Golpistas usam nome da WePink para simular pesquisa e extorquir clientes
Golpistas usam o Threads, rede social associada ao Instagram, para divulgar uma falsa campanha da WePink que promete pagamentos de mais de R$ 800 a quem responder uma pesquisa sobre a marca.
Golpes virtuaisSuposta pesquisa da marca promete valores em dinheiro para quem responder formulário nas redes sociais; golpistas lucram com “taxa antifraude”.
Golpistas usam o Threads, rede social associada ao Instagram, para divulgar uma falsa campanha da WePink que promete pagamentos de mais de R$ 800 a quem responder uma pesquisa sobre a marca. Os usuários são direcionados a um site que simula a identidade visual da empresa e faz uma série de perguntas que libera um falso crédito em dinheiro. Ao final, os golpistas pedem o pagamento de R$ 19,95 sob a justificativa de uma “taxa antifraude”. Nas redes sociais, usuários relatam nunca terem recebido o valor prometido.
Apesar das queixas dos usuários, a empresa dona do Threads, a Meta — que também é dona do Facebook e WhatsApp —, afirmou ao Comprova que não permite “atividades que visam enganar, fraudar ou explorar terceiros” em suas plataformas. A Meta recomenda que os usuários “relatem qualquer conteúdo que considerem violar os padrões da comunidade do Facebook, as diretrizes do Instagram e os padrões de publicidade da Meta diretamente pelos próprios aplicativos.”
O Comprova também entrou em contato com a WePink e solicitou um posicionamento da empresa em relação ao golpe. Em resposta, a empresa informou que “o caso já foi encaminhado à equipe especializada, e que está realizando as devidas apurações e adotando as medidas cabíveis para tratar a situação.”
A WePink é uma empresa brasileira de cosméticos e cuidados pessoais fundada em 2021 por Virgínia Fonseca, Samara Pink, Thiago Stabile e Lucas Chaopeng.
Como os golpistas abordam as pessoas: Perfis no Threads de pessoas aparentemente comuns divulgam a suposta campanha da WePink relatando ganhos de mais de R$ 800 após responderem uma pesquisa sobre a marca. As publicações direcionam os usuários para um site que simula ser uma página oficial da empresa.
Na página, o usuário primeiro informa seu perfil no Threads e, em seguida, responde a oito perguntas sobre a WePink. A cada resposta, um saldo, inicialmente de R$ 0, vai aumentando até chegar a R$ 830.
Ao final do questionário, uma mensagem de “parabéns” informa que o usuário acumulou R$ 830. A página também exibe um cronômetro de menos de 24 horas para o suposto benefício expirar.
Depois que o usuário clica para resgatar o valor e informa uma chave Pix, é direcionado para uma página intitulada “desbloqueio de saldo”. Nela, um vídeo mostra uma mulher afirmando que “poucas pessoas” conseguem atingir aquele valor e que o dinheiro “já é seu”.
Para receber a quantia, porém, seria necessário pagar uma suposta “taxa antifraude”, apresentada como uma forma de comprovar que o usuário é uma pessoa e não um robô tentando invadir o site.
“Fique tranquilo, o valor será totalmente reembolsado na sua conta junto com o seu saldo total”, afirma a mulher no vídeo.
A página apresenta um botão para “pagar taxa e desbloquear saldo” e gera um QR Code para o pagamento de R$ 19,95 via Pix. O site ainda alega ao usuário que eventuais alertas de segurança recebidos durante a transação se devem à grande quantidade de pagamentos que estariam sendo realizados pela suposta campanha.
“ATENÇÃO! A nova campanha WePink vem distribuindo muitos PIX diariamente, isso faz com que a transação em alguns casos ative o mecanismo de segurança, em caso de alerta fique totalmente tranquilo (a) e efetue a taxa para o recebimento ágil”.
O QR Code apresentado para a transferência da suposta “taxa antifraude” está registrado em nome da Soluções RA LTDA, CNPJ 69.156.627/0001-32.
Há relatos publicados nas redes sociais de usuários que afirmam que, depois do pagamento de uma primeira taxa, novas cobranças são apresentadas. Esses relatos, porém, não permitem afirmar por si só que essa sequência ocorre em todos os acessos ao site analisado.
A Soluções RA LTDA foi aberta no dia 16 de setembro de 2026 e tem como sócio-administrador Richard da Paz Ferreira. A empresa está localizada em uma área residencial de Taguatinga, cidade-satélite de Brasília (DF).
O Comprova tentou localizar o endereço da Soluções RA LTDA no Google Maps, mas não teve sucesso. Também não conseguimos contato por telefone.
