ANULAÇÃO DO 2º TURNO

Ministros do TSE avaliam que pedido de Flávio Bolsonaro para anular eleição não deve avançar

Integrantes do TSE consideram que a prorrogação da votação não alterou o resultado da eleição, vencida por Lula com vantagem de 4,4 milhões de votos.

Ipolítica, com informações do G1

- Atualizada em 26/10/2026 às 08h57
TSE descarta pedido de Flávio Bolsonaro contra eleição
TSE descarta pedido de Flávio Bolsonaro contra eleição (Reprodução)

BRASÍLIA – Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam, reservadamente, que um eventual pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para anular o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 não deve prosperar. O candidato derrotado anunciou que pretende questionar o resultado após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que prorrogou o horário de votação no domingo (25).

Segundo integrantes da Corte Eleitoral, a determinação do ministro Cristiano Zanin, que autorizou a extensão da votação por duas horas, abriu espaço para contestações, mas não provocou mudanças capazes de alterar o resultado das urnas.

Um dos principais argumentos é a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre os candidatos. Lula (PT) foi reeleito com 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro.

Levantamento do g1 com dados do TSE aponta que apenas 35.521 votos foram registrados depois das 17h, no horário de Brasília.

Campanha de Flávio também pediu prorrogação

Outro ponto considerado pelos ministros é que a própria campanha de Flávio Bolsonaro solicitou ao TSE a ampliação do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

O pedido foi motivado pelos problemas provocados pelas fortes chuvas nesses estados.

A campanha de Lula também solicitou mais tempo para os eleitores votarem, alegando dificuldades no transporte público, incluindo redução de frotas, falta de ônibus e cobrança indevida de passagens.

Diante da ausência de uma definição do TSE, a equipe do presidente recorreu ao STF, onde Zanin determinou a extensão do horário.

Decisão do STF provocou divergências

Nos bastidores, ministros do TSE e do STF reconhecem falhas na condução do episódio. A determinação de Zanin provocou críticas entre integrantes da Justiça Eleitoral e levou à realização de reuniões emergenciais.

Inicialmente, técnicos do TSE recomendaram manter o encerramento da votação às 17h até que houvesse informações mais precisas sobre os problemas relatados em diferentes estados.

Por volta das 16h, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) informações sobre a situação no estado, com prazo de meia hora para resposta.

A campanha de Lula havia acionado o Supremo às 15h46. Zanin foi escolhido relator às 16h29, e a decisão de ampliar o horário foi comunicada à imprensa às 17h03.

Um minuto depois, às 17h04, a Procuradoria-Geral Eleitoral encaminhou parecer contrário à prorrogação da votação na Bahia, defendendo a manutenção do horário legal e a apuração dos problemas denunciados.

A decisão do STF foi criticada por aliados de Nunes Marques, enquanto ministros próximos a Zanin avaliaram que o TSE demorou a apresentar uma solução.

TSE e STF ajustaram cumprimento da decisão

Após a determinação do Supremo, tribunais regionais eleitorais informaram que algumas seções já haviam encerrado os trabalhos e que não seria possível reabrir as urnas.

Nunes Marques reuniu ministros do TSE para discutir alternativas e entrou em contato com Zanin.

Os dois magistrados chegaram a um entendimento para que a prorrogação fosse aplicada apenas às seções eleitorais que permanecessem abertas.

Lula venceu com 51,79% dos votos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito após uma virada inédita na disputa presidencial. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%.

Depois da divulgação do resultado, Nunes Marques reconheceu a vitória de Lula e declarou ter plena confiança na segurança do processo eleitoral.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, não reconheceu a derrota. O senador criticou a decisão de Cristiano Zanin, classificou a prorrogação do horário de votação como inexplicável e anunciou que pretende pedir a anulação da eleição.

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