Maranhão

Sagrima cria Câmara Setorial de Floricultura

Imirante

Atualizada em 27/03/2022 às 12h50

SÃO LUÍS - A Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima) lançou a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Floricultura. A iniciativa vai incrementar a produção de flores no Maranhão, principalmente na área de maior plantio, localizada nos municípios da Ilha de São Luís.

De acordo com o secretário Afonso Ribeiro, o objetivo é reunir produtores e instituições públicas ligadas a esta atividade para que, juntos, possam discutir os entraves na produção e buscar soluções.

A criação da Câmara, de acordo com Ribeiro, faz parte da estratégia de estimulo ao fomento do agronegócio entre os pequenos produtores maranhenses. “Alguns resultados positivos já foram alcançados, graças a parcerias com a iniciativa privada e entidades da sociedade civil organizada", disse.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Maranhão, José Hilton Sousa, ressaltou que as câmaras estão proporcionando maior visibilidade à produção. “A Sagrima está incrementando a agropecuária e a Faema está junto nesta jornada”.

Para proporcionar mais competitividade aos produtores, o chefe geral da Empresa Brasileira de pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cocais e Planícies Inundáveis, Valdemício Ferreira de Sousa, anunciou que o órgão entrará com apoio na área de pesquisas, em parceria com a Sagrima.

- Vamos identificar os problemas enfrentados pelos produtores e elaborar os projetos de pesquisa em busca das soluções tecnológicas, desde o sistema de produção até a identificação das espécies que são mais comercializadas no mercado. Com este trabalho esperamos melhorar a produtividade - afirmou Valdemício Sousa.

Flores da Ilha de São Luís

O Maranhão possui como nicho de produção para a floricultura, os municípios de São Luís, São José de Ribamar e Raposa. Com suas vastas áreas férteis, o clima favoráveis e proximidade com o centro consumidor de São Luís, a área apresenta-se como forte candidato à produção de flores tropicais.

Atualmente há registro, na Ilha de São Luís, de 54 produtores de flores e plantas ornamentais como áreas de menos de um hectare. A maioria é formada por produtores de pequeno porte. Eles utilizam mão de obra familiar, empregando, em média, de 3 a 4 pessoas por unidade de produção.

A produtora de flores tropicais, Jacirene Barros Costa, sua mãe e outros membros da família trabalham há cerca de seis anos na produção de flores. E explica que a produção de flores mudou a sua vida. Mas é consciente que por causa da falta de assistência técnica e apoio a qualidade do que a sua família produz ainda esta longe das exigências do mercado de floricultura.

- Aqui a família toda é envolvida. Eu ajudo com o cultivo das flores, fazendo a limpeza e adubando. Às vezes, no domingo, venho aqui para o plantio e começo a cuidar das plantas. É bom porque me distraio - afirmou o pai de Jacirene Costa, o funcionário público municipal João Araújo Costa.

A coordenadora da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Floricultura e pesquisadora da Embrapa, Rosa Lúcia Rocha Duarte, disse que a cadeia produtiva de floricultura na Ilha de São Luís envolve a produção de flores tropicais e plantas ornamentais.

As flores cultivadas da Ilha de São Luís são: bromélias, crisântemos, samambaias, pinheiros, alfinetes, antúrios, azaléias, alpinias, helicônias, copo-de-leite, bastão de imperador, lírios, sorvete, rabo-de-galo, buganvilles, mini rosas, roseiras, lírios, alfinetes, entre outros.

- Na ilha de São Luís, a comunidade do Vassoural é pioneira no desenvolvimento da atividade; entretanto percebe-se que existem grandes desafios que precisam ser superados, como a carência de profissionalização. Com a criação da Câmara de Floricultura acabaremos com os gargalos - explicou Rosa Duarte.

As flores e plantas ornamentais são comercializadas nas feiras realizadas no bairro do João Paulo e na Praça Deodoro. Os clientes compram diretamente na comunidade de Vassoural para decorar suas casas. As produtoras fornecem flores ainda para decorar eventos, como casamento e aniversário realizados em São Luís. Alguns produtores são convidados para participar de feiras em outros estados.

Mercado

O mercado nacional de plantas ornamentais vem apresentando um aumento crescente no volume de plantas comercializadas. Em dados de 2008, o Brasil fechou o ano com exportações de flores e plantas ornamentais em valores de US$ 35 milhões ou o equivalente a 2,7% do valor total mundial de produção, com crescentes embarques para Holanda, EUA, Japão, Espanha, França e mais outros 30 diferentes destinos em todo o mundo.

No Brasil, a região Nordeste vem apresentando destaque, o desempenho cearense no comércio exterior da floricultura brasileira, já ocupa a segunda posição no ranking dos estados exportadores e o primeiro em rosas.

O comércio internacional de flores gira em torno de três grandes centros de demanda no mundo: a União Européia, Estados Unidos e Japão.

A produção holandesa representa 60% do mercado mundial de flores e 85% do mercado europeu.

O que são câmaras setoriais

As Câmaras Setoriais fazem parte da estratégia da Sagrima em fomentar o agronegócio. As câmaras são fóruns de interlocução entre a iniciativa privada e o setor público que buscam fortalecer os elos das cadeias produtivas, estimulando o agronegócio. Essa é a 6ª Câmara Setorial criada pela Sagrima.

As câmaras setoriais que representam as cadeias produtivas geralmente são constituídas por representantes dos produtores, consumidores, empresários, técnicos do governo e de instituições financeiras.

A meta das câmaras é agregar volume e diversificar a produção para abastecer o mercado interno e exportar para outros estados e para o exterior, além de estabelecer estratégias de comercialização destes produtos.

A Sagrima já criou as câmaras setoriais de Mel, Leite, Ovinocaprinocultura, Grãos, Hortaliças e da e fruticultura. Alguns resultados positivos já foram alcançados graças a uma articulação entre os membros das câmaras.

No caso da câmara setorial da Cadeia Produtiva de Leite, o secretário Afonso Ribeiro intermediou junto à Secretaria de Fazenda, a redução do ICMS de 17% para 2% para o leite industrializado.

Faz parte ainda das ações da Câmara, a realização, no período de 16 a 21 de agosto, do Curso de Qualificação de técnicos da região Tocantina, o cadastramento dos produtores e o fortalecimento da assistência técnica, visando o aumento da produção e da qualidade do leite produzido na região Tocantina.

Entre as atividades colocadas em pratica práticas pelas câmaras setoriais, destaca-se a realização do Programa de Dinamização da Apicultura no Maranhão, com a confecção de 15.000 colméias, do Programa de Produção de Arroz de Várzea para a Baixada Maranhense. Também já foi instalada a Delegacia do Meio Ambiente, em Imperatriz, que está desburocratizando a emissão de licenças ambientais e a Embrapa Cocais e Planícies Inundáveis.

Outras medidas importantes efetivadas foram a solicitação de pavimentação do Anel da Soja, no Sul do Maranhão, e o funcionamento do abatedouro de caprinos no município de Cantanhede.

Com as informações da Sagrima.

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