SEGURANÇA PÚBLICA

Justiça determina instalação de câmeras corporais em policiais no MA

Estado terá de apresentar plano de implementação dos equipamentos e priorizar unidades com maiores índices de letalidade policial.

Ipolítica

Atualizada em 15/06/2026 às 14h43
Justiça obriga o Maranhão a implantar câmeras corporais em policiais civis e militares e apresentar plano de execução.
Justiça obriga o Maranhão a implantar câmeras corporais em policiais civis e militares e apresentar plano de execução. (Foto: divulgação / Polícia Civil)

MARANHÃO – A Justiça do Maranhão determinou que o governo estadual apresente um plano para instalação de câmeras corporais com acionamento automático em policiais civis e militares durante os turnos de serviço. Após a entrega do cronograma, o Estado terá até 180 dias para implantar e colocar os equipamentos em funcionamento.

A decisão foi proferida pelo juiz Douglas de Melo Martins após ação civil pública ajuizada pela Defensoria Pública do Estado do Maranhão. A medida prevê que as câmeras corporais sejam priorizadas em unidades policiais com maior número de mortes decorrentes de ações policiais e em comunidades mais vulneráveis.

Segundo a sentença, a implantação das câmeras corporais busca ampliar a transparência das operações policiais, fortalecer os mecanismos de controle da atividade policial e garantir maior proteção aos direitos fundamentais da população.

Plano deverá detalhar implementação das câmeras corporais

De acordo com a decisão, o Estado deverá apresentar um plano contendo:

  • Cronograma para aquisição dos equipamentos;
  • Especificações técnicas que garantam gravação contínua;
  • Estratégia de armazenamento seguro das imagens;
  • Protocolos de preservação da cadeia de custódia das gravações;
  • Programa de capacitação técnica e ética dos agentes de segurança.

O magistrado também determinou a intimação da promotoria especializada no controle externo da atividade policial para acompanhar e fiscalizar o cumprimento de cada etapa da implementação.

Defensoria apontou letalidade policial e baixa apuração de denúncias

Na ação, a Defensoria Pública argumentou que a ausência de câmeras corporais contribui para violações dos direitos fundamentais à vida, à integridade física e à segurança pública.

Segundo os dados apresentados no processo, o Maranhão registra elevados índices de mortes em intervenções policiais e baixos índices de investigação de denúncias contra agentes de segurança.

Para a instituição, a utilização dos equipamentos pode contribuir para a produção de provas, aumentar a fiscalização das abordagens e garantir mais transparência nas ações das forças policiais.

Medida busca ampliar transparência das operações

A Defensoria sustenta que as câmeras corporais podem prevenir abusos de poder, proteger direitos fundamentais da população e oferecer maior segurança jurídica aos policiais que atuam dentro da legalidade.

Na decisão, o juiz Douglas de Melo Martins afirmou que a medida está alinhada aos princípios constitucionais da publicidade e da eficiência administrativa.

O dever de transparência ativa impõe que as ações praticadas por agentes públicos em nome do Estado sejam passíveis de fiscalização e controle social. A publicidade é o preceito geral, e o sigilo deve ser a exceção, conforme estabelece a Lei de Acesso à Informação”, destacou o magistrado.

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