BRASIL – O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que não assumirá um ministério no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e continuará na Câmara dos Deputados. Reeleito para o terceiro mandato, o parlamentar descartou a possibilidade em entrevista ao Fantástico.
“Eu não vou aceitar nenhum ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”, declarou.
Janones também disse que permanecerá filiado à Rede Sustentabilidade. A declaração ocorre após sua atuação na campanha digital de Lula, reeleito para o quarto mandato à frente da Presidência.
O deputado criou e administra pelo celular o canal de mensagens chamado “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas nas três semanas anteriores ao segundo turno.
Deputado discute futuro do canal com Lula
Janones afirmou que já conversou com o presidente sobre quem deve ficar responsável pelo espaço de comunicação com os eleitores.
“Eu disse, olhando nos olhos dele: ‘O canal é do senhor, o exército é do Lula, tudo foi construído com o nome do senhor’”, relatou.
Após a eleição, o deputado deixou de publicar os vídeos com as chamadas “missões” destinadas aos participantes. Ele reconheceu que o funcionamento do canal concentrava decisões em sua figura e defendeu que esse modelo seja temporário.
“É um modelo transitório, necessário para a gente vencer uma eleição, necessário para a gente poder dar governabilidade ao presidente a partir de agora. Mas é um modelo que deve servir como transição”, afirmou.
O parlamentar disse que esse não é o formato de democracia que deseja para o país e relacionou a discussão ao papel das grandes plataformas digitais.
“A democracia que eu quero viver é onde você posta o que você quiser na sua rede”, declarou.
Dois dias antes do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral cobrou das plataformas reforço nas equipes e tratamento igualitário às campanhas. Meta, Google e X informaram ao tribunal que não encontraram irregularidades no canal de apoiadores de Lula.
Encontro no Alvorada após a eleição
Depois do segundo turno, Janones recebeu uma ligação de Lula enquanto estava no Rio de Janeiro. O presidente o convidou para participar de uma transmissão ao vivo e almoçar em Brasília no dia seguinte.
O deputado mudou os planos de descanso e seguiu para a capital federal na quinta-feira. No Palácio da Alvorada, participou de um almoço com Lula e a primeira-dama Janja que durou cerca de três horas.
Ao deixar a residência oficial, contou que o presidente ainda enfrentava problemas na garganta.
A atuação digital na campanha também levou Janones a conceder entrevistas a veículos estrangeiros, entre eles o francês Le Monde e o britânico The Guardian.
“A repercussão internacional é a única coisa que não estava no meu radar”, afirmou.
Janones elogia Cleitinho e defende redução da polarização
Ao comentar sua relação com políticos de outros campos ideológicos, Janones elogiou o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho, que apoiou Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
“Ele é um amigo, um amigo mesmo. É um cara que está se propondo a fazer algo que o país precisa muito, que é pacificar, que é superar essa questão ideológica, essa polarização que tem feito tão mal para o povo brasileiro”, disse.
O deputado também afirmou acreditar que Cleitinho fará um bom governo em Minas Gerais.
Entrevista abordou acusações e suspensão do mandato
Janones foi questionado sobre a medida protetiva solicitada por uma ex-companheira diante de uma acusação de violência psicológica. Disse que não poderia comentar o caso por tramitar em segredo de Justiça e afirmou não ter sido condenado.
Sobre a suspeita de rachadinha, a Procuradoria-Geral da República apontou que ele utilizou um cartão de crédito de um assessor para pagar despesas pessoais entre 2019 e 2020. O deputado negou ter desviado salários de funcionários.
Janones fez um acordo para encerrar o processo sem condenação e afirmou ter devolvido R$ 131.511.
O parlamentar também comentou os confrontos com opositores que levaram à suspensão de seu mandato por três meses. Disse não se arrepender das atitudes e atribuiu influência política a decisões desse tipo.
Questionado sobre um vídeo em que mencionou possíveis cortes em programas sociais caso Flávio Bolsonaro fosse eleito, Janones negou ter divulgado informação falsa. O adversário de Lula contestou o conteúdo na Justiça e pediu a retirada da publicação.
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