Segurança pública

Lula desafia bancada de Flávio a votar PEC da Segurança

Lula cobra de Flávio Bolsonaro voto na PEC da Segurança e alerta sobre cortes de R$ 200 bilhões que podem atingir o programa Pé-de-Meia e outros sociais.

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 08/10/2026 às 13h55
Lula desafia bancada de Flávio Bolsonaro a votar a favor da PEC da Segurança, que ainda precisa ser analisada pelo plenário do Senado.
Lula desafia bancada de Flávio Bolsonaro a votar a favor da PEC da Segurança, que ainda precisa ser analisada pelo plenário do Senado. (Reprodução)

BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário no segundo turno das eleições, a votar a favor da PEC da Segurança Pública, que ainda precisa ser analisada pelo plenário do Senado.

A proposta é uma das principais apostas do governo federal para a área de segurança pública. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em março e ficou parado no Senado até setembro, quando foi analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A PEC prevê a integração entre governos estaduais e União no enfrentamento ao crime organizado.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (8), Lula repetiu o mote apresentado no dia anterior para a área de segurança: “ao trabalhador, a proteção, e ao bandido, a prisão”.

“Eu espero que a bancada do Flávio Bolsonaro vote para que a gente possa de uma vez por todas combater o crime organizado. Por que ele não quer votar? Porque ele faz parte desse crime organizado”, afirmou Lula.

Lula cita caso de criança morta em Niterói

Durante o vídeo, Lula também retomou o caso de uma menina de cinco anos que morreu após ser atingida por um disparo de fuzil em frente de casa, em Niterói (RJ), em fevereiro de 2021.

Flávio Bolsonaro atuou como advogado de defesa do policial militar acusado pela morte da criança.

“Ele acaba de defender um policial criminoso que matou uma criança de cinco anos de idade com um tiro de fuzil. Como é que ele vai poder aprovar uma lei para permitir que o Estado combata o crime?”, disse Lula.

O presidente também mencionou a investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco e afirmou que seu governo havia descoberto quem foi responsável pelo crime.

Ao final, Lula voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança.

“Aprove a PEC da Segurança Pública e nós vamos ensinar como é que se acaba com a criminalidade nesse país”, afirmou.

Na legenda da publicação, Lula escreveu: “Com Lula, combateremos o crime organizado. Com Flávio, o crime organizado tomará conta do Brasil. Não troque o certo pelo perigoso!”

Estratégia de Lula nas redes sociais

O vídeo foi gravado no formato selfie, uma estratégia recomendada pelo governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para aproximar o presidente do ambiente digital.

O tom mais duro contra Flávio Bolsonaro também passou a ser defendido por integrantes da campanha de Lula no segundo turno.

Na quarta-feira (7), durante uma reunião com parlamentares aliados, o presidente já havia desafiado Flávio a votar a favor da PEC que trata do fim da jornada de trabalho 6x1.

“Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favorável e desafio ele a pedir para o PL votar favorável”, afirmou Lula.

Flávio e seus aliados são contrários à aprovação da proposta nos termos defendidos pelo governo e defendem uma jornada de trabalho flexível.

Lula critica propostas de cortes no Orçamento

Em outro vídeo publicado nesta quinta-feira, Lula criticou propostas de cortes no Orçamento que, segundo a campanha de Flávio Bolsonaro, seriam adotadas em um eventual governo.

O presidente afirmou que os cortes poderiam chegar a R$ 200 bilhões e atingir programas como o Pé-de-Meia, Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida.

“Toda vez que alguém da elite fala que vai cortar ele corta do povo, corta do sangue do povo e não corta dos ricos. Nós fizemos o contrário e por isso nós vamos manter e aprimorar todas as nossas políticas sociais”, afirmou.

A campanha de Lula já vinha usando o chamado “tesouraço” para associar as propostas de redução de gastos a possíveis cortes em políticas públicas.

A estratégia faz parte da campanha do segundo turno, que busca reforçar comparações com o governo de Jair Bolsonaro e explorar possíveis impactos sobre benefícios e programas sociais em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

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