Decisão no STF

Proibição de Flávio deixar o país era lógica após cancelamento de passaporte, diz Moraes

Ministro afirmou que restrição era consequência do cancelamento dos passaportes diante do risco de fuga; senador deixou o Brasil sem entregar os documentos.

Ipolítica, com informações do G1

- Atualizada em 28/10/2026 às 17h21
Alexandre de Moraes afirmou que proibir Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil era consequência do cancelamento dos passaportes e do risco de fuga.
Alexandre de Moraes afirmou que proibir Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil era consequência do cancelamento dos passaportes e do risco de fuga. (Alejandro Zambrana / STF)

BRASIL – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a proibição de Flávio Bolsonaro (PL) deixar o Brasil era uma consequência “lógica e natural” da determinação para cancelar e entregar os passaportes do senador, diante do risco de fuga do território nacional.

A declaração consta em uma decisão assinada na segunda-feira (26), após o ministro atender a um pedido da Polícia Federal (PF) para recolher os documentos do parlamentar, candidato derrotado nas eleições presidenciais.

Flávio não cumpriu o prazo de 24 horas para entregar os passaportes, estabelecido na noite de domingo (25), e deixou o país. A Polícia Federal ainda apura as circunstâncias da saída.

No despacho, Moraes considerou que as medidas cautelares eram adequadas à fase atual da investigação e menos severas do que uma eventual prisão preventiva.

Moraes aponta risco de fuga

Na decisão, o ministro afirmou que as restrições impostas a Flávio Bolsonaro eram necessárias para preservar a ordem pública e evitar dificuldades para a aplicação da lei penal.

Moraes também destacou a necessidade de impedir que o senador deixasse o país, considerando o risco de evasão identificado no caso.

As medidas foram determinadas no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de envolvimento de Flávio Bolsonaro e do advogado Willer Tomaz em ações de lavagem de dinheiro. Os dois negam participação em ilegalidades.

PF apontou três fatores para pedir apreensão

Ao STF, a Polícia Federal apresentou três elementos que, segundo a corporação, indicavam risco de que Flávio deixasse o Brasil sob a justificativa de perseguição política:

  • A manifestação pública do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que recomendou ao irmão que deixasse o país;
  • O expressivo poder econômico do senador;
  • A existência de estruturas no exterior que poderiam permitir uma permanência prolongada fora do Brasil.

A PF também mencionou suspeitas ainda em apuração sobre o destino de recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos Estados Unidos, por intermédio do doleiro Antonio Freixo.

Segundo a corporação, não está descartada a hipótese de que parte dos valores tenha sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.

Investigação também envolve advogado

O inquérito apura possíveis ações de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, que também está nos Estados Unidos desde agosto de 2026, após deixar o Brasil quando foi alvo da Operação Sem Desconto.

As suspeitas relacionadas aos recursos enviados ao exterior seguem sob investigação. A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do país e os elementos apresentados no pedido de apreensão dos passaportes.

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