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SÃO LUÍS – O Maranhão em alerta: a baixa umidade relativa do ar coloca em estado de atenção algumas regiões do Estado. Com o tempo seco, aumenta a incidência de queimadas. De acordo com as observações feitas, por meio de satélite, pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no território maranhense já foram registrados, no mês de agosto, 3.618 queimadas. Ao longo de 2014, já foram 7.007 casos. A temporada teve início no mês de julho, com a redução do índice pluviométrico, quando foram registradas 2.068 focos de incêndio. Em uma janela de 16 anos de observações feitas pelo CPTEC/Inpe, o agosto mais crítico foi o de 2012, quando foram identificados 10.395 focos; no ano (também o mais crítico no intervalo), foram 31.594.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estado de atenção é caracterizado pela umidade relativa do ar entre 20% e 30%; o estado de alerta pela umidade do ar entre 12% e 20%; e o estado de emergência pela unidade abaixo de 12%. Nessa terça-feira (19), o índice alcançou os 20% em algumas cidades maranhenses, sobretudo localizadas na faixa centro-sul do Estado, conforme apontam os dados obtidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Com a falta de chuvas aumentam, também, os registros de internações por doenças respiratórias. Consultado pela reportagem do Imirante.com, o pneumologista Fabrício Valois esclarece, entretanto, que não há doenças causadas pelo tempo seco, mas, sim, são agravadas pelas condições. "Com o tempo seco, a gente perde uma proteção natural das vias aéreas, nariz e pulmões, que é a água, o líquido. O líquido é muito importante para limpar as vias aéreas, e na ausência do líquido, qualquer substância diferente que seja inalada – poeira ou fumaça – acaba agredindo, de forma intensa, tanto o nariz quando os pulmões. Neste período, é muito frequente, em relação ao sistema respiratório, que os indivíduos percebam coriza – que é a tentativa do nariz de produzir aquele líquido que não estava nas vias aéreas –, nariz entupido, coceira no nariz, tosse, irritação na garganta. Isso em relação ao sistema respiratório, mas não para por aí, não. A pele e os olhos ficam irritados também. O indivíduo pode ter, com mais facilidade, reações alérgicas na pele ou irritação ocular, parecido com uma conjuntivite. Isso pode acontecer pela falta da defesa natural da pele e das mucosas", explica – ouça a entrevista na íntegra.
Mais afetados
Os grupos mais afetados pelo tempo seco são as crianças, adultos com tendência alérgica e idosos. Os que têm tendência alérgica devem ter atenção redobrada neste período. Os pacientes com asma devem manter a doença muito bem tratada. Valois cita um estudo feito há 10 anos, pelo Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) que aponta a baixa umidade relativa do ar como principal fator meteorológico que se relaciona às crises de asma em São Luís, ainda que a variação do índice de umidade do ar seja considerada pequena na capital maranhense.
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Sem cura, asma requer cuidados especiais
Já as crianças e idosos merecem cuidados redobrados porque possuem condições específicas. "Essa população costuma ter sintomas que, habitualmente, são mais dramáticos: incomodam mais a estabilidade do organismo. A criança porque está se adaptando, ainda, a esse ambiente que ela não conhece e o idoso porque o funcionamento de alguns órgãos se deteriora com o passar do tempo, alguns órgãos não funcionam tão bem e isso pode dificultar o ajuste a esses sintomas", diz o médico.
Orientações
Para atravessar o período com maior tranquilidade e longe dos problemas respiratórios, o pneumologista recomenda a adoção de dois grupos de medidas. No primeiro grupo, está a umidificação das vias aéreas, com a ingestão de bastante líquido e uso de baldes com água – desde que posicionados em locais longe do alcance das crianças – ou aparelhos umidificadores nos ambientes. "Eu confesso que não gosto muito da toalha molhada porque, dependendo de como a pessoa fizer isso no dia a dia, ela vai deixar a toalha jogada na cabeceira da cama, umidifica a cabeceira da cama e pode aparecer mofo naquela região. Então, a toalha molhada, geralmente, eu acho que é bom evitar, a não ser que tenha outra forma de pendurar a toalha no quarto", orienta Valois.
E no segundo grupo, está a não exposição aos ambientes que agridem as vias aéreas, mantendo, por exemplo, a casa limpa e arejada, já que, nesta época, a poeira acumula com maior facilidade. O médico recomenda, ainda, evitar atividades físicas no período de 10h às 16h, quando a umidade do ar está mais baixa e as pessoas têm maior tendência a respirar pela boca. Com isso, o ar seco chega direto no pulmão.
A nebulização – mesmo que somente com soro fisiológico –, por sua vez, só é recomendada com orientação médica.
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