ELEIÇÕES 2026

Atuação dos irmãos de Flávio Bolsonaro em eventual governo preocupa aliados

Centrão teme que Eduardo e Carlos Bolsonaro ganhem influência no futuro governo de Flávio Bolsonaro, apesar de tentativas de limitar a participação.

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 18/10/2026 às 10h15
Aliados de Flávio Bolsonaro demonstram preocupação com a influência de Eduardo e Carlos em um eventual governo do senador.
Aliados de Flávio Bolsonaro demonstram preocupação com a influência de Eduardo e Carlos em um eventual governo do senador. (Diego Herculano/Reuters)

BRASIL – A possível influência de Eduardo e Carlos Bolsonaro em um eventual governo de Flávio Bolsonaro preocupa integrantes do Centrão e da ala pragmática do Partido Liberal (PL). Apesar de o senador ter sinalizado a intenção de limitar a participação de familiares na gestão, aliados avaliam que os irmãos devem ter influência na formação da equipe e nas decisões do governo.

Segundo auxiliares, Flávio pretende ter o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como principal conselheiro político e reservar aos irmãos papéis mais discretos. Em entrevista à TV Globo, o candidato negou que Eduardo possa assumir o Ministério das Relações Exteriores e afirmou que uma eventual nomeação do pai não está em seus planos no momento.

Eduardo Bolsonaro e a possibilidade de atuar na política externa

A atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior é uma das principais preocupações de aliados do irmão. O ex-deputado tem feito articulações internacionais e antecipado posições sobre a política externa que poderia ser adotada em um eventual governo de Flávio.

No início de outubro, Eduardo mencionou a possibilidade de assumir o Ministério das Relações Exteriores, defendeu a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém e propôs uma reformulação no Itamaraty, com a saída de integrantes que considera alinhados ao governo Lula.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que tem capacidade de dialogar com autoridades estrangeiras e que poderia ajudar o irmão a estabelecer contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para aliados de Flávio, o desafio é conciliar a atuação de Eduardo com a intenção de formar uma gestão menos ideológica, composta por nomes técnicos e indicações de partidos.

Aliados defendem participação dos irmãos

Entre os defensores da participação de Eduardo está o empresário Paulo Figueiredo, aliado do ex-deputado. Ele argumenta que Flávio deve parte de sua candidatura ao pai e ao irmão, o que justificaria a influência dos dois em um eventual governo.

O tio do senador, Renato Bolsonaro, também afirmou que Jair Bolsonaro deve ter participação importante como conselheiro, em razão da experiência política do ex-presidente.

A avaliação, porém, não é compartilhada por todos os aliados. Integrantes do Centrão e da ala pragmática do PL defendem que a montagem do governo priorize nomes com experiência administrativa e capacidade de articulação no Congresso Nacional.

Procurados, Eduardo Bolsonaro e a campanha de Flávio não se manifestaram.

Impedimento jurídico para Eduardo assumir ministério

A eventual participação de Eduardo Bolsonaro em um ministério enfrenta um obstáculo jurídico. Segundo a reportagem de O Globo, o ex-deputado teve os direitos políticos suspensos após o trânsito em julgado de uma condenação do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.

A situação o impediria de assumir um ministério, conforme a Constituição. Pessoas próximas ao ex-parlamentar, entretanto, apostam que uma eventual vitória de Flávio poderia alterar o cenário político e abrir caminho para uma reversão da condenação.

Articulações no exterior aumentam preocupação

Na semana anterior à publicação da reportagem, Eduardo se encontrou com o presidente argentino Javier Milei, em Washington. Na ocasião, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes não permaneceria no STF caso Flávio fosse eleito.

O episódio reforçou a preocupação de auxiliares do candidato com a possibilidade de Eduardo continuar realizando articulações internacionais próprias, mesmo sem ocupar um cargo oficial.

O receio é que declarações e compromissos assumidos pelo ex-deputado entrem em conflito com as posições oficiais de um eventual governo. Para esse grupo, as decisões de política externa deveriam ficar concentradas no presidente e no ministro das Relações Exteriores.

Enquanto isso, Flávio amplia as alianças com partidos do Centrão, cujos representantes buscam espaço na futura gestão. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, defendeu que o foco da campanha permaneça na disputa eleitoral, e não na divisão de cargos ministeriais.

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