INVESTIGAÇÕES

Adolescente de 13 anos morre após ser levada para abrigo em Buriticupu

Maria Isis Dama França, adolescente de 13 anos, morreu após ser acolhida em abrigo de Buriticupu. Polícia Civil investiga o caso e causas do óbito.

Imirante.com, com informações da TV Mirante

- Atualizada em 12/09/2026 às 16h53
Adolescente de 13 anos morre após ser levada para abrigo em Buriticupu.
Adolescente de 13 anos morre após ser levada para abrigo em Buriticupu. (Reprodução/TV Mirante)

BURITICUPU – Uma adolescente de 13 anos morreu após ser levada para um abrigo administrado pelo município de Buriticupu, a cerca de 415 km de São Luís. Maria Isis Dama França estava acolhida na unidade junto com outras cinco crianças e adolescentes da família. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte.

A retirada dos menores da residência ocorreu após denúncias de possíveis maus-tratos feitas por vizinhos. Segundo a mãe de Maria Isis, Larissa Saminês Damas, de 27 anos, uma equipe do Conselho Tutelar, acompanhada por policiais, foi até a casa onde a família vivia no povoado Ferro Velho. Larissa nega que tenha cometido agressões ou negligência contra as crianças.

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A mãe de Larissa morreu em agosto de 2025. Depois disso, ela passou a cuidar dos irmãos mais novos e dos próprios filhos. Ao todo, seis crianças e adolescentes foram encaminhados para o abrigo. Entre eles estavam um rapaz de 17 anos com deficiência visual, adolescentes de 14 e 13 anos, um menino de 5 anos e dois bebês, de 1 ano e 6 meses e de 2 anos. Uma idosa com mais de 80 anos também vivia na residência.

Mãe relata abordagem durante retirada das crianças

Larissa afirma que estava com um dos bebês no colo quando os policiais e conselheiros chegaram para levar os menores. Segundo ela, houve um confronto verbal depois que um dos agentes retirou a criança de seus braços.

“Um dos policiais me ameaçou porque ele pegou a criança da minha mão, que estava amamentando. Como mãe, eu fui pra cima dele para tomar o meu bebê, porque estava chorando, e ele falou para mim que, se eu não saísse de perto dele, ia resolver a situação de outra forma e já foi pegando a arma”, disse.

De acordo com o relato da mãe, as crianças foram levadas para a unidade de acolhimento de Buriticupu. Maria Isis permaneceu no abrigo por cerca de um mês antes de morrer.

A adolescente era filha de Larissa, assim como o menino de 5 anos e um dos bebês que foram retirados da casa.

Adolescente teria relatado queda dentro do abrigo

Larissa conta que percebeu que havia algo errado quando foi visitar os filhos e não encontrou Maria Isis na unidade. Segundo ela, a filha havia sido encaminhada para atendimento médico.

“Eu fui visitar as crianças e, quando eu cheguei lá, a minha filha não estava. Eu pedi para ir para o hospital querendo ver minha filha”, contou.

Ainda segundo a mãe, Maria Isis afirmou no hospital que havia caído no banheiro do abrigo e batido a cabeça. Larissa relata que a adolescente teria perdido os movimentos do corpo após o episódio.

A mãe também afirma que recebeu a informação de que a morte poderia ter sido provocada por verminose. As circunstâncias que levaram à morte da adolescente, no entanto, são alvo de investigação.

Após a morte da filha, Larissa entrou com uma ação na Justiça para tentar recuperar a guarda dos irmãos e dos filhos que permanecem acolhidos. Ela diz que deseja principalmente voltar a ficar com o bebê.

“Eu só quero justiça e quero minhas crianças novamente.”

Conselho Tutelar afirma que retirada ocorreu por ordem judicial

Em nota, o Conselho Tutelar de Buriticupu afirmou que o acolhimento das crianças e adolescentes ocorreu diante de “diversas violações de direitos”, incluindo agressões físicas e situações de negligência. Segundo o órgão, a medida foi determinada por ordem judicial.

O Conselho Tutelar também declarou que não houve ação ou omissão, negligência ou responsabilidade dos integrantes da rede de proteção em relação ao caso. O órgão informou que os procedimentos legais e assistenciais previstos foram adotados.

Sobre a morte de Maria Isis, o conselho afirmou que houve internação hospitalar, emissão do atestado de óbito e posterior remoção do corpo para Imperatriz, onde foram realizados os exames periciais necessários.

Até a última atualização desta matéria, a Secretaria de Desenvolvimento Social de Buriticupu, responsável pelo abrigo onde estão acolhidos os irmãos e filhos de Larissa, não havia se manifestado sobre o caso.

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