SÃO LUÍS – No município de Arari, a 200 km de São Luís, vilarejos sumiram com a enchente que castiga o Norte do Maranhão. Sem as estradas vicinais, milhares de famílias estão confinadas na imensidão alagada. A comida é racionada e quase não há remédios nem assistência médica.

Dona Maria Assunção Ferreira está com um braço quebrado há três dias e isolada pela enchente na zona rural de Arari, um dos municípios mais castigados pelas enchentes no Estado. “Eu sinto muitas dores”, afirma a dona de casa.
Seu Antonio Lima é lavrador e ainda se recupera de um ataque de arraia. “A dor dói demais. É uma dor que parece que ta quebrando o osso da gente”, conta.
As crianças sofrem ainda mais com a falta de médicos. A filha de dona Edilene Silva está doente e não pode ser levada ao hospital. “Ta com um mês que ela ta gripada e não tem como ir ao médico”.
A agente de saúde Tereza Gomes vai de casa em casa. Faz o levantamento do número de doentes, mas não pode fazer muito porque não há como transportar as pessoas. “As canoas são muito pequenas e não tem como a gente viajar”, afirma.
Um helicóptero da Marinha trouxe uma remessa de medicamentos até o município, mas não foi suficiente. Só neste povoado foram necessárias oito viagens com cestas básicas para aliviar a fome dos flagelados. Porque nos lugares onde ainda resta terra firme só as pequenas aeronaves conseguem pousar.
As enchentes inundaram noventa por cento das lavouras em Arari. Por isso, a ajuda humanitária chega na hora certa.
“Os bichos tão se acabando nos alagados. Eu tenho uns bicho se acabando tudo. Minha casa tá toda no fundo, to sem condição de nada”, explica a lavradora Maria do Bom Parto Maciel.
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