Conta Bancária

Verba pública desviada em Caxias foi parar no RJ

O Estado do Maranhão.

Atualizada em 27/03/2022 às 13h39

SÃO LUÍS - Falta pouco para que se possa dizer quem foi o destinatário do dinheiro desviado pelo prefeito de Caxias, Humberto Coutinho (PDT), por meio da compra de notas fiscais frias de uma empresa de fachada do Maiobão, em Paço do Lumiar. Os R$ 550.000,00 - parte dos chamados convênios eleitoreiros distribuídos pelo então governador José Reinaldo Tavares (PSB) - passaram rapidamente pela conta bancária da Distribuidora São Pedro, de Pedro Ramos Cardoso, e foram parar em outra, em uma agência do Bradesco no Bairro Urca, no Rio de Janeiro.

Dos convênios denunciados à Justiça como eleitoreiros, Coutinho foi o que mais operou dentro da “Frente de Libertação”, recebendo mais de R$ 70 milhões. O prefeito caxiense elegeu deputada estadual a mulher dele, Cleide Coutinho (PSDB); contribuiu decisivamente para a eleição de deputado federal de Flávio Dino (PC do B); e deu expressivas votações para Edson Vidigal e Jackson Lago, respectivamente no primeiro e segundo turnos das eleições de 2006, para governador do estado.

No caso do convênio assinado com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), dia 26 de junho de 2006, os recursos seriam para “compra de medicamentos”. Do total, R$ 500 mil seriam transferidos pelo Estado, com R$ 50 mil de contrapartida do Município. A SES mandou para Coutinho, como primeira parcela, R$ 250 mil, dia 3 de julho (apenas quatro dias úteis depois da publicação do convênio no Diário Oficial do Estado).

Dia 28 de agosto de 2006, a SES mandou mais R$ 125 mil para a conta do convênio, totalizando, até então, R$ 375 mil. No dia seguinte, como se pudesse adivinhar o saldo existente na conta do convênio, a Distribuidora São Pedro emitiu oito notas fiscais que totalizaram R$ 372.176,00, contra a Prefeitura de Caxias.

No dia seguinte (29 de agosto), Iram Brito da Silva, em nome da Prefeitura de Caxias, deu todas aquelas mercadorias como “recebidas”. Mais dois dias e Humberto Coutinho pagou integralmente os R$ 372.176,00 emitidos em notas frias pelo empresário Pedro Ramos Cardoso. Na conta do convênio, na agência 124-4 do Banco do Brasil, ficaram R$ 2.824,00, à espera do restante dos R$ 550.000,00 da operação.

Dia 13 de setembro do ano passado, a SES mandou a última parcela da parte que lhe cabia no convênio (R$ 125.000,00), totalizando, aí, os R$ 500.000,00 firmados pelo Estado. Faltavam ser creditados na conta os R$ 50.000,00 de contrapartida da Prefeitura, o que ocorreu dia 26 de setembro, elevando o saldo em conta da operação para R$ 177.824,00 (R$ 2.824,00 que sobraram do pagamento anterior, mais R$ 125.000,00 da última parcela transferida pela SES e os R$ 50.000,00 da contrapartida da Prefeitura).

No mesmo dia em que depositou a contrapartida, Humberto Coutinho pagou o segundo lote de notas frias de Ramos Cardoso, de R$ 177.447,00. Faltavam cinco dias para a eleição em primeiro turno. Seria o fim de uma das operações para levantar fundos para a campanha da “Frente da Libertação”.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.