Investigação

Hilux e milhões: o papel de Edna Silva no esquema de Buriticupu

De acordo com as investigações do Ministério Público, a função da deputada Edna Silva era dar aparência lícita aos recursos desviados dos cofres públicos.

Ipolítica

Edna Silva é deputada estadual
Edna Silva é deputada estadual (Divulgação)

BURITICUPU - A deputada estadual Edna Silva é apontada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA) como uma peça central no "Núcleo Político" de uma organização criminosa instalada na Prefeitura de Buriticupu. Edna é casada com o prefeito João Carlos Teixeira, que também foi alvo de busca e apreensão na manhã desta sexta-feira (22).

A denúncia do MPMA aponta a parlamentar com o elo de integração e blindagem patrimonial do grupo.

Entenda a participação de Edna Silva no esquema

De acordo com as investigações do Ministério Público, a função da parlamentar era dar aparência lícita aos recursos desviados dos cofres públicos. Sua atuação dividia-se em frentes estratégicas:

  • Mescla Patrimonial (Commingling): Edna Silva é acusada de misturar recursos ilícitos ao seu patrimônio formal. A investigação identificou um repasse de R$ 1.075.093,21 feito por ela ao prefeito João Carlos, valor considerado incompatível com sua origem lícita demonstrada nos autos.
  • O Caso da Toyota Hilux: Um dos exemplos mais nítidos de dissimulação patrimonial citados pelo MP envolve uma caminhonete Toyota Hilux (placa PTR-8F87). O veículo, registrado em nome de Edna Silva, foi transferido para o empresário Antônio Pereira (beneficiário direto das licitações viciadas), mas continuou sendo utilizado pela esposa do empresário, a secretária de saúde Chrystiane Piancó, sem que houvesse comprovação de pagamento pela transação.
  • Sustentação do Comando: Edna integrava o núcleo "político-familiar" que garantia a estabilidade da organização, auxiliando na circulação interna de valores entre os polos político e operacional.

Diante dessas condutas, ela foi denunciada pelos crimes de participação em organização criminosa e lavagem de capitais. A Justiça acatou as denúncias e a tornou ré na ação.

Implicações e medidas restritivas

Diferente do prefeito e dos secretários municipais, Edna Silva não foi afastada de suas funções parlamentares, mas a decisão judicial impôs restrições severas para garantir a instrução criminal:

  1. Busca e Apreensão: A Justiça autorizou diligências em seus endereços residenciais e institucionais para a arrecadação de documentos, celulares, computadores e eventuais valores em espécie sem origem comprovada.
  2. Proibição de Acesso: A deputada está impedida de frequentar a Prefeitura de Buriticupu, suas secretarias e locais de gestão documental das contratações investigadas.
  3. Proibição de Contato: Está proibida de manter contato (direto ou por interpostas pessoas) com os demais denunciados, operadores financeiros e testemunhas do caso, com exceção de seu cônjuge.
  4. Restrição de Deslocamento: Não pode se ausentar da comarca sem autorização judicial, devendo comunicar seus trajetos à Justiça caso conflitem com sua agenda parlamentar.
  5. Confisco Alargado: O Ministério Público requereu o confisco de R$ 1.075.093,21 de seu patrimônio devido à incompatibilidade financeira detectada.

Um ponto de destaque na decisão é que Edna Silva foi a única denunciada explicitamente isenta da obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica, medida que foi imposta a todos os demais réus da ação.

Outro lado

O Imirante ainda tenta contato com a deputada estadual e aguarda manifestação a respeito das acusações apresentadas pelo Ministério Público.

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