JUSTIÇA

STF analisa se Moraes pode ser investigado por conversas com Vorcaro

STF analisa nesta terça-feira se Alexandre de Moraes pode ser investigado por suposta relação com Daniel Vorcaro no caso Master.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

- Atualizada em 15/09/2026 às 08h39
STF analisa se Moraes pode ser investigado por conversas com Vorcaro
STF analisa se Moraes pode ser investigado por conversas com Vorcaro (Reprodução)

BRASÍLIA – O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar na manhã desta terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão está marcada para as 10h, com transmissão pela TV Justiça e pela internet.

O julgamento foi levado ao plenário pelo ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, após a PF identificar que o empresário manteve contatos com um número de celular atribuído a Moraes.

As mensagens foram obtidas após a quebra do sigilo do celular de Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

Rito do julgamento

O presidente do STF e atual relator do caso, ministro Edson Fachin, definiu que a sessão será aberta às 10h. Depois dos procedimentos iniciais, Fachin chamará o processo e apresentará o relatório.

Na sequência, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a palavra. A votação dos ministros começará após a manifestação da procuradoria.

O STF não confirmou se Alexandre de Moraes participará da sessão. A presença do ministro Dias Toffoli também não está confirmada.

O rito ainda poderá ser interrompido por uma questão de ordem apresentada por qualquer ministro. Um pedido de vista também poderá suspender a deliberação.

Conversas entre Vorcaro e Moraes

O caso tornou-se público em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo e encaminhou as conversas para Fachin. Conforme a Constituição e o Regimento Interno do STF, cabe ao plenário julgar integrantes da própria Corte.

A investigação mostra que Daniel Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com o número atribuído a Moraes antes de ser preso em 17 de novembro de 2025.

Moraes não é relator do caso Master no Supremo. Segundo a fonte, o contato com Vorcaro ocorreu após o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestar serviços ao banco.

Em mensagens anteriores à prisão, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da PF e mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Não há indícios de que os dois tenham interferido nas investigações.

Vorcaro também mencionou o juiz Ricardo Leite, que era responsável pelas investigações na Justiça Federal, e questionou a possibilidade de ser alvo de uma ordem de prisão. Ele foi preso em 17 de novembro por determinação do magistrado. Posteriormente, o caso chegou ao Supremo.

Posição de Moraes e da PGR

Desde a divulgação das conversas, Alexandre de Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens.

Após o material ser encaminhado a Fachin, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news e afirmou que o ministro havia direcionado a investigação contra ele por “motivos políticos”. A inclusão foi posteriormente desfeita por Fachin.

Paulo Gonet defendeu a anulação do relatório da PF que identificou as conversas. Em manifestação ao STF, o procurador-geral sustentou que o aprofundamento da investigação envolvendo Moraes só poderia ter ocorrido após autorização do plenário da Corte.

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