INVESTIGAÇÃO

MP pede suspensão de empréstimo de R$ 20 milhões em Lago-Açu

O MPMA acionou a Justiça para suspender empréstimo de R$ 20 milhões em Conceição do Lago-Açu por falta de estudos técnicos sobre o impacto financeiro.

Ipolítica

- Atualizada em 22/10/2026 às 15h27
MP pede à Justiça a suspensão de empréstimo de R$ 20 milhões de Conceição do Lago-Açu junto ao Banco do Brasil por falta de estudos técnicos.
MP pede à Justiça a suspensão de empréstimo de R$ 20 milhões de Conceição do Lago-Açu junto ao Banco do Brasil por falta de estudos técnicos. (Foto: divulgação / MPMA)

CONCEIÇÃO DO LAGO AÇU – O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ingressou com uma ação na Justiça para suspender um empréstimo de até R$ 20 milhões solicitado pela Prefeitura de Conceição do Lago-Açu junto ao Banco do Brasil. A medida foi proposta em 16 de outubro pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Bacabal, que aponta falta de estudos técnicos e documentos que comprovem a capacidade de endividamento do município.

A operação de crédito teria como objetivo financiar a implantação de usinas de energia solar e obras de pavimentação. Segundo o MP, porém, o projeto não detalha como os recursos serão divididos entre as duas finalidades, nem apresenta informações sobre custos individuais, localização das intervenções e impacto da dívida nos orçamentos futuros.

A ação foi assinada pelo promotor de Justiça Lindemberg do Nascimento Malagueta Vieira. Conceição do Lago-Açu é termo judiciário da comarca de Bacabal.

MP aponta falta de estudos técnicos

Na ação, o Ministério Público destaca a ausência de documentos que demonstrem a capacidade financeira do município para assumir o empréstimo, além da falta de estimativas sobre o impacto orçamentário e financeiro da operação, exigidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e pela Constituição Federal.

A Promotoria também questiona a ausência de informações sobre a quantidade e a localização das usinas solares, as vias que receberiam pavimentação, a economia de energia estimada e os custos das obras.

Outro ponto levantado é a falta de detalhamento das condições financeiras do empréstimo, como taxa de juros, prazo de pagamento, período de carência e sistema de amortização.

O MP também apontou que o artigo 5º do projeto prevê o débito automático em contas correntes da prefeitura para o pagamento da dívida, sem necessidade de emissão de nota de empenho.

“A lei exige, portanto, motivação técnica e jurídica prévia, com demonstração da relação custo-benefício e do interesse econômico e social da operação”, afirmou o promotor na manifestação.

Projeto foi aprovado em sessão com cinco vereadores presentes

A investigação do Ministério Público foi iniciada após uma representação dos vereadores Truman Oliveira e João Paulo Ferreira Sousa.

Segundo os parlamentares, o projeto de lei que autorizava a contratação do empréstimo de R$ 20 milhões com o Banco do Brasil foi votado e aprovado em sessão realizada em 25 de setembro de 2026.

A sessão contou com a presença de cinco dos nove vereadores da Câmara Municipal. A proposta tramitou em regime de “urgência urgentíssima” e recebeu dois votos favoráveis e dois contrários. O desempate ocorreu pelo voto da presidente da Casa, vereadora Raimunda Santos.

Com isso, a autorização para o endividamento foi aprovada com três votos de um colegiado de nove vereadores.

Os parlamentares que apresentaram a representação também relataram que não receberam cópias da proposta com antecedência, que não houve debate nas comissões permanentes e que não foi concedido pedido de vista.

O MP informou que havia expedido ofícios à prefeita Elcilene Pinheiro Pereira dos Santos e à presidência da Câmara em 2 de outubro. Após o prazo de dez dias terminar sem resposta, o órgão recorreu à Justiça.

O que o MP pediu à Justiça

Na ação, o Ministério Público solicitou que a Justiça determine que o município não assine o contrato com o Banco do Brasil ou com qualquer outra instituição financeira. Caso o contrato já tenha sido firmado, o pedido é para suspender seus efeitos e bloquear a movimentação dos recursos.

A medida deverá permanecer em vigor até que a prefeitura apresente a documentação da operação, incluindo:

  • Processo administrativo do empréstimo;
  • Pareceres técnicos e jurídicos;
  • Estimativa do impacto orçamentário e financeiro;
  • Demonstrativos de cumprimento dos limites de endividamento;
  • Estudos e projetos das obras;
  • Cópia integral do processo legislativo.

O MP também pediu a aplicação de multa diária em caso de descumprimento da decisão judicial.

Além disso, solicitou o envio de um ofício ao Banco do Brasil para impedir a liberação ou o creditamento dos recursos e exigir que a instituição informe, em até 48 horas, o estágio atual da operação.

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