SÃO LUÍS - O deputado Soliney Silva (PSDB) explicou ontem, em entrevista coletiva, em que circunstância recebeu cheques da Prefeitura de Presidente Vargas, informação que veio à tona domingo, em reportagem de O Estado sobre o assassinato do prefeito Raimundo Bartolomeu, o Bertin. O parlamentar disse que recebeu dois cheques de R$ 30 mil cada um, em pagamento de uma caminhonete L-200, em 2005. “Vendi uma caminhonete para o Bertin, em 2005. E ele pagou uma parte com dois cheques da Prefeitura de Presidente Vargas”, disse o deputado. Segundo ele, a venda do carro foi intermediada pelo deputado Paulo Neto (PSB).
Soliney Silva explicou ainda que usou os dois cheques da Prefeitura de Presidente Vargas na compra de um terreno localizado na avenida dos Holandeses, negociado com o empresário Francisco de Assis, conhecido como “Assis da Mervel”. “Os cheques voltaram porque não tinham fundos e o prefeito resgatou pagando em espécie”, disse o parlamentar, que estava em seu gabinete acompanhado do advogado José Ribamar Neiva, do próprio Assis e do corretor Leonel Barbosa Lima, responsável pela venda do terreno.
A história contada por Soliney Silva é praticamente a mesma revelada ao jornalista Décio Sá pelo ex-vereador Oliveira Mendes, o Boaventura. A incongruência está nos detalhes.
Pela versão de Boaventura, o deputado tucano teria recebido os cheques – seis e não dois – como pagamento dos juros de uma dívida contraída por Paulo Neto. Ainda na versão de Boaventura, o valor do terreno era de R$ 350 mil. Soliney Silva diz ter sido R$ 120 mil.
Em sua entrevista, Soliney Silva admitiu ainda que emprestou dinheiro a Paulo Neto “e outros colegas que sempre me pedem quando precisam”. Mas ele negou que tenha cobrado juros por isso, o que caracterizaria crime de agiotagem. “Não cobro juros, apesar de ter uma factoring (empresa autorizada pelo Banco do Brasil a fazer operações de crédito e câmbio) registrada que me permitira fazer tal transação”, explicou.
Documentos
Questionado sobre o fato de, mesmo dois anos após a venda, os documentos da caminhonete L-200 ainda estarem em seu nome e em sua posse, Soliney Silva explicou: “Após a venda, antes da transferência, fui informado pelo Paulo Neto que o Bertin havia batido o carro. Até hoje esse carro está em uma oficina. Por isso, nunca foi feita a transferência”, disse.
Ele também não soube explicar por que recebeu cheques da Prefeitura de Presidente Vargas em uma venda particular, sem que houvesse qualquer processo administrativo ou nota de empenho para justificar o uso do dinheiro público. “Não sei”, disse, numa nova entrevista na ante-sala do plenário.
Em discurso na tribuna da Assembléia Legislativa, Soliney Silva disse ser um empresário bem-sucedido do ramo de transporte coletivo, no Piauí, e que comprou o terreno justamente pensando em abrir uma filial da empresa no Maranhão. Ele confirmou também ser amigo do deputado Paulo Neto e afirmou não acreditar no envolvimento do colega no assassinato do prefeito Bertin. “Sou amigo do Paulo Neto e não acredito em sua participação”, disse ele, afirmando que estava dando um ponto final na história dos cheques da Prefeitura.
Paulo Neto estava presente ontem na sessão em que Soliney Silva explicou como recebeu os cheques da Prefeitura de Presidente Vargas, mas não quis falar sobre o assunto. Aos repórteres que solicitaram declarações ele mandou dizer apenas: “Não falo por Soliney”.
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