar os esforços de Abbas para conseguir um cessar-fogo com Israel. Estavam presentes ao encontro, realizado na noite de sábado, o Hamas, a Jihad Islâmica, a Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP), a Frente Democrática para a Libertação da Palestina e a Fatah - grupo político de Abbas e do líder Yasser Arafat.

Com o ataque, os radicais provam que dificilmente as promessas feitas por Abbas na cúpula com George W. Bush e Ariel Sharon em Aqaba, na Jordânia, sairão do papel ou da boa-vontade do premier palestino. Os participantes do encontro, realizados na última quarta-feira, endossaram o mapa da paz, o plano apoiado por EUA e aliados, que prevê o fim da violência em troca da criação de um Estado palestino até 2005.

- Hoje, o sangue dos palestinos diz que estamos unificados na trincheira da resistência - disse Abelaziz al-Rantissi, um dos líderes do Hamasl. - A guerra dos israelenses contra o terrorismo continuará até que a ocupação termine.

Abbas respondeu pedindo a retomada das conversas por um cessar-fogo. Ele disse querer evitar o confronto armado com grupos radicais, que segundo o mapa da paz devem ser desarmados e desmobilizados.

- Talvez a declaração de Aqaba tenha sido mal-interpretada. Achamos que o diálogo é o único caminho para alcançar nosso objetivo. Através do diálogo, queremos atingir a calma, não a guerra civil - disse Abbas em Ramallah, na Cisjordânia.

O ataque deste domingo em Gaza foi o primeiro realizado por radicais contra israelenses desde a cúpula de Aqaba. O major-general Doron Almog, chefe do comando militar sul de Israel, chamou o atentado conjunto de incomum. Um vídeo divulgado pelo Hamas, pela Jihad Islâmica e pelas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa mostrava os três terroristas sentados numa mesa com granadas de mão, rifles de assalto e o Alcorão.

- Juramos por Deus e pela nossa resistência, que nossa guerra santa continuará até o fim da ocupação - disse um dos três, identificado como Musa Sahweil, das brigadas, facção armada do grupo político Fatah, do líder palestino Yasser Arafat.

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