VÍDEO: jovem que morreu aguardando transferência hospitalar é sepultado no MA; família detalha como foi atendimento
Jemerson Felipe, de 28 anos, foi sepultado nesse sábado (12), em Bequimão; familiar afirma que ele começou a apresentar sintomas poucos dias antes da internação.
MARANHÃO - O jovem Jemerson Felipe Rodrigues Pereira, de 28 anos, que morreu enquanto aguardava uma tentativa de transferência hospitalar para São Luís, foi sepultado nesse sábado (12), em Bequimão, na Baixada Maranhense. Abalada com a situação, a família do jovem detalhou a sequência dos acontecimentos que levaram à morte ele, e afirmou que ele não sofria com nenhuma doença crônica. Entretanto, começou a apresentar sintomas respiratórios poucos dias antes de ser internado.
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Jemerson estava no Hospital Municipal Lídia Martins, em Bequimão, e precisava ser transferido para a capital após exames apontarem alterações cardíacas. Durante o deslocamento, entretanto, a ambulância que o transportava enfrentou uma espera por ferryboat de cerca de três horas no Terminal do Cujupe, aguardando uma embarcação para fazer a travessia até São Luís na madrugada da última sexta-feira (11). Após não conseguir embarcar, Jemerson retornou para Bequimão e, em seguida, foi transferido para Pinheiro, onde não resistiu e veio a óbito.
Em entrevista ao Imirante.com, a jovem Andressa Luanna, prima de Jemerson Felipe, detalhou qual era o quadro de saúde do jovem, e como foi a sequência de atendimentos que o jovem recebeu, desde Bequimão até a ida para o município de Pinheiro, também na Baixada Maranhense.
Sintomas começaram recentemente
Segundo a família, Jemerson não tinha histórico de doença crônica. Os primeiros sintomas teriam surgido recentemente. “O Felipe deu entrada no hospital na quinta-feira de madrugada, por volta de uma hora da manhã, com uma tosse muito forte e um cansaço, com falta de ar. […] ele tinha saído com os amigos e aí, estava tossindo muito e começou a ficar com falta de ar, retornou para casa, deitou. Quando foi por volta de uma hora da manhã, ele não aguentou a falta de ar, estava tossindo muito, foi até o quarto da irmã dele e pediu para que ela levasse ele para o hospital”, conta Andressa.
Ainda de acordo com a prima, Jemerson Felipe havia procurado atendimento menos de um mês antes por causa de sintomas semelhantes. Além disso, ele também tinha no histórico um episódio de pneumonia.
Exames apontaram alterações no coração
Já no Hospital Lídia Martins, em Bequimão, cidade natal de Jemerson Felipe, foram solicitados exames de sangue. A família também apresentou ao médico um raio-X feito anteriormente, porque, segundo o relato, o equipamento para realização de um novo exame não estava funcionando naquele momento.
A prima de Jemerson Felipe afirma que o exame anterior mostrou alterações nos pulmões e que o médico percebeu que o coração aparentava estar maior do que o esperado. Diante disso, foi solicitado um eletrocardiograma.
“Quando eles deram entrada no hospital por volta de uma hora da manhã o médico solicitou alguns exames de sangue, 17 exames de sangue, para que fosse feito pela manhã, passou uma medicação que era para ele ficar internado e aguardar pela manhã a coleta para fazer os exames de sangue", explicou.
Para a família, o problema, no entanto, começou pela demora na realização dos exames solicitados e na falta de equipamento para fazer um novo Raio-X. A família levou ao hospital um outro exame de Raio-X que o jovem havia feito há menos de um mês antes, para que o médico da unidade pudesse olhar, diante da impossibilidade de fazer um novo. “O médico, quando olhou o Raio-X, falou que haviam algumas manchas no pulmão e que aparentemente o coração dele estava parecendo um pouco maior. Então, quando ele olhou, ele automaticamente pediu um eletrocardiograma”, disse Andressa.
