Veja como ficam as entregas

Greve dos Correios continua e não tem previsão de encerramento

Paralisação nacional segue por tempo indeterminado; julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Imirante.com

- Atualizada em 14/09/2026 às 16h07
A paralisação começou na sexta-feira (11).
A paralisação começou na sexta-feira (11). (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASIL - A greve dos Correios continua nesta segunda-feira (14) em todo o país, por tempo indeterminado e sem previsão de encerramento. A paralisação começou na sexta-feira (11), após trabalhadores rejeitarem, em assembleias, uma proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

Entre as principais reivindicações estão avanços nas negociações, preservação de direitos e garantias relacionadas ao plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes. Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), esse benefício está entre os principais pontos de impasse com a estatal.

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A federação afirma que a categoria tentou chegar a uma solução negociada após sucessivas rodadas de discussão e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas não houve acordo.

Em meio à greve dos Correios, a estatal informou que acionou o Plano de Continuidade de Negócios para reduzir eventuais impactos da paralisação e manter os serviços no país. A empresa afirma que a rede de agências permanece aberta ao público.

Os Correios não informaram se haverá mudanças nos prazos de entrega nem quais regiões podem ser mais afetadas. Em situações específicas, os clientes podem procurar atendimento pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou pelos canais digitais da empresa.

TST determina 80% do efetivo durante greve dos Correios

O Tribunal Superior do Trabalho determinou, em decisão liminar no sábado (12), que pelo menos 80% do efetivo permaneça em atividade em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a paralisação.

A determinação alcança trabalhadores das unidades de atendimento, tratamento, transporte e distribuição, além das áreas administrativas ou de suporte consideradas indispensáveis à continuidade da cadeia postal.

A decisão ocorreu após os Correios ajuizarem, na sexta-feira (11), pedido de dissídio coletivo no TST. A medida foi tomada depois do encerramento da mediação sem acordo e da rejeição da proposta do ACT 2026/2028 nas assembleias sindicais.

O julgamento do dissídio coletivo está marcado para o dia 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC). As partes ainda podem chegar a um acordo antes do julgamento.

Enquanto não houver solução para o impasse, a FINDECT orienta os sindicatos filiados a manterem a greve dos Correios e as mobilizações. A entidade afirma que continua aberta ao diálogo.

Maranhão aderiu à paralisação

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos no Estado do Maranhão (SINTECT-MA) está entre as entidades que aprovaram adesão à greve dos Correios, segundo a FINDECT.

Além do Maranhão, sindicatos de diversos estados e regiões do país aprovaram a paralisação, entre eles representantes de Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

Também aderiram sindicatos que representam trabalhadores de regiões específicas, como Campinas, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santa Maria, Uberaba, Vale do Paraíba, Bauru e Santos.

Plano de saúde está entre principais impasses

De acordo com a FINDECT, um dos principais pontos de divergência nas negociações envolve o plano de saúde dos funcionários. A entidade afirma que a direção dos Correios pretende realizar alterações no benefício.

Segundo a federação, a decisão pela paralisação ocorreu após sucessivas rodadas de negociação. Para a entidade, a preservação das condições relacionadas à assistência à saúde é considerada uma questão fundamental pelos trabalhadores.

A categoria também reivindica avanços nas negociações do acordo coletivo e manutenção de direitos. A FINDECT afirma que uma eventual nova proposta deverá ser submetida à avaliação dos trabalhadores.

Correios enfrentam crise financeira

A greve dos Correios ocorre em meio a uma situação financeira considerada desafiadora pela própria estatal. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos no vermelho e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.

Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado no segundo trimestre foi menor que os verificados nos dois trimestres anteriores. No primeiro trimestre deste ano, a estatal havia registrado prejuízo recorde.

Os Correios também aguardam uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões, já mencionada nas demonstrações financeiras do primeiro semestre divulgadas no fim de agosto.

A expectativa é que os recursos sejam obtidos por meio de um consórcio de instituições financeiras. No fim de 2025, a empresa recebeu R$ 12 bilhões em uma operação semelhante.

Correios adotam medidas para manter serviços

Em nota, os Correios afirmaram que adotaram medidas para preservar o funcionamento da operação durante a paralisação.

Entre as ações anunciadas estão:

  • mobilização de empregados administrativos para apoiar atividades operacionais;
  • remanejamento de veículos;
  • realização de mutirões para preservar o fluxo logístico;
  • manutenção da rede de agências aberta ao público;
  • cumprimento da decisão judicial que determina 80% do efetivo em atividade.

A estatal afirmou respeitar o direito de greve dos trabalhadores, mas destacou que a paralisação ocorre em um momento de dificuldades econômico-financeiras.

Segundo a empresa, as ações atuais estão concentradas na redução de despesas, aumento da eficiência, modernização das operações e geração de novas receitas.

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