Lula diz que pretende acabar com bets e que clubes terão de buscar outras receitas
Lula afirma que pretende banir bets no Brasil para proteger a juventude e alerta que clubes de futebol precisarão encontrar novos meios de financiamento.
BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (23) que pretende acabar com as bets no Brasil e que os clubes de futebol terão de encontrar outras formas de financiamento. Segundo ele, a iniciativa é uma decisão do governo e não uma disputa com o futebol.
A declaração foi dada durante um ato de campanha com artistas no Rio de Janeiro. Lula afirmou estar preocupado com a relação de parte dos jovens com as plataformas digitais e disse que teria "o imenso prazer de acabar com as bets".
Ao comentar a reação dos clubes às possíveis restrições, o presidente afirmou que as equipes terão de se adaptar a um cenário sem os recursos provenientes das empresas de apostas.
"Em nome da boa política, em nome da sociedade brasileira que a gente vai acabar com isso e os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro. É isso. Vai ser assim. E isso vai ser bom para a juventude", declarou.
Governo discute restrições às bets
Nesta quarta-feira, Lula também se reuniu com integrantes do governo para discutir medidas de restrição às bets. Participaram do encontro Dario Durigan, Miriam Belchior, Bruno Moretti, Wellignton César, Sidônio Palmeira e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Segundo integrantes do governo que participaram da reunião no Palácio da Alvorada, o encontro terminou sem uma definição sobre o alcance das medidas.
A equipe discute alternativas que vão desde a proibição total das apostas até restrições como o veto à publicidade e a proibição de cassinos virtuais, entre eles o chamado "Jogo do Tigrinho".
A mudança deverá ser anunciada por meio de uma Medida Provisória. Órgãos do Executivo já organizam ações internas considerando a possibilidade de publicação da MP.
Clubes se posicionam contra restrições
O debate sobre o futuro das bets ocorre há algumas semanas dentro do governo. Nos últimos dias, ministros intensificaram reuniões para tentar chegar a um consenso e evitar questionamentos jurídicos após a decisão.
Clubes e federações também pressionam contra as restrições. Na semana passada, alguns dos principais clubes de futebol do país divulgaram um manifesto conjunto alertando para os impactos que as medidas poderiam provocar no esporte.
No documento, os clubes afirmaram que os investimentos das empresas autorizadas de apostas se tornaram uma das principais fontes de receita do futebol e que os recursos também chegam a equipes menores, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.
Nos últimos anos, as bets passaram a ocupar espaço relevante entre os parceiros publicitários dos clubes brasileiros.
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