Empreendedorismo

Empresa maranhense conquista mercado internacional com exportação de bexiga natatória de pescado

Com suporte do Sebrae para atender exigências sanitárias, negócio liderado pelo empresário Geanilton Fernandes alcança faturamento mensal de R$ 600 mil e já prepara o envio de seu terceiro lote à Ásia.

Imirante.com

- Atualizada em 04/11/2026 às 17h53
A trajetória do empresário no segmento começou há cerca de 15 anos, quando aprendeu com um tio o processo de secagem da bexiga natatória.
A trajetória do empresário no segmento começou há cerca de 15 anos, quando aprendeu com um tio o processo de secagem da bexiga natatória. (Foto: arquivo pessoal)

MARANHÃO - Um produto pouco conhecido na mesa dos brasileiros abre novas oportunidades para a indústria pesqueira do Maranhão. A Kauan Pescados, sediada em São José de Ribamar, tornou-se a primeira empresa do estado autorizada a exportar bexiga natatória, estrutura que garante a flutuabilidade dos peixes e atinge alta cotação na Ásia para a gastronomia e a indústria de cosméticos.

Com a regularização sanitária concluída, a fábrica liderada pelo empresário Geanilton Fernandes alcança faturamento mensal de R$ 600 mil e já prepara o envio de sua terceira remessa internacional.

A iniciativa representa um novo momento para o empreendimento, que durante anos comercializou a matéria-prima por meio de compradores e intermediários de outros estados. Esse salto produtivo contou com o apoio do Sebrae, que atuou na readequação da fábrica e na preparação técnica da gestão para lidar com normas internacionais de controle.

Para Geanilton Fernandes, a conquista abre perspectivas não apenas para a empresa, mas também para a cadeia produtiva da pesca no estado. “Foi justamente com o apoio do Sebrae que conseguimos desenvolver a indústria. Para nós, é muito prazeroso ter hoje a primeira indústria legalizada no estado do Maranhão para esse tipo de exportação”, destaca o proprietário.

Mercado internacional

Conhecida popularmente no setor como “grude”, a bexiga natatória é um órgão interno dos peixes que, após ser retirado, limpo e desidratado, ganha status de matéria-prima nobre. Na China e em nações vizinhas, o produto entra na receita de sopas tradicionais de alto valor nutritivo e abastece a indústria de dermocosméticos e cuidados pessoais. O preço por quilo oscila conforme o tamanho, a espécie e a qualidade da secagem, chegando a milhares de reais por quilo em determinadas categorias.

De acordo com o empresário, a pescada-amarela, encontrada no litoral maranhense, é uma das espécies que apresentam potencial para esse mercado. A qualidade do produto regional é apontada por ele como um diferencial competitivo para ampliar as oportunidades comerciais.

“A pescada-amarela é um peixe brasileiro, encontrado principalmente na nossa região. A bexiga natatória dessa espécie tem uma qualidade muito boa e é bastante valorizada no mercado internacional. Nós queremos aproveitar esse potencial do litoral maranhense para levar nosso produto diretamente a outros países”, destaca Geanilton Fernandes.

Da experiência à indústria regularizada

A trajetória do empresário no segmento começou há cerca de 15 anos, quando aprendeu com um tio o processo de secagem da bexiga natatória. A experiência prática despertou o interesse pela compra e comercialização do produto, atividade que o levou a atuar como comprador no Maranhão e a conhecer de perto o potencial da produção pesqueira local.

Durante esse período, parte da matéria-prima maranhense era comercializada por meio de empresas de outros estados, especialmente do Pará, que concentravam operações de exportação. A ausência de uma indústria local devidamente habilitada limitava a participação direta dos empreendedores maranhenses nesse mercado.

“Esse é um ramo que tem muito potencial no Maranhão, porque nós temos uma grande produção de pescado e uma matéria-prima de qualidade. Durante muito tempo, esse produto saía do nosso estado para ser comercializado por empresas de fora. Hoje, estamos mostrando que o Maranhão também pode processar, agregar valor e exportar sua própria produção, gerando novas oportunidades para quem trabalha nessa cadeia”, destaca Geanilton Fernandes.

A empresa está instalada em São José de Ribamar há aproximadamente oito anos, mas a obtenção da autorização para exportar ocorreu somente após um processo de adequação às exigências necessárias. A conquista permite que o empreendimento avance na comercialização internacional de um produto extraído da própria cadeia pesqueira do estado.

Novas oportunidades para o pescado maranhense

Além da exportação da bexiga natatória, a Kauan Pescados pretende ampliar a atuação na comercialização da carne de pescado no mercado interno. A proposta é aproveitar a estrutura industrial regularizada para desenvolver novos canais de venda e aproximar a produção local de consumidores, estabelecimentos comerciais e outros compradores.

A iniciativa pode abrir oportunidades para pescadores, fornecedores e demais participantes da cadeia produtiva, desde que acompanhada da estrutura necessária para processamento, conservação, transporte e comercialização dos produtos.

O empresário também chama a atenção para os desafios logísticos enfrentados por quem deseja exportar a partir do Maranhão. Segundo ele, a disponibilidade de serviços e procedimentos de fiscalização e liberação de cargas compatíveis com as exigências sanitárias e aduaneiras é um dos fatores que influenciam a escolha das rotas de transporte. Atualmente, a empresa utiliza a logística de outros estados para viabilizar parte das operações.

“Nós temos o produto, temos a indústria e estamos buscando ampliar nossos mercados, mas ainda enfrentamos dificuldades para exportar diretamente do Maranhão. Precisamos avançar na logística e ter a estrutura necessária para que as cargas saiam daqui com mais facilidade. Isso não beneficia apenas a nossa empresa, mas toda a cadeia produtiva, porque abre espaço para os pescadores e outros empreendedores maranhenses comercializarem seus produtos e gerarem renda aqui no estado”, afirma o empresário.

A ampliação das alternativas de transporte e a articulação entre empresas e instituições públicas são apontadas como caminhos para facilitar o acesso de outros negócios maranhenses ao mercado internacional.

Para o proprietário, a conquista da autorização representa uma etapa importante, mas não encerra os planos de expansão. A intenção é diversificar os produtos comercializados, ampliar as exportações e contribuir para que o Maranhão aproveite melhor o potencial econômico de sua atividade pesqueira.

“Eu acredito que a persistência fez com que chegássemos aonde chegamos hoje. Foram oito anos de muita luta até conseguirmos essa autorização. A mensagem para outros empreendedores é não desistir, continuar avançando e acreditar que é possível crescer”, afirma.

Apoio ao empreendedor 

“O Sebrae acompanha a Kauan Pescados há cerca de sete anos, com apoio em diferentes etapas do desenvolvimento da empresa. Nesse período, o empreendimento participou de soluções do Sebraetec voltadas tanto à adequação da estrutura física da indústria quanto à melhoria dos processos relacionados à comercialização e à exportação do produto. Nosso papel é contribuir para que o empreendedor esteja preparado para atender às exigências do mercado e aproveitar novas oportunidades”, detalha Vicente Bastos, gerente da Unidade Metropolitana do Sebrae .

A partir de 2027, o foco do trabalho técnico será diversificar a carteira de produtos e prospectar compradores em polos como Japão e Coreia do Sul. “Queremos apoiar esse processo de expansão para que a empresa diversifique seus produtos e alcance novos compradores. Isso também pode gerar oportunidades para toda a cadeia produtiva da pesca maranhense”, conclui o gerente.

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