CODÓ – Em uma das salas do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Codó, repousam fragmentos da história do planeta. Amostras de rochas, minerais e fósseis compõem um acervo que, embora ainda em fase de estruturação, já se apresenta organizado e catalogado como uma coleção científica em ascensão. Enquanto o espaço físico passa por adequações para receber o público de forma permanente, o conhecimento já rompe as paredes da instituição por meio de exposições itinerantes.
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Atualmente, o Museu de Fósseis, Minerais e Rocha salvaguarda 130 exemplares de rochas e minerais, 28 fósseis e uma caixa completa de testemunhos de sondagem — amostras cilíndricas extraídas do subsolo para análise geológica. O projeto, que hoje ganha contornos institucionais, teve um início modesto e doméstico.
O despertar de uma coleção
A trajetória do museu começou há quinze anos, longe dos corredores acadêmicos. O pesquisador Aciel Tavares Ribeiro iniciou uma coleção pessoal que, durante muito tempo, ocupou as prateleiras de sua residência, tendo como público exclusivo seus dois filhos. A virada de chave ocorreu em 2023, quando, ao ser removido para o Campus Codó, o professor decidiu doar as 120 peças originais ao IFMA, transformando seu acervo particular em um projeto de extensão.
A inspiração para a iniciativa surgiu em 2018, após uma visita ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, durante um congresso no Ceará. Na época, Aciel cursava o técnico em Mineração pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e retornou da viagem com oito amostras doadas. A experiência fortaleceu sua paixão pela geodiversidade e o motivou a criar um espaço público de preservação.
Colaboração e apoio institucional
A transição de uma coleção privada para um museu exigiu infraestrutura e esforço coletivo. Com o apoio da direção do campus, o espaço foi montado gradualmente, contando com o protagonismo estudantil: alunos de diversos cursos foram responsáveis pelo projeto e fabricação das mesas de exposição.
O reitor do IFMA, Carlos Cesar Teixeira Ferreira, visitou as instalações e reafirmou o compromisso da gestão com a consolidação do museu como ambiente de ensino, pesquisa e extensão. Segundo o reitor, o objetivo é captar recursos via editais internos para investir em mobiliário expositivo e fortalecer as ações acadêmicas, garantindo que o museu se torne um equipamento científico de referência na região.
Tesouros geológicos nacionais e internacionais
Hoje, o acervo apresenta uma geografia vasta. Estão expostos exemplares vindos da Serra dos Carajás (PA), da Chapada do Araripe (divisa entre CE, PI e PE), da Serra da Ibiapaba e da Chapada das Mangabeiras. A geologia local também está representada por amostras da Formação Codó, além de itens internacionais, como plumas vulcânicas originárias de Cabo Verde, na África.
Entre as peças que mais atraem a atenção dos visitantes estão as ametistas, o titânio e a pirita — mineral popularmente conhecido como "ouro de tolo" devido ao seu brilho metálico. De acordo com o professor Aciel, embora o museu ainda não possua elementos de terras raras, o acervo já conta com amostras estratégicas de lítio e silício, cuja obtenção demandou dois anos de articulação.
Ciência aplicada e desenvolvimento regional
Para além do valor histórico, o museu evidencia a conexão direta entre a geologia e a economia de Codó. A cidade é um polo extrativista de gesso e calcário, com indústrias que operam desde a década de 1980 e atendem tanto o setor da construção civil quanto o mercado agrícola. Além disso, a exploração de água mineral no aquífero Itapecuru reforça a importância de compreender a formação do solo para garantir o uso sustentável dos recursos naturais.
O potencial pedagógico é outro pilar do projeto. Para estudantes de Ciências Biológicas, Agronomia e Química, o contato direto com as rochas e fósseis funciona como um laboratório prático. O trabalho de curadoria também envolve a comunidade acadêmica: em 2025, cinco estudantes bolsistas atuaram na catalogação e instalação do acervo.
Próximos passos e digitalização
O futuro do Museu de Fósseis, Minerais e Rocha prevê a expansão das atividades de campo. A partir de 2026, com as devidas autorizações, o projeto iniciará buscas sistemáticas por novos fósseis em áreas de extração mineral. No horizonte da instituição, estão ainda a abertura regular para visitas da comunidade externa e a digitalização de todo o catálogo, que deverá ser disponibilizado em uma plataforma on-line, permitindo que o patrimônio geológico de Codó seja acessado de qualquer lugar do mundo.
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