BRASÍLIA – Deputados do Partido Liberal (PL) iniciaram negociações com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para evitar que a legenda fique isolada na disputa pela Mesa Diretora e na distribuição das comissões temáticas da Casa em 2027.
Parlamentares da ala pragmática do PL, partido de Flávio Bolsonaro, conduzem a articulação enquanto Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, acompanha as tratativas.
Segundo informações da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o objetivo é garantir a participação do PL no bloco partidário que Motta organiza para sustentar sua candidatura à reeleição à presidência da Câmara.
PL tenta garantir espaço na Câmara
O grupo articulado por Hugo Motta reúne partidos de esquerda e do Centrão e pode ultrapassar 360 deputados, conforme os cálculos do presidente da Câmara.
O número representa quase três vezes a bancada eleita pelo PL em 2026. A legenda conquistou 121 cadeiras e se tornou o maior partido da Câmara em número de deputados.
Apesar desse resultado, o PL corre o risco de perder posições importantes na estrutura da Casa caso permaneça fora do bloco.
Pelas projeções dos aliados de Motta, a sigla ficaria apenas com uma suplência na Mesa Diretora e teria a 16ª posição na ordem de escolha das comissões temáticas.
Essa situação reduziria as possibilidades de o partido assumir o comando de colegiados considerados estratégicos.
Disputa pela presidência da CCJ
Entre os parlamentares que podem ser afetados está Nikolas Ferreira (PL-MG), que manifestou interesse em presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Em entrevista concedida à coluna de Igor Gadelha em outubro, o deputado apontou a presidência da comissão como um de seus objetivos.
A eventual exclusão do PL do bloco dificultaria essa pretensão, já que a legenda perderia prioridade na escolha dos colegiados.
Reeleição de Hugo Motta
Integrantes da ala pragmática do PL avaliam que a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 fortaleceu a posição de Hugo Motta na disputa pelo comando da Câmara.
Na avaliação desses parlamentares, o cenário também reduziu as possibilidades de uma candidatura própria do PL à presidência da Casa.
A estratégia de formar uma ampla aliança partidária já foi utilizada por Motta em fevereiro de 2025, quando disputou pela primeira vez a presidência da Câmara.
Na ocasião, ele reuniu 17 partidos em um bloco que somava 489 deputados, incluindo representantes do PL e do PT.
Agora, as negociações buscam definir se o PL voltará a integrar uma composição semelhante para a eleição da Mesa Diretora em 2027.
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