Lula liga crise do STF a indicados de Bolsonaro; Flávio reage
Às vésperas das eleições 2026, Lula cita indicados ao STF em caso Banco Master, enquanto Flávio Bolsonaro critica o Judiciário após cancelamento de debate.
BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltaram a colocar o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro da disputa eleitoral às vésperas do primeiro turno. Em entrevista ao podcast Flow, Lula relacionou a crise na Corte a ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio, por outro lado, intensificou as críticas ao Judiciário após decisões que alteraram as regras do debate da TV Globo, posteriormente cancelado.
Lula afirmou ter conversado com Kassio Nunes Marques e André Mendonça, os dois ministros indicados por Bolsonaro ao STF, e disse ter pedido que nenhum dos lados envolvidos nas investigações do Banco Master fosse favorecido.
Na mesma entrevista, o presidente defendeu que as suspeitas relacionadas ao caso sejam apuradas de forma ampla e voltou a mencionar propostas para mudar a forma de escolha dos ministros do Supremo.
Lula cita ministros indicados por Bolsonaro
Durante a entrevista ao Flow, realizada na noite de quinta-feira (1º), Lula mencionou Nunes Marques e Mendonça ao comentar as investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo o presidente, ele conversou com os dois ministros no Palácio do Planalto e pediu que atuassem sem favorecer qualquer um dos envolvidos.
“Eu não quero que vocês pendam para nenhum lado. Eu quero que vocês sejam justos”, afirmou Lula, ao relatar a conversa.
O presidente também disse que a apuração não deveria se limitar ao ministro Alexandre de Moraes e defendeu que todos os fatos relacionados ao caso fossem investigados.
Ao mencionar pessoas que teriam recebido recursos, viajado em aeronaves ou mantido relações com envolvidos no caso, Lula afirmou que seria necessário “julgar todo mundo”.
Caso Banco Master envolve ministros do STF
Ao falar sobre a necessidade de ampliar a apuração, Lula fez referência a diferentes episódios envolvendo integrantes do Supremo.
A menção a um “instituto” estava relacionada a André Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que fosse investigada uma possível relação entre o Banco Master e o instituto do qual Mendonça foi sócio. O ministro nega qualquer relação com irregularidades envolvendo o banco.
Dias Toffoli também passou a ser citado no contexto das investigações. O ministro deixou a relatoria do caso Banco Master após a revelação de que é sócio de uma empresa que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, para um fundo ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
Nunes Marques, por sua vez, foi mencionado em mensagens atribuídas a Vorcaro e interlocutores, com referências à chamada “turma do KN”. O advogado Kevin Marques, filho do ministro, também apareceu nas mensagens por pagamentos recebidos de uma empresa de consultoria contratada pelo Banco Master.
Os ministros e o advogado negam irregularidades.
Lula defende mudanças na escolha de ministros
Em meio à crise envolvendo o STF, Lula voltou a defender a criação de um conselho da sociedade civil para participar da escolha dos integrantes da Corte.
O presidente também mencionou a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros do Supremo. Segundo Lula, o objetivo seria reduzir a influência política na composição do tribunal.
As propostas ganham espaço no discurso do presidente durante a reta final da campanha, em meio às discussões sobre a atuação do STF e às investigações relacionadas ao Banco Master.
Flávio aumenta críticas após cancelamento do debate
Enquanto Lula comentava a crise do Supremo no Flow, Flávio Bolsonaro intensificava as críticas ao Judiciário após o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo.
A campanha do candidato havia decidido participar do encontro mesmo com a ausência de Lula e pretendia explorar o púlpito vazio reservado ao presidente durante a transmissão.
Horas antes do debate, porém, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a emissora de exibir o púlpito destinado a Lula e de permitir perguntas direcionadas ao presidente.
Em outra decisão, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a participação de Renan Santos (Missão), que inicialmente não estava entre os convidados da emissora. Romeu Zema (Novo) também havia recorrido à Justiça para garantir presença no encontro.
Diante das mudanças nas regras, Flávio anunciou que não participaria. Na sequência, a Globo cancelou o debate.
Flávio pede “voto de revolta”
Após desistir do debate, Flávio realizou uma transmissão ao vivo no horário em que o programa seria exibido. O candidato classificou como “censura” a decisão que impediu a utilização do púlpito vazio de Lula e passou a apresentar o episódio como uma interferência do Judiciário na eleição.
Durante a transmissão, pediu aos eleitores um “voto de revolta” e um “voto inteligente” já no primeiro turno.
A campanha também montou um púlpito vazio com o nome de Lula, reproduzindo a estratégia que havia sido preparada para o debate.
O coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), também criticou as decisões judiciais e afirmou nas redes sociais que “o sistema está com medo”.
Candidato mantém críticas ao Judiciário
Nesta sexta-feira (2), Flávio voltou a explorar o cancelamento do debate em seus discursos. O candidato afirmou que um eventual segundo turno representaria novas semanas de confronto com o Judiciário e acusou, sem apresentar provas, o PT de utilizar aliados no STF e no TSE e a Polícia Federal para atingir adversários.
Flávio também pediu que eleitores que pretendiam votar apenas nele em um eventual segundo turno antecipassem o voto para o primeiro turno.
“Não vamos permitir que o Lula indique mais quatro ministros para o STF”, afirmou o candidato.
O episódio do debate passou, assim, a integrar o discurso da campanha de Flávio na reta final antes da votação. A estratégia ocorre paralelamente à tentativa de ampliar o apelo do candidato entre eleitores de outras candidaturas de direita.
A disputa entre Lula e Flávio ocorre a dois dias do primeiro turno, marcado para domingo (4), em uma campanha na qual decisões do STF e do TSE passaram a ocupar espaço central nos discursos dos dois candidatos.
Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.