SÃO LUÍS - Faleceu ontem, por volta das 6h, no Hospital Português, o teatrólogo maranhense Cecílio Inácgio de Sá, aos 92 anos de idade. O artista, que estava internado há mais 60 dias na UTI do hospital após ter contraído pneumonia, teve como causa da morte falência múltipla dos órgãos. O corpo foi velado durante todo o dia na casa onde residia, na rua do Passeio (Centro). O sepultamento aconteceu às 17h de ontem, no Cemitério do Gavião.
Cecílio Sá era viúvo e morava com as filhas Léa e Liane Sá. Deixou oito filhos, 13 netos e 14 bisnetos. Num clima de grande consternação, os familiares deram o último adeus ao teatrólogo, que marcou época na história do teatro maranhense. “O meu pai vai deixar muitas saudades. Ele era uma pessoa muito cordial com os filhos e com as demais pessoas. Por conta do trabalho no teatro, era também muito comunicativo”, disse Lenita de Sá, única filha a seguir a carreira literária da família.
A trajetória de Cecílio Sá foi tema de um livro de autoria de Lenita, intitulado No Palco a Paixão – 50 Anos de Teatro, publicado em 1988. “Escrevi recentemente um artigo sobre ele, onde o comparava com o diretor de teatro francês Molière. Ele revolucionou o teatro popular montando A Paixão de Cristo em vários bairros da cidade, com destaque para o bairro de São Pantaleão”, contou, emocionado, o filho Lecílio Sá.
Há dois anos, desde que começou a andar de cadeira de rodas, que a rotina de Cecílio Sá mudou. Dois de seus hobies preferidos, ler e escutar música, foram, aos poucos sendo deixados de lado. “Ele passava horas lendo, escutando clássicos e gostava também do repertório sacro”, lembrou o filho Lílio Guêga.
Lenita de Sá acrescentou que a carreira do pai como teatrólogo teve início com o autor de peças teatrais Bibi Geraldino. “Ele adorava assistir às peças de Gigi e foi aí que descobriu a sua vocação. Os dois fundaram ainda o grupo Ateniense, responsável por várias montagens entre os anos de 1930 e 1970, sendo que o auge foi nos anos 50 e 60. Ele ficou conhecido como o grande diretor da montagem de A Paixão de Cristo”, ressaltou ela.
O teatrólogo Tácito Borralho foi um dos discípulos de Cecílio. No livro No Palco a Paixão – 50 Anos de Teatro, a filha Lenita reuniu ainda alguns depoimentos de figuras de grande expressão do teatro maranhense. Todos foram unânimes ao exaltar o trabalho de Cecílio Sá. Reynaldo Faray, bailarino já falecido, disse na época que “Cecílio Sá foi quem abriu as portas do hoje e estará presente no amanhã, pois sua arte e talento intuitivos estarão escritos na história do teatro maranhense”.
O diretor de teatro Ubiratan Teixeira, no seu depoimento, lembrou que poucos foram os amadores provincianos que não tiveram passagem pelo seu Mártir. E Aldo Leite completou: “Trabalhar com Cecílio Sá é sempre um exercício, um aprendizado de palco e de vida”.
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