Trabalho escravo

Maranhão tem quatro novos nomes incluídos na lista suja do trabalho escravo

Os casos foram registrados nos municípios de Barreirinhas, Benedito Leite, São Félix de Balsas e Açailândia.

Imirante.com

Fiscalizações incluem quatro empregadores do MA na lista de trabalho escravo.
Fiscalizações incluem quatro empregadores do MA na lista de trabalho escravo. (Foto: Divulgação / Secretaria de Inspeção do Trabalho)

MARANHÃO - Quatro empregadores do Maranhão foram incluídos na nova atualização do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. A lista foi divulgada pelo governo federal na segunda-feira (6) e reúne 169 novos nomes em todo o país.

No estado, os casos são resultado de fiscalizações realizadas em 2025 nos municípios de Barreirinhas, Benedito Leite, São Félix de Balsas e Açailândia. As ocorrências foram registradas em três propriedades rurais e em uma embarcação.

Trabalho escravo: quais são os novos casos no MA?

Os empregadores incluídos são:

  • Daniel Rufino dos Santos, responsável por embarcação fiscalizada em Barreirinhas;
  • Hilo Rocha Guimarães Junior, da Fazenda Lagoinha, em Benedito Leite;
  • Luis Martins de Sousa, da Fazenda Passarinho, em São Félix de Balsas; 
  • Silvio Donizeth Vaz dos Santos, da Fazenda Bom Jesus, em Açailândia.

Com as novas inclusões, o Maranhão passa a ter 36 empregadores na chamada “lista suja” do trabalho escravo, ocupando a 13ª posição entre os estados com mais registros.

MA soma 36 nomes na lista suja

A lista é atualizada duas vezes por ano pelo Ministério do Trabalho e inclui nomes após a conclusão de processos administrativos, quando não há mais possibilidade de recurso. Os empregadores permanecem no cadastro por dois anos e só são retirados se não houver reincidência e a situação for regularizada.

A inclusão ocorre quando são comprovadas práticas como trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes ou restrição de liberdade.

Durante as fiscalizações no Maranhão, foram identificadas diversas irregularidades. Entre elas, alojamentos precários ou inexistentes, falta de proteção contra sol e chuva, ausência de água potável e de instalações sanitárias adequadas.

Condições de trabalho inadequadas no Maranhão

Também foram constatadas condições inadequadas de alimentação, com refeições insuficientes ou mal armazenadas. Em alguns casos, os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas, sem descanso e sem equipamentos de proteção.

As equipes também identificaram violações de direitos básicos, como falta de registro em carteira, atraso ou não pagamento de salários e retenção de valores. Em algumas situações, houve resgate de trabalhadores.

Em todo o Brasil, a atualização elevou para cerca de 613 o número total de empregadores na lista. Entre os novos incluídos estão pessoas físicas e empresas, com predominância de casos nos setores de serviços domésticos, pecuária e cultivo de café.

Os registros mais recentes resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em condições de exploração. Já 225 empregadores foram retirados da lista após cumprirem o período de dois anos sem novas ocorrências.

Combate ao trabalho escravo

O cadastro é considerado uma das principais ferramentas de combate ao trabalho escravo contemporâneo no país. Além de dar transparência aos casos, a inclusão pode gerar restrições, como dificuldade de acesso a crédito e impedimentos em contratos com empresas que adotam critérios socioambientais.

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, plataforma do governo federal voltada ao recebimento desse tipo de ocorrência.

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