INVESTIGAÇÃO

STF abre inquérito para investigar Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro

Investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz foi enviada ao STF após descoberta de e-mails pela Polícia Federal.

Ipolítica, com informações do G1

- Atualizada em 19/10/2026 às 10h22
STF investiga Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro
STF investiga Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro (Reprodução)

BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas a ele. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para relatar o caso.

A investigação teve início na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, onde a Polícia Federal apurava possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e utilização de empresas de apostas em operações financeiras suspeitas.

O procedimento foi encaminhado ao STF em 8 de outubro, após o nome de Flávio Bolsonaro aparecer em documentos obtidos durante a investigação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou os indícios e se manifestou favoravelmente à abertura do inquérito.

Flávio Bolsonaro aparece como usuário de conta bancária

Durante a análise de dados obtidos após a quebra do sigilo telemático de Willer Tomaz, a Polícia Federal identificou e-mails indicando que Flávio Bolsonaro havia sido cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa pertencente ao advogado.

Segundo os investigadores, essa classificação permitiria ao senador ter acesso elevado às funcionalidades de gerenciamento da conta.

A PF também identificou uma mensagem enviada em 22 de maio de 2025, na qual Willer Tomaz solicitava a retirada do acesso atribuído a Flávio Bolsonaro.

Para os investigadores, o documento indica que o parlamentar permanecia associado à conta, ao menos operacionalmente, até aquela data.

O relatório policial também aponta registros de encontros, festas e reuniões envolvendo o senador e o advogado, além de documentos pessoais de Flávio armazenados na conta do iCloud de Willer Tomaz.

A investigação identificou ainda viagens do parlamentar pagas pela Cathedral, uma das empresas ligadas ao advogado.

Polícia Federal investiga empresas de apostas

Outra frente da investigação envolve possíveis relações de Willer Tomaz com empresas do setor de apostas.

De acordo com a Polícia Federal, existem indícios de que o advogado exerceria controle ou teria participação efetiva na Rede Loto, empresa que recebeu autorização da Loterj para explorar apostas esportivas de quota fixa no Rio de Janeiro.

Os investigadores também apuram a possível ligação de Tomaz com a RioPag, empresa que atua no setor de jogos no estado.

Embora o nome do advogado não apareça formalmente no quadro societário, a PF suspeita que ele tenha participação econômica e influência sobre a administração da empresa.

Movimentações financeiras envolvendo a plataforma de apostas Blaze também estão sob análise.

Segundo o relatório, foram identificadas transferências de valores elevados para a Foggo Entertainment Ltda., empresa vinculada à Blaze, cujo endereço teria sido utilizado anteriormente por negócios relacionados a um ex-sócio do advogado e à RioPag.

Defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades

A defesa de Flávio Bolsonaro rejeitou as suspeitas e afirmou que o senador mantém apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz.

Segundo os advogados, não existe vínculo empresarial entre os dois, e as informações divulgadas não demonstram qualquer irregularidade.

A defesa também contestou as referências ao cadastro bancário e afirmou que Flávio nunca manteve conta na qual Willer Tomaz ou suas empresas figurassem como usuários master.

Os representantes do senador classificaram as acusações como infundadas e associaram a divulgação das informações ao período eleitoral.

Willer Tomaz critica investigação

Em manifestação pública, Willer Tomaz negou a prática de crimes e questionou a divulgação de informações relacionadas ao inquérito.

O advogado afirmou que a Rede Loto nunca funcionou como plataforma de apostas e que a Cathedral atua exclusivamente como holding patrimonial.

Tomaz também negou movimentações financeiras irregulares entre as empresas mencionadas pela Polícia Federal.

Na avaliação do advogado, a divulgação do caso às vésperas de um debate presidencial teria motivação eleitoral. Ele também criticou a utilização dos dados obtidos com a quebra de seu sigilo telemático.

Segundo inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro no STF

Esta é a segunda investigação em tramitação no Supremo Tribunal Federal que tem Flávio Bolsonaro entre os investigados.

O primeiro inquérito foi aberto em julho e está sob relatoria do ministro André Mendonça. O procedimento apura o financiamento do filme Dark Horse pelo empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

No novo caso, relatado por Alexandre de Moraes, a investigação busca esclarecer as suspeitas de lavagem de dinheiro e os possíveis vínculos financeiros identificados pela Polícia Federal entre o senador, Willer Tomaz e empresas relacionadas ao advogado.

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