Julgamento

Deputado alagoano será julgado por homicídio no Maranhão

João Beltrão Siqueira responde a processo em Santa Luzia do Paruá pelo homicídio de Paulo José Gonzaga dos Santos.

Atualizada em 27/03/2022 às 13h57

 SÃO LUÍS - O deputado alagoano João Beltrão Siqueira, que responde a processo em Santa Luzia do Paruá (MA) pelo homicídio de Paulo José Gonzaga dos Santos, deverá ser julgado pela comarca. O crime ocorreu no dia 30 de maio de 2000, em uma estrada nas proximidades da quadra 20, no município. Paulo José foi morto a tiros que atingiram diversas partes do corpo, inclusive a cabeça. Ele sofreu perda de massa encefálica, fratura dos ossos cranianos e hemorragia.

Segundo consta da acusação, Paulo José teria sido vítima de emboscada preparada pelos pistoleiros alagoanos Jaires da Silva Santos, Geovânio Mendes dos Santos, vulgo "Veneno" e Mendes dos Santos, o "Velho", todos empregados do deputado. Ainda segundo a denúncia, o autor intelectual do crime seria o parlamentar.

A ação penal contra o deputado foi promovida pelo procurador-geral de Justiça de Alagoas, em cujo tribunal o parlamentar seria julgado a princípio. Entretanto, aquele tribunal determinou que a competência de julgar o parlamentar é da comarca de Santa Luzia do Paruá, com base na súmula 721 do STJ, que estabelece "a competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual".

Segundo o titular de Santa Luzia do Paruá, João Pereira Neto, o entendimento é que o foro privilegiado do deputado é só para o estado de Alagoas e o crime foi cometido em outro estado, daí a competência estabelecida para onde ocorreu o delito. O juiz ressalta que o mesmo entendimento teve o Tribunal de Justiça do Maranhão.

O magistrado afirma que o parlamentar vai ser intimado pela comarca. O próximo passo é marcar a audiência das testemunhas de acusação. Os pistoleiros acusados se encontram foragidos desde a época do assassinato. Todos têm prisão decretada pela comarca de Santa Luzia do Paruá.

Dívida não paga

De acordo com a denúncia, o motivo do crime seria a compra de
propriedade da vítima pelo deputado – a Fazenda Bons Amigos. O imóvel estava hipotecado pelo Banco do Nordeste do Brasil e as parcelas eram amortizadas mensalmente. Ao efetuar a compra da propriedade, o deputado teria pago a Paulo José a quantia de 35 mil reais, assumindo o compromisso verbal de pagar as parcelas da hipoteca, o que não teria
acontecido.

Ainda de acordo com a denúncia, ao tomar ciência de que o débito não estava sendo quitado, Paulo José teria procurado o intermediário da transação e solicitado a ele que entrasse em contato com João Beltrão. Pediu que quitasse o débito sob ameaça ir ao banco informar a venda do imóvel e postular a transferência do débito para o nome do parlamentar.

O intermediário teria feito contato com Jaires da Silva Santos, um dos acusados da execução do crime, e transmitido à vítima o recado de que em oito dias um vaqueiro levaria a documentação e o dinheiro necessário à quitação da dívida. Oito dias depois Paulo José foi morto na emboscada.

Na ocasião do crime, os pistoleiros estariam em uma camionete tipo S-10, que seria dirigida por Jaires. Consta do processo que o veículo é da esposa do denunciado. Em interrogatório feito a partir de carta precatória na comarca de Maceió, o parlamentar alegou inocência. João Beltrão afirma que não tinha nenhum interesse em matar a vítima.

Sobre o parlamentar pesa denúncia do Ministério Público de Alagoas por encomenda de homicídio no Tocantins, no qual foram utilizados o mesmo recurso – crime de emboscada - e veículo.

Informações da Corregedoria Geral da Justiça

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.