Eleições 2026

Presidente do PT diz que debate seria ‘escárnio’ contra Lula

Edinho Silva criticou o cancelamento do debate após decisões judiciais que impactaram diretamente o cenário das Eleições 2026 nesta reta final.

Ipolítica, com informações de O Globo

- Atualizada em 02/10/2026 às 15h33
Presidente do PT, Edinho Silva, diz que debate da Globo seria “escárnio” contra Lula e nega favorecimento de ministra do TSE.
Presidente do PT, Edinho Silva, diz que debate da Globo seria “escárnio” contra Lula e nega favorecimento de ministra do TSE. (Divulgação)

BRASIL – O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira (2) que o debate presidencial da TV Globo, cancelado na noite anterior após uma série de decisões judiciais que alteraram as regras do encontro, seria um “escárnio” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Edinho também negou que a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tenha favorecido a campanha petista ao determinar mudanças nas regras do debate. Segundo o dirigente, a mesma magistrada não atendeu a um pedido de direito de resposta apresentado pela coligação de Lula contra propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL).

PT questionou regras do debate

Pelas regras inicialmente estabelecidas pela TV Globo e assinadas pelos representantes dos partidos convidados, um púlpito vazio com a identificação de Lula permaneceria no cenário, já que o presidente havia informado que não participaria do encontro.

Também estava previsto que os candidatos presentes poderiam fazer perguntas de 30 segundos ao candidato ausente durante uma das rodadas de tema livre.

Lula comunicou à emissora que não participaria do debate e, no mesmo horário, participou de uma entrevista ao podcast Flow, no Palácio da Alvorada.

Antes do programa, a coligação do presidente recorreu ao TSE para impedir a utilização dos mecanismos previstos para representar a ausência do candidato. O pedido foi atendido em decisão monocrática de Estela Aranha.

“Se a campanha não entrasse com uma ação impedindo isso, seria um escárnio contra o presidente Lula. O debate não seria para confrontar ideias, seria para prejudicá-lo”, afirmou Edinho.

Outras decisões alteraram o debate

Além da decisão de Estela Aranha, outras determinações judiciais modificaram a composição prevista para o encontro.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a participação do candidato Romeu Zema (Novo). Já o ministro Gilmar Mendes, do STF, decidiu pela participação de Renan Santos (Missão), que inicialmente não estava entre os convidados da emissora.

Com as alterações nas regras e na lista de participantes, Flávio Bolsonaro anunciou que não compareceria ao debate. Posteriormente, a TV Globo cancelou o encontro.

O episódio passou a ser explorado pela campanha de Flávio como uma crítica à atuação do Judiciário durante a eleição.

Edinho nega favorecimento de ministra

Estela Aranha foi indicada ao TSE, na classe dos juristas, pelo presidente Lula em agosto de 2025. Antes de chegar à Corte Eleitoral, ela havia ocupado o cargo de secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão de Flávio Dino.

Edinho negou que a decisão favorável ao pedido da campanha de Lula no caso do debate tenha relação com a indicação da ministra.

O presidente do PT citou ainda outro processo envolvendo a magistrada. Segundo ele, a campanha petista apresentou um pedido de direito de resposta contra menções feitas na propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro a declarações de Lula sobre exames de saúde de meninas.

Para Edinho, a ausência de decisão nesse pedido também deveria ser considerada ao avaliar a atuação da ministra.

“Direito de resposta é o básico do básico. Se alguém te agride e ofende, você tem que ter o direito de resposta”, afirmou.

PT fala em alianças para eventual segundo turno

Edinho Silva também comentou a estratégia eleitoral do PT para um eventual segundo turno. Segundo o dirigente, a campanha pretende buscar apoio da chamada “direita democrática” para ampliar o arco de alianças de Lula.

Ele não detalhou quais partidos seriam procurados, mas afirmou que há conversas com legendas do Centrão que declararam neutralidade no primeiro turno.

Edinho também disse acreditar na possibilidade de vitória de Lula já no domingo (4), mencionando o movimento de voto útil registrado pela campanha na reta final.

Reforma política e críticas a Trump

O presidente do PT afirmou ainda que pretende defender uma reforma política e eleitoral em um eventual quarto mandato de Lula. Entre os temas citados estão as emendas parlamentares, em razão das denúncias e investigações relacionadas a esse tipo de recurso.

Na avaliação de Edinho, Flávio Bolsonaro representa no cenário eleitoral um sentimento de mudança entre parte do eleitorado. Para um eventual segundo turno, o petista pretende apresentar Lula como capaz de promover mudanças, incluindo uma reforma do Judiciário.

Edinho também afirmou ter suspeitas sobre possíveis tentativas de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições brasileiras. Segundo ele, cabe ao Ministério Público investigar o caso e adotar as medidas que considerar necessárias.

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