A demora na realização dos exames para a obtenção de um diagnóstico, para Andressa, foi um dos fatores que contribuiu para que seu primo não conseguisse ser transferido com mais rapidez para a capital do estado.
“Quando o resultado do eletrocardiograma saiu o médico solicitou a transferência dele com urgência pra São Luís. Só que aí é que começa a nossa luta, porque a demora no eletrocardiograma foi muito grande. O médico solicitou esse exame de manhã e o eletrocardiograma foi feito duas horas da tarde. Então se tivesse sido feito pela manhã, como ele solicitou, Felipe talvez tivesse viajado meio-dia", lamenta.
Ambulância chegou ao Cujupe antes do horário previsto para a travessia
Conforme o relato da família, havia apenas uma ambulância naquele momento, porém ela estava em São Luís e foi necessário aguardar o retorno do veículo da capital para a baixada para transportar Jemerson. O jovem deixou Bequimão por volta das 17h50 e chegou ao Terminal do Cujupe aproximadamente às 18h20. Segundo a prima, a família esperava que a ambulância conseguisse embarcar no ferryboat previsto para 18h50. A travessia, porém, não teria ocorrido naquele horário.
De acordo com os relatos, a permanência no terminal se prolongou até aproximadamente 20h30. Durante esse período, Jemerson teria apresentado uma piora significativa. “O Felipe se desesperou com medo de não dar tempo de chegar até em São Luís, e nesse momento que ele se desesperou ele começou a passar ainda mais mal, a saturação dele desceu muito rápido então a ambulância teve que voltar com ele para Bequimão com urgência para poder fazer medicação novamente e trocar os balões de oxigênio que já não eram mais suficientes", relata.
Jovem foi transferido para Pinheiro
Diante da piora, a ambulância retornou para Bequimão. Segundo a família, Jemerson recebeu atendimento novamente antes de ser encaminhado para Pinheiro. A chegada ao Hospital Regional Dr. Antenor Abreu, em Pinheiro, ocorreu por volta das 23h, segundo a prima. Nesse momento, o quadro já era considerado grave.
“Ele já estava muito debilitado, a assistente social chamou a minha tia que estava com ele para informar que o Felipe seria entubado pelo estado dele que era muito grave”, afirma. Posteriormente, Jemerson teria sofrido cinco paradas cardíacas.
Ainda segundo Andressa, a família chegou a questionar a possibilidade de uma transferência aérea para São Luís, mas recebeu da equipe médica a informação de que o estado de saúde de Jemerson já era considerado grave demais para suportar o deslocamento.
Sepultamento
Jemerson Felipe foi sepultado nesse sábado (12), em Bequimão. Familiares e amigos participaram da despedida do jovem, que tinha 28 anos. A morte ocorreu na madrugada de sexta-feira (11), em Pinheiro, após a sequência de atendimentos e transferências iniciada ainda na madrugada de quinta-feira (10).
Após a repercussão do caso, o governador Carlos Brandão afirmou que o governo iria apurar o que aconteceu e anunciou uma reunião com prefeitos da Baixada Maranhense, empresas e secretarias estaduais envolvidas no serviço de ferryboat para este domingo (13). Entre as medidas citadas por ele estão a melhoria da comunicação entre terminais e hospitais e a exigência do cumprimento dos horários e da programação das viagens.
Leia a nota na íntegra:
Atenção 🚨 Convocamos reunião para domingo (13) com todos os prefeitos da Baixada Maranhense, empresas e secretarias de Estado que operam no serviço de ferryboat. O ferry São Miguel será incorporado nos próximos dias, e em breve teremos também o ferry São Rafael.
Estamos apurando o caso do Jemerson Felipe, de 28 anos, que faleceu nesta sexta (11), em Pinheiro, para tomar as medidas cabíveis. Meus sentimentos aos familiares e amigos. Também vamos melhorar a comunicação direta entre os terminais e os hospitais, exigir o cumprimento dos horários e da programação das viagens, entre outras medidas emergenciais. Nosso compromisso maior é com a vida.
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