Decisão no STF

Fachin arquiva mais cinco investigações do Inquérito das Fake News

Decisões atendem a pedidos da PGR por falta de provas ou prescrição; ministro pretende analisar caso a caso as apurações para encerrar o inquérito.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Fachin arquiva mais cinco investigações do Inquérito das Fake News após manifestações da PGR por falta de provas ou prescrição dos crimes.
Fachin arquiva mais cinco investigações do Inquérito das Fake News após manifestações da PGR por falta de provas ou prescrição dos crimes. (Gustavo Moreno / STF)

BRASIL – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou o arquivamento de mais cinco investigações vinculadas ao Inquérito das Fake News. As decisões atenderam a manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou falta de provas dos supostos delitos ou prescrição dos crimes investigados.

Entre os alvos das apurações estavam o presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta; o ex-ministro do Turismo Gilson Machado; o deputado estadual de Santa Catarina Alex Brasil; e Flávia Cordeiro Magalhães, brasileira residente nos Estados Unidos. Uma quinta investigação envolvia publicações em um grupo no aplicativo Telegram.

Aberto em 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o inquérito foi criado para apurar ataques virtuais e ameaças contra ministros da Corte e seus familiares. Desde então, o procedimento foi desmembrado em centenas de linhas de investigação, muitas delas sob sigilo.

Investigações arquivadas

No caso de Gilson Machado, a apuração investigava uma suposta tentativa de ajudar o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, a deixar o país por meio da emissão de um passaporte português pelo consulado em Recife.

Após diligências, incluindo a apreensão do celular do ex-ministro, a PGR concluiu que não havia elementos mínimos para apresentar uma ação penal contra ele.

Já em relação a Rui Costa Pimenta, a Procuradoria apontou a prescrição do crime de incitação pelo qual o dirigente partidário era investigado, após publicações hostis ao STF nas redes sociais.

No caso de Flávia Cordeiro Magalhães, que mora nos Estados Unidos, Fachin revogou restrições migratórias e uma ordem de prisão preventiva. A PGR considerou frágeis as provas e apontou ausência de vínculo da investigada com grupos organizados ou esquemas de financiamento de desinformação.

O deputado estadual Alex Brasil era investigado por compartilhar conteúdo sobre o sigilo do voto nas eleições de 2022. A Procuradoria informou que os mesmos fatos já haviam sido analisados e arquivados em outro processo. Além de encerrar a apuração, Fachin determinou o desbloqueio dos perfis do parlamentar nas redes sociais.

A quinta investigação apurava apologia a crimes contra judeus e ameaças contra ministros do STF em um grupo no Telegram. Segundo a PGR, limitações técnicas impediram a identificação dos criadores ou administradores do canal, esgotando as possibilidades de esclarecer o caso.

Fachin pretende encerrar o inquérito

O Inquérito das Fake News é alvo de críticas de integrantes da comunidade jurídica devido à duração indefinida e à falta de delimitação clara de seu objeto. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo, questiona a pouca transparência do procedimento.

Em setembro, em meio a uma crise institucional no Supremo, Fachin determinou que o inquérito fosse transferido do gabinete do relator, ministro Alexandre de Moraes, para a Presidência da Corte.

Em outubro, o presidente do STF declarou que pretende arquivar o inquérito, analisando individualmente cada linha de investigação. Na terça-feira (27), Fachin já havia determinado o arquivamento de outras três apurações vinculadas ao procedimento.

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