Empresa maranhense conquista mercado internacional com exportação de bexiga natatória de pescado
Com suporte do Sebrae para atender exigências sanitárias, negócio liderado pelo empresário Geanilton Fernandes alcança faturamento mensal de R$ 600 mil e já prepara o envio de seu terceiro lote à Ásia.
MARANHÃO - Um produto pouco conhecido na mesa dos brasileiros abre novas oportunidades para a indústria pesqueira do Maranhão. A Kauan Pescados, sediada em São José de Ribamar, tornou-se a primeira empresa do estado autorizada a exportar bexiga natatória, estrutura que garante a flutuabilidade dos peixes e atinge alta cotação na Ásia para a gastronomia e a indústria de cosméticos.
Com a regularização sanitária concluída, a fábrica liderada pelo empresário Geanilton Fernandes alcança faturamento mensal de R$ 600 mil e já prepara o envio de sua terceira remessa internacional.
A iniciativa representa um novo momento para o empreendimento, que durante anos comercializou a matéria-prima por meio de compradores e intermediários de outros estados. Esse salto produtivo contou com o apoio do Sebrae, que atuou na readequação da fábrica e na preparação técnica da gestão para lidar com normas internacionais de controle.
Para Geanilton Fernandes, a conquista abre perspectivas não apenas para a empresa, mas também para a cadeia produtiva da pesca no estado. “Foi justamente com o apoio do Sebrae que conseguimos desenvolver a indústria. Para nós, é muito prazeroso ter hoje a primeira indústria legalizada no estado do Maranhão para esse tipo de exportação”, destaca o proprietário.
Mercado internacional
Conhecida popularmente no setor como “grude”, a bexiga natatória é um órgão interno dos peixes que, após ser retirado, limpo e desidratado, ganha status de matéria-prima nobre. Na China e em nações vizinhas, o produto entra na receita de sopas tradicionais de alto valor nutritivo e abastece a indústria de dermocosméticos e cuidados pessoais. O preço por quilo oscila conforme o tamanho, a espécie e a qualidade da secagem, chegando a milhares de reais por quilo em determinadas categorias.
De acordo com o empresário, a pescada-amarela, encontrada no litoral maranhense, é uma das espécies que apresentam potencial para esse mercado. A qualidade do produto regional é apontada por ele como um diferencial competitivo para ampliar as oportunidades comerciais.
“A pescada-amarela é um peixe brasileiro, encontrado principalmente na nossa região. A bexiga natatória dessa espécie tem uma qualidade muito boa e é bastante valorizada no mercado internacional. Nós queremos aproveitar esse potencial do litoral maranhense para levar nosso produto diretamente a outros países”, destaca Geanilton Fernandes.
Da experiência à indústria regularizada
A trajetória do empresário no segmento começou há cerca de 15 anos, quando aprendeu com um tio o processo de secagem da bexiga natatória. A experiência prática despertou o interesse pela compra e comercialização do produto, atividade que o levou a atuar como comprador no Maranhão e a conhecer de perto o potencial da produção pesqueira local.
Durante esse período, parte da matéria-prima maranhense era comercializada por meio de empresas de outros estados, especialmente do Pará, que concentravam operações de exportação. A ausência de uma indústria local devidamente habilitada limitava a participação direta dos empreendedores maranhenses nesse mercado.
“Esse é um ramo que tem muito potencial no Maranhão, porque nós temos uma grande produção de pescado e uma matéria-prima de qualidade. Durante muito tempo, esse produto saía do nosso estado para ser comercializado por empresas de fora. Hoje, estamos mostrando que o Maranhão também pode processar, agregar valor e exportar sua própria produção, gerando novas oportunidades para quem trabalha nessa cadeia”, destaca Geanilton Fernandes.
A empresa está instalada em São José de Ribamar há aproximadamente oito anos, mas a obtenção da autorização para exportar ocorreu somente após um processo de adequação às exigências necessárias. A conquista permite que o empreendimento avance na comercialização internacional de um produto extraído da própria cadeia pesqueira do estado.
Novas oportunidades para o pescado maranhense
Além da exportação da bexiga natatória, a Kauan Pescados pretende ampliar a atuação na comercialização da carne de pescado no mercado interno. A proposta é aproveitar a estrutura industrial regularizada para desenvolver novos canais de venda e aproximar a produção local de consumidores, estabelecimentos comerciais e outros compradores.
A iniciativa pode abrir oportunidades para pescadores, fornecedores e demais participantes da cadeia produtiva, desde que acompanhada da estrutura necessária para processamento, conservação, transporte e comercialização dos produtos.
O empresário também chama a atenção para os desafios logísticos enfrentados por quem deseja exportar a partir do Maranhão. Segundo ele, a disponibilidade de serviços e procedimentos de fiscalização e liberação de cargas compatíveis com as exigências sanitárias e aduaneiras é um dos fatores que influenciam a escolha das rotas de transporte. Atualmente, a empresa utiliza a logística de outros estados para viabilizar parte das operações.
“Nós temos o produto, temos a indústria e estamos buscando ampliar nossos mercados, mas ainda enfrentamos dificuldades para exportar diretamente do Maranhão. Precisamos avançar na logística e ter a estrutura necessária para que as cargas saiam daqui com mais facilidade. Isso não beneficia apenas a nossa empresa, mas toda a cadeia produtiva, porque abre espaço para os pescadores e outros empreendedores maranhenses comercializarem seus produtos e gerarem renda aqui no estado”, afirma o empresário.
A ampliação das alternativas de transporte e a articulação entre empresas e instituições públicas são apontadas como caminhos para facilitar o acesso de outros negócios maranhenses ao mercado internacional.
Para o proprietário, a conquista da autorização representa uma etapa importante, mas não encerra os planos de expansão. A intenção é diversificar os produtos comercializados, ampliar as exportações e contribuir para que o Maranhão aproveite melhor o potencial econômico de sua atividade pesqueira.
“Eu acredito que a persistência fez com que chegássemos aonde chegamos hoje. Foram oito anos de muita luta até conseguirmos essa autorização. A mensagem para outros empreendedores é não desistir, continuar avançando e acreditar que é possível crescer”, afirma.
Apoio ao empreendedor
“O Sebrae acompanha a Kauan Pescados há cerca de sete anos, com apoio em diferentes etapas do desenvolvimento da empresa. Nesse período, o empreendimento participou de soluções do Sebraetec voltadas tanto à adequação da estrutura física da indústria quanto à melhoria dos processos relacionados à comercialização e à exportação do produto. Nosso papel é contribuir para que o empreendedor esteja preparado para atender às exigências do mercado e aproveitar novas oportunidades”, detalha Vicente Bastos, gerente da Unidade Metropolitana do Sebrae .
A partir de 2027, o foco do trabalho técnico será diversificar a carteira de produtos e prospectar compradores em polos como Japão e Coreia do Sul. “Queremos apoiar esse processo de expansão para que a empresa diversifique seus produtos e alcance novos compradores. Isso também pode gerar oportunidades para toda a cadeia produtiva da pesca maranhense”, conclui o gerente.
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