OPERAÇÃO FAENERATOR

Gaeco realiza operação contra desvios de mais de R$ 600 milhões em Imperatriz

Operação Faenerator, do Gaeco, apura esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro em contratos públicos de Imperatriz com desvios de R$ 621 milhões.

Ipolítica

- Atualizada em 15/09/2026 às 14h00
Gaeco realiza operação contra grupo suspeito de agiotagem e lavagem de dinheiro e bloqueia até R$ 621 milhões em bens e valores.
Gaeco realiza operação contra grupo suspeito de agiotagem e lavagem de dinheiro e bloqueia até R$ 621 milhões em bens e valores. (Divulgação/MPMA)

IMPERATRIZ – O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) deflagrou, nesta terça-feira (15), a Operação Faenerator para investigar um grupo suspeito de agiotagem, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a Administração Pública em Imperatriz, João Lisboa e Buritirana.

A Justiça autorizou o bloqueio e a indisponibilidade de até R$ 621,4 milhões em bens e valores ligados aos investigados. A medida alcança recursos financeiros, imóveis, veículos, aeronaves, embarcações e outros patrimônios.

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A operação teve como alvo residências, sedes de empresas e propriedades rurais. Também foi autorizada a apreensão e análise de equipamentos eletrônicos encontrados durante as buscas.

Investigação envolve contratos públicos de Imperatriz

A apuração surgiu a partir do cruzamento de informações obtidas em operações anteriores, entre elas Regalo, Timoneiro e Pavimentum. Essas investigações já haviam apontado possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e empresas contratadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura de Imperatriz (Sinfra).

O trabalho atual concentra-se em um núcleo financeiro suspeito de fornecer recursos para empresas que participavam de contratos e obras públicas no município. Entre elas estão empresas que já haviam aparecido nas investigações sobre possíveis desvios de verbas da Sinfra.

As suspeitas de crimes atribuídas ao grupo remontam, pelo menos, a 2017.

Grupo atuava com empréstimos a empresários

A investigação identificou um sistema de empréstimos de dinheiro a empresários com cobrança de juros entre 3,5% e 4% ao mês, além de encargos por atraso.

Os negócios, conforme os elementos reunidos no caso, eram realizados sem garantias formais. Cheques e notas promissórias eram utilizados e mantidos fora do sistema bancário, dificultando o rastreamento das operações.

Também foram identificadas empresas com movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas.

Um dos casos envolve uma clínica odontológica que declarou faturamento médio mensal de aproximadamente R$ 13 mil, mas movimentou R$ 143,8 milhões entre 2019 e 2024.

Dinheiro era movimentado por diferentes meios

Para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos, os investigados teriam utilizado transferências bancárias, PIX, depósitos fracionados, contas de passagem, pessoas interpostas e saques em espécie.

Parte dos recursos também teria sido empregada na compra e revenda de bens de alto valor, como carros de luxo, veículos pesados, aeronaves, helicópteros, embarcações e propriedades rurais.

Outra frente apontada na apuração envolve o pagamento de despesas pessoais relacionadas a agentes públicos e pessoas politicamente expostas (PEPs).

Justiça determina bloqueio de até R$ 621 milhões

O bloqueio patrimonial foi autorizado como forma de atingir financeiramente a estrutura investigada e garantir a preservação de bens que possam estar relacionados aos crimes apurados.

O valor máximo determinado pela Justiça chega a R$ 621.455.220.

O Gaeco ainda realiza o levantamento dos bens e valores efetivamente localizados durante a operação, além de dar continuidade às demais medidas previstas na investigação.

A ação é coordenada pelo Núcleo Regional do Gaeco em Imperatriz, com apoio da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), Polícia Militar e Centro de Apoio aos Promotores de Justiça de Investigação Penal (Caei) do MPMA.

Prefeitura de Imperatriz se manifesta

Em nota, a Prefeitura de Imperatriz afirmou que os fatos investigados ocorreram em 2017, durante a gestão anterior.

A administração municipal também informou que, até o momento, não foi comunicada oficialmente sobre quais empresas estariam envolvidas na investigação. Segundo a prefeitura, caso seja formalmente solicitada pelas autoridades, serão prestados os esclarecimentos e fornecidos os documentos necessários.

Leia nota na íntegra: 

A Prefeitura de Imperatriz esclarece que os fatos investigados ocorreram em 2017, durante a gestão anterior.

Até o momento, a Prefeitura não foi informada oficialmente sobre quais empresas estariam envolvidas na investigação. Caso seja formalmente solicitada pelas autoridades competentes, a administração municipal prestará os esclarecimentos e fornecerá as informações e os documentos necessários, nos termos da legislação vigente.

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