O nome de Richard da Paz Ferreira e da Soluções RA LTDA é citado em outras publicações nas redes sociais que denunciam outros golpes, como o Golpe do Consignado, em que os golpistas se apresentam como funcionários de instituições financeiras legítimas e entram em contato com as vítimas oferecendo taxas de juros baixas e condições de pagamento favoráveis demais. Depois, os criminosos pedem que a vítima pague supostas taxas administrativas para que contratem o suposto empréstimo vantajoso, e então desaparecem com o dinheiro.
Que táticas eles usam para chamar a atenção: Os golpistas se passam por perfis de usuários comuns do Threads para divulgar a falsa campanha. Algumas dessas publicações afirmam que os próprios usuários inicialmente desconfiaram da promoção, mas decidiram participar e receberam o valor. Também são incluídas capturas de telas com depósitos de quantias altas de dinheiro, para dar aparência de legitimidade.
Nos comentários, outros perfis são usados para induzir a vítima a acreditar no golpe, com postagens que reforçam pontos do golpe (como onde localizar o link da falsa pesquisa), mensagens de gratidão e capturas de tela dos falsos depósitos.
O Comprova identificou que esses perfis são parecidos uns com os outros: foram criados há poucos meses, se identificam como mulheres e têm histórico de respostas em outros possíveis golpes do tipo.
O site também usa outros mecanismos para chamar a atenção das vítimas e estimular o pagamento. O saldo aumenta a cada pergunta respondida, criando a expectativa de que o usuário está acumulando dinheiro. Ao final, um cronômetro estabelece um prazo para o resgate, enquanto mensagens afirmam que o valor já pertence ao participante e que a taxa de R$ 19,95 será devolvida junto com os R$ 830 prometidos.
Como se proteger: Um dos principais sinais de que a abordagem é um golpe é a promessa de dinheiro fácil ou de produtos gratuitos. É importante desconfiar sempre que houver cobrança para receber um prêmio, benefício ou valor prometido, pois empresas legítimas costumam informar promoções e campanhas em seus canais oficiais e não exigem depósitos antecipados para liberar pagamentos ou produtos aos clientes.
Outros indícios de golpe incluem mensagens com erros de digitação, pressão para agir rapidamente e promessas muito vantajosas — como descontos exagerados. Antes de fornecer dados pessoais ou realizar qualquer pagamento, vale verificar se a ação realmente existe nos perfis oficiais da marca que estaria promovendo o prêmio, como o site, aplicativo ou redes sociais.
A quem denunciar: O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta que, se a vítima recebeu uma oferta falsa, clicou em um link suspeito e teve perdas financeiras, deve contatar os seus bancos imediatamente, através dos canais oficiais, e informar a suspeita de fraude. O Banco Central orienta que vítimas de golpes também registrem um Boletim de Ocorrência e guardem documentos e comprovantes relacionados ao caso.
Deve-se registrar e preservar as provas do golpe. As provas incluem o “número utilizado, data, horário da ligação/mensagem, e o que foi dito, prints de mensagens, registros de chamadas, fotos do número utilizado, valor do prejuízo sofrido (se houver), informações referentes a transferência (para quem foi destinado os valores)”, também conforme o Ministério da Justiça.
Se o golpe envolveu pagamento em cartão de crédito, a vítima deve contestar a transação junto à instituição financeira. Quando houver uma relação de consumo com uma empresa que possua CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) ativo na Receita Federal, também é possível recorrer ao Consumidor.gov.br e ao Procon.
No caso de Pix, a recomendação é comunicar o banco imediatamente e solicitar a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). O pedido não garante que o dinheiro será recuperado, mas quanto mais rápida for a comunicação, maiores são as possibilidades de bloqueio dos recursos.
A Meta orienta os usuários a relatarem diretamente no aplicativo qualquer conteúdo que considerem violar os padrões da comunidade do Facebook, as diretrizes do Instagram e os padrões de publicidade da Meta.
Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Para se aprofundar mais: O Comprova já identificou um golpe que usa a imagem de Luciano Hang, dono da Havan, para divulgar uma falsa plataforma de investimentos. Também chegou outra fraude que usa a imagem do presidente Lula hospitalizado para gerar cliques na plataforma de vendas Shopee.
Saiba Mais
- Avião que capturou Maduro esteve no Brasil para exercício militar e já deixou o país
- Em medida contra a desinformação eleitoral, Projeto Comprova poderá ser acessado sem cobrança de dados do celular
- Entenda as regras para participação de candidatos em debates na TV
- Post usa humor para levar eleitor a errar número de urna no dia da votação
Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.