Justiça Eleitoral

TSE aceita ação de Flávio Bolsonaro contra Lula por desfile de escola de samba

TSE admite ação de Flávio Bolsonaro contra Lula sobre possível abuso de poder político no desfile da escola Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026.

Imirante, com informações do G1

TSE aceita ação de Flávio Bolsonaro contra Lula e Alckmin por suposto abuso de poder durante desfile da Acadêmicos de Niterói.
TSE aceita ação de Flávio Bolsonaro contra Lula e Alckmin por suposto abuso de poder durante desfile da Acadêmicos de Niterói. (Ricardo Stuckert)

BRASIL – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou uma ação de investigação judicial eleitoral apresentada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB). O processo apura suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026.

A ação foi admitida na sexta-feira (18) pelo ministro Antonio Carlos Ferreira, corregedor-geral da Justiça Eleitoral. Também são citados como investigados a primeira-dama Janja Lula da Silva, o candidato a deputado federal Marcelo Freixo (PT) e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

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Os investigados foram intimados e têm cinco dias para apresentar defesa. A admissão da ação não significa que o TSE tenha reconhecido a prática das irregularidades apontadas por Flávio Bolsonaro. Nesta etapa, o tribunal analisa se o processo reúne requisitos para ser investigado.

Ação questiona desfile que homenageou Lula

A Acadêmicos de Niterói apresentou no Carnaval deste ano um enredo sobre a trajetória de Lula. O desfile foi realizado em fevereiro, no Rio de Janeiro.

Na ação, Flávio Bolsonaro e o candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), sustentam que houve uso da estrutura pública e exposição em meios de comunicação em benefício eleitoral da chapa de Lula e Alckmin.

Os autores afirmam que municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, o governo estadual e a Embratur destinaram R$ 9,6 milhões à escola de samba. Segundo a petição, os repasses ocorreram depois da divulgação do enredo, em julho de 2025.

A defesa dos candidatos também questiona receitas privadas da escola e afirma que parte dos recursos poderia ter origem em empresas com contratos públicos.

Transmissão do desfile também é questionada

Outro ponto apresentado na ação é a transmissão do desfile em televisão aberta.

Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar alegam que a apresentação da Acadêmicos de Niterói foi exibida em rede nacional por cerca de 79 minutos e que o conteúdo permaneceu disponível posteriormente em plataformas digitais.

Segundo os autores, essa exposição teria caracterizado uso indevido dos meios de comunicação e escapado às regras aplicáveis à propaganda eleitoral.

A ação pede a produção de provas junto a órgãos públicos e entidades privadas, além dos depoimentos de Janja, Marcelo Freixo e Rodrigo Neves.

Caso pode resultar em cassação e inelegibilidade

A ação apresentada por Flávio Bolsonaro é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), instrumento previsto no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990 para apurar, entre outras situações, abuso de poder econômico, abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Segundo o especialista em Direito Eleitoral e Digital Márcio Nogueira, presidente da OAB de Rondônia, uma eventual condenação pode resultar na cassação do registro ou do diploma e na inelegibilidade por oito anos.

A admissão do processo, porém, não representa uma condenação nem antecipa o resultado da investigação.

Outras ações envolvendo candidatos

O TSE já recebeu outras ações semelhantes durante as Eleições 2026. Uma delas também questiona o desfile da Acadêmicos de Niterói e foi apresentada pelo partido Novo.

Na defesa apresentada nesse outro processo, Lula argumentou que o Carnaval costuma retratar personagens políticos e que ele apenas autorizou o uso de seu nome. Também afirmou que os repasses públicos foram distribuídos de forma isonômica entre as 12 escolas de samba do Rio de Janeiro.

Outro processo envolve Flávio Bolsonaro e foi apresentado pelo PT em razão da participação do candidato na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, em agosto. A legenda sustenta que houve financiamento empresarial indireto da campanha.

A ação contra Lula e Alckmin seguirá agora para a apresentação das defesas dos investigados e posterior análise dos elementos apresentados ao TSE.

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