BRASÍLIA - O governador José Reinaldo Tavares admitiu nesta sexta-feira, 7, durante entrevista coletiva em um hotel de luxo em Brasília, as irregularidades denunciadas pela Revista Veja na reportagem sobre a existência de um esquema de desvio de recursos públicos dentro da Secretaria de Infra-Estrutura (Sinfra), por meio do pagamento de “estradas fantasmas”.
“Não posso garantir que não tenha coisa errada, mas se tiver, nós puniremos os culpados. Agora, o pagamento (às empreiteiras) foi feito, não há dúvidas disso”, garantiu.
José Reinaldo, no entanto, já parece ter encontrado um culpado para o caso: o engenheiro José de Ribamar T. Santos, que atesta a existência das “estradas fantasmas”. Questionado por repórteres, ele afirmou que caso seja confirmada a participação do engenheiro no caso ele será punido. Na matéria de Veja, a primeira-dama Alexandra Tavares é citada como beneficiária do esquema.
O governador tentou eximir-se de qualquer responsabilidade dizendo que não autoriza obras nem faz pagamento. “Não há como impedir qualquer governo de acontecerem coisas assim. Cartas-convite são feitas em grande quantidade para todas as secretarias. O governador não autoriza nenhum convite. Isso é atribuição do secretário de Estado”, afirmou, numa clara intenção de imputar a responsabilidade do caso ao secretário João Dominici, seu cunhado, que se afastou da Sinfra para que a denúncia fosse apurada.
José Reinaldo irritou-se ao ser questionado sobre a possível participação da esposa e primeira-dama, Alexandra Tavares no esquema, conforme foi denunciado por Veja. De acordo com a revista, as empresas ficavam com apenas 20% do que era pago pelas “obras”. O restante, diz Veja, era encaminhado a pessoas ligadas ao governo, entre as quais estaria a primeira-dama. “Essa foi uma afirmação caluniosa e os responsáveis por ela serão acionados na Justiça”, disse o governador, visivelmente irritado.
O governador afirmou ainda que caso não se comprove a existência das estradas o governo acionará o empresário Lourival Parente para que ele comece as obras. Segundo apuração preliminar feita pelo Ministério Público, além da Petra Engenharia e da L. J. Construções, outras empresas ligadas a Parente estariam envolvidas no esquema.
Fontes do órgão informam que a principal delas, a Petra Engenharia, tem somente R$ 10 mil de capital de giro, o que a impediria de participar de qualquer licitação deste porte. Cada “estrada fantasma” custou ao governo cerca de R$ 150 mil, mais aditivo de aproximadamente R$ 36 mil.
Finanças
José Reinaldo tentou minimizar a importância do Comitê de Gestão Financeira, formado em sua maioria por membros da sua família, que é quem autoriza os pagamentos no Governo do Estado. “O comitê gestor não é ordenador de despesas. Ele apenas segura as despesas que estavam indo pelo ralo”, desconversou. Ele contou, porém, que o comitê administra o Estado com “mão de ferro”.
O governador quis novamente desqualificar a reportagem da Veja por ela ter citado no texto apenas três “estradas fantasmas”, mas denunciar a existência de 20 rodovias ligando 40 povoados em 12 municípios, gerando uma fraude de milhões de reais. Pelas contas que José Reinaldo mostrou na coletiva, a fraude seria de apenas R$ 450 mil.
A reportagem de O Estado mostrou ao governador cópias de mais dois contratos e ordens de pagamentos recebidos pelas empresas do empresário Lourival Parente por rodovias que não saíram do papel. Essas estradas não são citadas na reportagem da Veja. O jornal teve acesso aos documentos de todas as 20 rodovias.
Saiba Mais
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.