SÃO LUÍS - O deputado federal Domingos Dutra (PT) assumiu a tarefa de pregar a “insurgência popular” e estimular atos de violência e vandalismo se a cassação do governador Jackson Lago (PDT), pela prática de crime eleitoral, não for revista pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em reuniões fechadas com assessores do governador e membros da direção do partido dele, o PDT, Dutra tem defendido ações para “mobilizar” pessoas nos bairros e no interior do estado para transformá-las em “militantes da causa” e, assim, usá-las em ações violentas, como depredações de prédios públicos e privados, monumentos e instituições. Segundo ele, esses atos demonstrariam a “insatisfação da população contra a cassação”.
Ontem, Domingos Dutra transformou um carro de som em palanque ao longo da Avenida Litorânea para fazer um discurso no qual defendeu que “o mandato do governador tem de ser defendido com a vida”. Em tom cada vez mais exaltado, às vezes parecendo estar fora do seu equilíbrio emocional, o deputado petista defendeu “o levante das massas contra a decisão da Justiça Eleitoral”. Chegou ao ponto de cobrar que os maranhenses “devem dar a sua última gota de sangue” pelo mandato cassado do governador Jackson Lago. Suas palavras deixaram perplexos banhistas e visitantes, sendo que alguns não acreditavam que aquele discurso estava sendo feito por um deputado federal, que tem a obrigação de respeitar as instituições, principalmente as decisões do Poder Judiciário.
No seu discurso pregando a violência, Domingos Dutra se referiu várias vezes ao deputado federal Roberto Rocha (PSDB), que estava ao seu lado. Os que ouviram as palavras tresloucadas do parlamentar do PT ficaram com a impressão de que o tucano, cujo partido é legalista, também aprova o uso da violência por milícias partidárias. A pregação em defesa de atos de violência foi feita por Domingos Dutra em todo o circuito das praias e em bairros de São Luís.
Quebra-quebra
Deflagrada ainda antes de o TSE iniciar o processo de julgamento do governador Jackson Lago, a pregação violenta do deputado federal do PT ganhou intensidade no fim do ano passado, quando ele tentou convencer líderes do PDT, PPS, PSB e do PSDB - com o qual mantém relações estreitas no Maranhão (abertamente) e em Brasília (às escondidas) - de que, em caso de cassação, seus militantes deveriam “sair para o quebra-quebra”. Nas conversas, ele vem defendendo o caso de Santa Luzia, onde vândalos ligados ao governo e desocupados, sob as ordens de chefes do PDT, atacaram e incendiaram a sede da Prefeitura e as instalações da Justiça e do Ministério Público.
Na semana passada, Domingos Dutra, que preside no Maranhão um PT dividido, ao tomar conhecimento da cassação do governador Jackson Lago, divulgou nota, em nome do partido, não apenas condenando a decisão do TSE, mas também ameaçando com atos de violência se a Corte não voltar atrás. Na nota, Dutra ameaça: “Se for mantida a cassação do governador pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, o Supremo Tribunal Federal – STF saberá corrigir os equívocos existentes mantendo o mandato do Governador. Em última instância, caberá ao povo maranhense manter e guarnecer o mandato que foi conferido ao governador Jackson Lago”. Vários membros destacados do PT do Maranhão, mesmo apoiando o governador, criticaram o teor ofensivo da nota.
Os adversários do governador Jackson Lago deverão acionar a Justiça esta semana com uma série de ações cautelares, algumas responsabilizando diretamente os atuais detentores do controle do Executivo e do aparelho de defesa do Estado pelo que possa vir a acontecer, já que no entendimento de advogados experientes, a cassação do governador Jackson Lago dificilmente será revista pelo TSE nem pelo Supremo Tribunal Federal.
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