Crianças desaparecidas

Família de crianças desaparecidas ainda não foi notificada de informações da Polícia Federal

Advogada que representa a mãe de Ágatha Isabelly e Allan Michael emitiu nota sobre as atualizações do caso.

Imirante.com

- Atualizada em 09/09/2026 às 22h39
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, estão desaparecidos há oito meses.
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, estão desaparecidos há oito meses. (Reprodução)

MARANHÃO - A advogada Nathaly Moraes, que representa a família das crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidas há oito meses em Bacabal, disse que ainda não recebeu uma notificação formal da Polícia Federal sobre as informações repassadas a respeito da Operação Statewide Shield, que combate o tráfico humano nos Estados Unidos. 

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Em nota divulgada à imprensa nesta quarta-feira (9), a PF esclareceu que, segundo informações das autoridades norte-americanas, nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas recentemente no estado da Flórida.

"O pessoal está me perguntando se é verdadeira essa informação a respeito que a Polícia Federal teria informado ao delegado-geral da Polícia Civil aqui do Maranhão que não foi encontrada nenhuma criança brasileira. Se for verdade, não repassaram para nós até o momento. Então esqueceram de nos avisar, porque nós não recebemos nenhuma notificação formal, nenhuma informação, nem vinda da Polícia Federal, tampouco da Polícia Civil. Se forem verdadeiras essas informações que estão pela mídia, para nós até o presente momento não chegaram. Nós vamos continuar procurando até encontrar, vamos movimentar tudo o que for possível, mas ninguém para enquanto essas crianças não forem encontradas ou quando nós tivermos uma resposta clara. Essa informação não foi oficiada para nós. Vamos continuar até encontrar", afirmou a advogada em vídeo publicado nas redes sociais.

Logo após o vídeo, a advogada da família de Ágatha Isabelly e Allan Michael divulgou uma nota oficial sobre os desdobramentos do caso, onde fala da situação das investigações sobre as crianças desaparecidas que teriam sido localizadas nos Estados Unidos e ressalta a necessidade de uma resposta oficial e detalhada das autoridades (leia a nota na íntegra no final da matéria).

Pedido de inclusão na Interpol e coleta de DNA de crianças desaparecidas em Bacabal

A mãe das crianças desaparecidas, Clarice Cardoso, esteve na sede da Polícia Federal, em São Luís, acompanhada da advogada Nathaly Moraes, para solicitar o apoio internacional da Interpol. 

Durante a reunião, a família solicitou a inclusão dos nomes dos irmãos na Difusão Amarela da Interpol, um mecanismo de cooperação policial internacional utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas fora de seus países de origem. 

O pedido passará por análise da Diretoria de Cooperação Internacional da Polícia Federal antes de ser encaminhado à organização internacional. A PF ressaltou que não havia solicitações anteriores para a inclusão das crianças na lista.

Além do pedido de alerta internacional, o Setor Técnico-Científico da PF realizou a coleta do material genético de Clarice Cardoso. A amostra será enviada ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, para a elaboração do perfil genético, que integrará o Banco Nacional de Perfis Genéticos e ficará disponível para futuras comparações via Interpol. 

A coleta foi motivada por suspeitas da família a partir de fotografias de uma criança localizada nos EUA, cujas características físicas lembram as de Allan Michael. A mãe afirmou reconhecer traços do filho, mas ressaltou que a confirmação depende exclusivamente do exame genético.

Linhas de investigação e canais de denúncia

Enquanto o exame genético é aguardado para esclarecer a suspeita sobre o menino, a defesa da família informou que existe uma linha de investigação distinta e mantida em sigilo para verificar o paradeiro de Ágatha Isabelly em outro local.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, afirmou nas redes sociais que a articulação entre as forças policiais busca ampliar a cooperação internacional e assegurou que as diligências continuam. Qualquer informação sobre o paradeiro das crianças desaparecidas pode ser repassada de forma anônima por meio do Disque-Denúncia, no telefone 181.

Confira a nota da advogada da família das crianças desaparecidas em Bacabal:

Diante das informações divulgadas pelo Delegado-Geral de Polícia do Maranhão, no sentido de que a Polícia Federal teria informado não haver crianças brasileiras entre aquelas resgatadas nos Estados Unidos, esclarecemos que essa informação não foi oficialmente comunicada a nós.

Na data de hoje, comparecemos à sede da Polícia Federal para a realização dos procedimentos relacionados à coleta e comparação genética, com o objetivo de contribuir para a identificação das crianças e esclarecer, de forma técnica e definitiva, qualquer eventual correspondência.

Foi apresentado requerimento formal à Polícia Federal, ao qual aguardamos resposta oficial acerca das informações divulgadas e dos procedimentos de identificação realizados.

Enquanto não houver uma manifestação oficial da Polícia Federal dirigida a nós, acompanhada dos esclarecimentos necessários, não descartaremos nenhuma possibilidade de identificação.

Nosso compromisso permanece sendo com a verdade, com a busca pelas crianças e, sobretudo, com o direito das famílias de obterem respostas oficiais, claras e fundamentadas.

Reconhecemos a importância da imprensa nesse processo e agradecemos todo o apoio recebido. Sem a atuação e a repercussão da mídia, certamente não teríamos alcançado a dimensão que a busca exige.

Seguiremos acompanhando o caso com responsabilidade, cautela e firmeza, aguardando o pronunciamento oficial das autoridades competentes.

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